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O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm


28 jan

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.

A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.

E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.

Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.

Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.

A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?

Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.

Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.

O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.

Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.

A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.

Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM

This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.

The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.

And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.

They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.

They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.

The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?

Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.

I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.

The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.

So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.

The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.

A poem in process by Wagner Merije

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Trovar a Liberdade — Um encontro criativo com o legado de Zeca Afonso


20 nov

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso propõe um mergulho sensível e vigoroso no universo de uma figura maior da música e da resistência em Portugal. O espetáculo recupera a força poética, a inquietação ética e a pulsação humana da sua obra, revelando a atualidade das suas palavras e melodias num tempo que continua a convocar a liberdade e o pensamento crítico.

Recorrendo a uma combinação de declamação, interpretação vocal e ambiente sonoro imersivo, Trovar a Liberdade com Zeca Afonso convida o público a escutar Zeca com novos ouvidos e a reencontrar, nos seus versos, a esperança e a coragem que atravessam gerações.

A direção artística e a composição da trilha sonora são assinadas por Wagner Merije, que constrói uma atmosfera contemporânea, íntima e emocionalmente envolvente, sustentando cada momento com sensibilidade e respeito pelo espírito original da obra de Zeca Afonso.

A interpretação de Fernando Franco, intensa e profundamente expressiva, dá corpo e voz aos poemas e canções, criando um espaço vivo de memória e reinvenção.

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso é um tributo luminoso a um criador essencial, mas é também um convite à reflexão, ao encontro e ao gesto de manter viva a chama da liberdade — nas artes, na sociedade e na vida.

O espetáculo faz parte da programação do prestigiado Ciclo Orphika 2025 da Universidade de Coimbra.

Local: Liquidâmbar – Praça da República – Coimbra, Portugal
Data e horário: 25 de novembro de 2025 — 21h30
Entrada livre

Realização: Motivos Alternativos & Aquarela Brasileira

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Zeca Afonso entre Coimbra e Setúbal: um reencontro poético e musical


24 out

Entre as cidades de Coimbra e Setúbal, em Portugal, dois lugares que marcaram profundamente a vida e a arte de José Afonso, nasce um espetáculo que celebra o homem, o poeta e o símbolo da liberdade.

“Zeca Afonso entre Coimbra e Setúbal” é um projeto performativo que presta homenagem a uma das figuras mais inspiradoras da cultura portuguesa do século XX. Através de uma abordagem contemporânea e sensível, o espetáculo convida o público a revisitar o universo de Zeca, unindo música, palavra e emoção num diálogo vivo entre passado e presente.

Com declamação e interpretação vocal de Fernando Franco e composições musicais e arranjos de Wagner Merije, o espetáculo propõe uma leitura renovada da obra de Zeca Afonso, incluindo poemas pouco conhecidos e nunca musicados e até textos inéditos criados especialmente para esta homenagem.
Entre sons, versos e imagens, o público é conduzido por uma viagem afetiva que liga o fado de Coimbra — raiz da sua criação — à canção de intervenção e à liberdade cantada em Setúbal.

Zeca nasceu em Aveiro (1929), estudou e viveu longos anos em Coimbra, cidade onde ensaiava no Grémio Operário, poucos metros da sua casa na Rua da Ilha, junto à Sé Velha. Em Setúbal, onde viveu a partir de 1967, fundou o Círculo Cultural de Setúbal, importante centro de resistência e criação artística. Faleceu na mesma cidade, em 1987, e hoje é lembrado na Casa da Cultura de Setúbal, cujo auditório leva o seu nome — Sala José Afonso.

“O fado de Coimbra é a raiz de toda a música do Zeca”, afirmou Teresa Alegre Portugal — e é precisamente essa raiz que o espetáculo recupera, para transformar em flor e futuro.

Datas e locais
Sábado, 1 de novembro de 2025Casa da Cultura de Setúbal
Domingo, 2 de novembro de 2025Grémio Operário de Coimbra

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Fotografia e arte de Wagner Merije


29 set

A fotografia é revelação e mistério, e muito já se falou sobre esta arte de duzentos anos. Henri Cartier-Bresson uma vez disse: Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração.” Já Machado de Assis escreveu: “O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio.”

A criatividade humana é inesgotável. A capacidade de utilizar técnicas, suportes, expressões, linguagens, materiais, sentidos, sentimentos para a produção de Arte não caberá, nunca, num conceito, numa definição ou numa explicação.

“A arte não é apenas uma representação do que as coisas são, mas também ao que parecem ser, o verossímil, ou ao que deveriam ser, o ideal.” (Aristóteles)

“A arte produz, sem dúvida, o prazer estético, que é puro prazer de reflexão e não prazer de fruição. Mas a natureza produz muito mais este puro prazer.” (Kant)

“Uma obra de arte é ao mesmo tempo um objeto e uma ideia. A arte é um meio destinado a facilitar o conhecimento que constitui o prazer estético.” (Schopenhauer)

“Apenas a arte apresenta, em cada época, uma imagem ‘definitiva’ do mundo (…). Por suas dimensões cognitivas, éticas, políticas, etc., a arte remete a todas as dimensões da vida”. (Rochlitz, O Desencantamento da Arte)

“Toda obra de arte é, tanto primeiramente como em última análise, unidade indissociável do sentido e do sensível”. (Michel Haar, A Obra de Arte: Ensaios Sobre a Antologia das Obras)

“Nenhum povo existe no mundo sem arte”. (Gombrich, 2015)

Multimedia Suprasensorial

Wagner Merije é um artista multimédia com cidadania brasileira e portuguesa, cujas criações transcendem fronteiras e disciplinas. Doutorado em Letras pela Universidade de Coimbra, integra nas suas obras as artes visuais, a literatura, a música, o cinema, a fotografia, a dança e o teatro, criando experiências sensoriais que desafiam os limites tradicionais da arte.

Ao longo da sua trajetória, Merije participou em exposições e projetos culturais em diversos países — incluindo o Brasil, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Formosa e outros — destacando-se no panorama da arte contemporânea. As suas criações encontram-se em colecções particulares e têm sido reconhecidas pela capacidade de provocar reflexão e emoção.

Nas suas mostras e exposições, Merije transforma objetos do quotidiano em obras de arte imersivas, convidando o público a viver uma experiência sensorial única. A sua abordagem inovadora e sensível à estética e à emoção torna cada peça uma janela para novas percepções e interpretações.

Todas as obras estão disponíveis para aquisição.

Conheça alguns trabalhos imagéticos desenvolvidos por Wagner Merije

Mostras e Exposições

O Vinho como Obra de Arte

Exílios, Diásporas, Odisseias

Flamingos

No mundo de Freud

Entes Presentes – Série Orgulho de Falar Português

Assim na Terra como no Céu

O que as janelas da UC mostram

Haverá Humanidade ou Luz no Fim do Túnel?

Pequena Casa de Lembranças

Vozes Encantadas de Saramago

Livros & Discos

Travessias

São Paulo em Imagens

Coimbra em Imagens

Salomé/O Vencedor do Tempo_Fernando Pessoa

Sonetos_Luís Vaz de Camões

Torpedos

Turnê do Encantamento

Um Furacão em Lisboa

As Fadas

Peopleware

Fotografia de cena

É Urgente Reconquistar a Liberdade

É Urgente Acordar

Raul de Souza e Ron Carter no Brasil

Raul de Souza – Alma do Rio

Raul de Souza na roda

Encontro Internacional de Criadores

O olho que vê

Circum_Natação

Fotografia de rua

Brasil Street Art encantadas

Brasil Street Art para todos

Brasil Street Art extra may

Brasil Street Art jun13

Arte Sequencial

The LoveCats

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A Última Ceia Antes da Invasão Francesa_Um espetáculo de Wagner Merije que revive a história esquecida


11 maio

Uma ceia. Uma invasão. Um grito de resistência.

A Última Ceia Antes da Invasão é um filme-performance que mergulha na memória de um povo ameaçado pela violência da guerra, onde o quotidiano é interrompido pela brutalidade da História.

Uma criação intensa da CTV – Companhia de Teatro Vivo, filmada em paisagens marcantes de Coimbra, Alentejo e Ilha da Madeira.

Guião & Direção: Wagner Merije

Produção: Pedro Seixas

Edição: Dani Reis

Câmeras: Aquarelistas

Música: The LoveCats

Assista, partilhe, reflita.

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Tropical Party 2024


23 maio

Mais informações: faleaquarela@gmail.com

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Ecos do Mondego – Vozes e Diálogos


26 fev

“Ecos do Mondego – Vozes e Diálogos” reúne escritores e artistas de Portugal, Brasil, Angola e outros países num intercâmbio de literaturas, músicas, artes visuais e conhecimento. Uma proposta aberta de diálogo, e conta com sketchs de teatro, lançamentos de livros, tertúlias, performances musicais, exibição de vídeos, exposições fotográficas e de artes plásticas.
O rio Mondego é o quinto maior rio português e o primeiro de todos os que têm o seu curso inteiramente em Portugal.

Ecos do Mondego_cartaz

Local: Coola Boola Colab – Coimbra – Portugal

09/03/2024 às 19:30 – 22:00

Entrada livre

Produção: Ulysses & Orpheu + Aquarela Brasileira

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Doutor (PhD) pela Universidade de Coimbra (Portugal)


19 jan

Wagner Merije (Wagner Rodrigues Araújo) é Doutor em Letras pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Se você preferir, PhD in Letters from the Faculty of Arts and Humanities of the University of Coimbra.

A Universidade de Coimbra, erguida em 1290, e considerada hoje uma das cinco mais antigas do mundo, é uma referência histórica para o Brasil desde a época colonial.A instituição, a primeira universidade de Portugal e a única de todo o reino português por centenas de anos, acolhe brasileiros desde o século XVI.

Coimbra, a “Lusa Atenas”, que se impõe a partir das colinas sobre o Rio Mondego, no centro de Portugal, construída por romanos, mouros, portugueses e gente de todo o mundo, monumento do passado eterno, berço de nascimento de seis reis de Portugal, antiga capital do país (entre 1131 e 1255), teve papel fundamental nos rumos dos acontecimentos da Independência do Brasil, mas a relação da cidade com o Brasil vem desde o início do século XVI.

Um dos primeiros portugueses a respirar o ar do Brasil foi o frade franciscano Henrique Soares de Coimbra, que desembarcou com Pedro Álvares Cabral e seus marinheiros na baía de Santa Cruz de Cabrália, no litoral sul da Bahia em 1500 sob as ordens de D. Manuel I, Rei de Portugal na época. No dia 26 de abril daquele ano, o primeiro domingo após a Páscoa, o religioso rezou a primeira missa no Brasil, no ilhéu da Coroa Vermelha, na Bahia, assistida pela tripulação das caravelas à distância, enquanto que em terra firme era assistido por cerca de 200 indígenas. Poucos dias depois, em 1º de maio, Frei Henrique de Coimbra celebrou sua segunda missa em solo brasileiro.

Por Coimbra passaram nomes curiosos ligados ao Brasil e Portugal. Dois ex-estudantes da Universidade de Coimbra, Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, estão entre os fundadores da cidade de São Paulo. Antes, Nóbrega já havia ajudado a fundar Salvador, na Bahia. Gregório de Matos, que nasceu em 1636 em Salvador, e por causa de seus versos e sátiras recebeu o apedido de “Boca do inferno”, em 1661 formou-se na Universidade de Coimbra. Um dos líderes da “Inconfidência Mineira”, Tomás António Gonzaga, ainda hoje estudado por seu poemário Marília de Dirceu, era filho de mãe portuguesa e pai brasileiro e se tornou bacharel em Leis em 1768 na Universidade de Coimbra. Gonçalves Dias, um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como “indianismo”, escreveu em Coimbra, enquanto estudava na Faculdade de Direito, a “Canção do Exílio”, um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira, o que lhe valeu o título de poeta nacional do Brasil. José Bonifácio de Andrada e Silva ainda hoje é conhecido como o “Patriarca da Independência” do Brasil, foi estudante e professor na Universidade de Coimbra. Bernardino Machado, nascido no Rio de Janeiro, também foi estudante e depois professor catedrático na Universidade de Coimbra. Teve uma carreira política marcante e cheia de reviravoltas, sendo eleito presidente de Portugal por duas vezes, em 1915 e em 1925.

Alguns ex-presidentes do Brasil receberam o título de doutor honoris causa da Universidade de Coimbra, como foi o caso de Luiz Inácio Lula da Silva (2011), Fernando Henrique Cardoso (1995), Tancredo Neves (1985), José Sarney (1986), Juscelino Kubitschek (1960) e João Café Filho (1955). A Universidade de Coimbra também já conferiu o título de doutor honoris causa a outros brasileiros de destaque, como como Gilberto Freyre, Florestan Fernandes, José Murilo de Carvalho, Francisco Amaral Neto, Gladstone Chaves de Melo, Júlio Afrânio Peixoto, Hilário Veiga de Carvalho ou Evanildo Cavalcante Bechara.

As relações de Coimbra e Brasil e Brasil e Coimbra, como não podia deixar de ser, conta com vários portugueses conhecidos, como o Padre António Vieira (Lisboa, Portugal, 6 de fevereiro de 1608 –  Salvador, Brasil, 18 de julho de 1697), uma das mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, que se destacou como missionário em terras brasileiras. Miguel Torga emigrou para o Brasil, em 1920, ainda com treze anos, para trabalhar na fazenda do tio, proprietário de uma fazenda de café em Minas Gerais. Em 1928 entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. O autor de Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira, nasceu a 10 de agosto de 1921, em Belém, estado do Pará, no Brasil. Filho de imigrantes portugueses, mudou-se aos dois anos para Portugal. Em 1933 Carlos de Oliveira muda-se para Coimbra, com o fim de prosseguir os estudos liceais e universitários, ingressando na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. O ensaísta, professor universitário, filósofo e escritor, Eduardo Lourenço, foi estudante de Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) onde começou a sua carreira acadêmica, como professor assistente. A lista é longa em várias áreas do conhecimento.

Concluído ao longo de seis anos, este doutoramento representa uma longa estrada dedicada à segunda coisa mais nobre ao nosso alcance: aprender. Até aqui foi uma vida inteira voltada para o aprimoramento contínuo, criativo e crítico.

Tenho sinceros agradecimentos a fazer:

Aos meus antepassados (entes presentes) e a toda a minha família, aos meus amigos de toda parte; Às professoras e professores de outros tempos; Às Professoras Doutoras Orientadoras Ana Paula Arnaut e Marinei Almeida, por todos os aprendizados; Aos professores da FLUC, funcionáros e funcionárias da FLUC e à toda a comunidade da Universidade de Coimbra.

Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar,

que fazem de cada recuo, um ponto de partida para um novo avançar.

Cecília Meireles

Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras:

espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão.

Nise da Silveira

Para fazer o download da tese: https://merije.com.br/wp-content/uploads/2019/01/JS-e-ILB-entre-a-utopia-e-a-distopia_tese-completa-Wagner-Rodrigues-Araújo-FINAL_07022024.pdf

www.cienciavitae.pt/pt/4A16-A144-81DA

www.merije.com.br

www.aquarelabrasileira.com.br

www.mvmob.com.br

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Gira Gira Mundo


11 nov

A Aquarela Brasileira Multimedia orgulhosamente apresenta um programa mui divertido como um teatro de variedades.

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Gira Gira Mundo é um projeto multimedia que une música, literatura e imagens numa celebração ao encontro de pessoas de diferentes nacionalidades que co-criam em Coimbra.

 

 

Programa

Audiovisuais

The Body Poets – Grocery Store

The Wikidrummer

Japanese Collective Electronicos Fantasticos

Say She She – Questions

Suprasensorial – Deus criou o beat

The Cat Tale

Circum-Natação, o teaser

 

Literatura

 Apresentação do livro Circum-Natação, com presença do autor Hélder Grau Santos (Asa de Borboleta)

Poemas com Jazz com Rita Gomes e Sónia Gonçalves

 

Música

Blarmino

Dj Suprasensorial

 

Palavras pela Paz

 

 Data:16/11/2023 – Quinta-feira

Horário: a partir das 21:00 horas

Local: Liquidâmbar – Praça da República nº 28 1º – Coimbra – Portugal

Entrada: Livre

Entidade Organizadora: Aquarela Brasileira

Informações: faleaquarela@gmail.com

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Sons Saberes e Sabores da Lusofonia 2023


18 jun

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O IV Festival Sons, Saberes e Sabores da Lusofonia vai decorrer nos dias 23, 24 e 25 de junho e vai juntar no Parque Manuel Braga, em Coimbra, Portugal, a cultura e gastronomia dos países de língua oficial portuguesa.

Há três espaços temáticos a visitar: a Tenda dos Sabores, onde vai ser possível provar iguarias de cada comunidade; a Tenda dos Sons, onde vai haver música e dança típicas das comunidades; e a Tenda dos Saberes, no Museu da Água, onde vão ser apresentados livros e promovidas conversas com os autores. O escritor e editor Wagner Merije será um dos mediadores.

O festival é organizado pela União de Freguesias de Coimbra e pela Câmara Municipal de Coimbra.

 

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São três dias dedicados à cultura e à gastronomia dos países oficiais de língua portuguesa. O festival vai decorrer na margem direita do rio Mondego, no Parque Manuel Braga, onde vão estar instaladas várias tendas temáticas: dos Sabores, onde vai ser possível provar iguarias de cada comunidade, dos Sons, um palco aberto à dança e à música, incluindo as canções de além-mar; e dos Saberes, onde vão ser divulgados e apresentados livros e promovidas conversas com os autores.

O festival começa na sexta-feira, dia 23 de junho, às 18h00 e, nesse dia, prolonga-se até às 24h00. O destaque do dia vai para a gastronomia de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Às 18h15, vai ter lugar o primeiro momento musical na Tenda dos Sons, com Pedro & Mel, acompanhados por Felipe Barão (Brasil). Já às 18h45, no Museu da Água, vai ser inaugurada a exposição “Línguas em Português”, que reúne trabalhos de alunos do Colégio Bissaya Barreto. Vai haver lugar, ainda, para uma conversa com o escritor angolano João Melo, sobre a obra “Será Este Livro Um Romance?”, apresentada por Pires Laranjeira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A conversa vai ser moderada por Rui Amado e Wagner Merije. Às 21h30, Nelson Saron Band, de Angola, vai encher a Tenda dos Sons.

 

No sábado, dia 24 de junho, o festival começa às 12h30 e termina às 24h00. Do programa de sábado, destaque para um desfile de moda de São Tomé e Príncipe, às 15h30, e a atuação do grupo cabo-verdiano Judepina & Banda, às 16h00. Às 17h00, no Museu da Água, vai ter lugar uma conversa com os escritores Zetho Cunha Gonçalves (Angola), Ronaldo Cagiano (Brasil) e Jaime Rocha (Portugal), com moderação de Rui Amado e Wagner Merije. Às 17h30, atua a QUARENTUNA e, a partir das 18h15, na Tenda dos Sabores, vai decorrer um momento de degustação, com versos Vira-Latas, com o Colectivo BALEIA (Brasil). Seguem-se concertos musicais, com o Coro das Mulheres da Fábrica (Portugal), o Grupo de Danças Tradicionais (Moçambique) e Pantera Mirex-g “King of Swag” (Moçambique).

 

No último dia, domingo, o festival decorre das 12h30 às 19h00. O dia é preenchido com momentos de degustação, música e conversas com escritores. Neste último campo, destaque para uma conversa com os escritores Olinda Beja (São Tomé e Príncipe), Aurelino Costa e Rosa Fonseca (Portugal), com acompanhamento musical de Hector Costa e moderação de Rui Amado e Wagner Merije. O encerramento do festival vai ter música e dança, com as Batucadeiras “Ramedi Terra Vitória” (Cabo Verde) e a Tribo da Dança.

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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