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EscreVivências – A Escrita que Cura Oficina de Escrita Criativa e Autoficção


13 set

ESCREVIVÊNCIAS – A ESCRITA QUE CURA

Oficina de Escrita Criativa e Autoficção
Como transformar a sua vida e imaginação em histórias inesquecíveis

1. O CONCEITO

EscreVivências – A Escrita que Cura é uma oficina de experimentação criativa que convida os participantes a explorar a fronteira entre a memória, a imaginação e a palavra. Mais do que um curso de técnicas literárias, é uma jornada de autodescoberta.

Cada participante aprenderá a transformar as suas experiências, lembranças e ficções em narrativas que merecem ser lidas e partilhadas — e, no final, terá o seu texto publicado num livro coletivo pela Aquarela Brasileira Livros.

O nome junta “escrever” e “vivências” — porque acreditamos que a melhor escrita nasce da vida vivida, e que a vida se expande quando é contada.

2. POR QUE ESTA OFICINA É ÚNICA

DiferencialDescrição
Resultado tangívelTodos os participantes terão os seus textos publicados num livro coletivo pela Aquarela Brasileira Livros
Formato imersivo4 meses de encontros presenciais mensais, permitindo aprofundamento e continuidade
Curadoria de excelênciaFacilitada por Wagner Merije, PhD em Letras pela Universidade de Coimbra, com vasta experiência editorial e em escrita criativa
Ambiente inspiradorRealizada no Lisboa Yoga Center, na Graça — um espaço de criatividade, acolhimento e silêncio propício ao encantamento
Publicação garantidaO livro final será publicado e distribuído, dando visibilidade aos autores participantes
Comunidade criativaCriação de um grupo de apoio e partilha entre os participantes

3. ESTRUTURA DA OFICINA

Duração: 4 meses (Janeiro a Abril de 2027)
Formato: Um encontro presencial por mês (sábados) — 10:00 às 13:30
Datas: 23 de janeiro, 20 de fevereiro, 13 de março, 10 de abril
Carga horária total: 20 horas (presenciais + exercícios entre sessões com orientação individual)
Local: Lisboa Yoga Center – Graça, Lisboa

Temas dos encontros mensais:

MêsTemaAtividades
JaneiroAbrir a Gaveta: Memória, Ficção e AutoficçãoExercícios de escrita autobiográfica, distinção entre memória e imaginação, primeiros textos
FevereiroA Arte da Narrativa: Estrutura, Voz e PersonagemCriação de personagens, construção de enredo, desenvolvimento de voz narrativa
MarçoA Palavra como Matéria: Estilo, Ritmo e RevisãoTécnicas de revisão, edição, polimento textual, leitura em voz alta
AbrilDo Manuscrito ao Livro: Preparação para PublicaçãoFinalização dos textos, preparação para o livro, celebração final

Entre os encontros: os participantes receberão exercícios semanais e feedbacks individuais por email.

4. O QUE OS PARTICIPANTES GANHAM

  1. Participação na oficina + dicas online + webinar
  2. Livro publicado — com o seu texto e nome na obra coletiva
  3. Certificado de participação — com carga horária e conteúdos
  4. Portfólio de escrita — textos prontos para futuras candidaturas editoriais
  5. Rede de contactos — ligação a outros escritores e criadores
  6. Ferramentas práticas — técnicas de escrita criativa, revisão e edição
  7. Experiência transformadora — o processo de escrever a sua história, com orientação e apoio

5. O LIVRO

Todos os participantes terão os seus textos publicados numa antologia coletiva intitulada:

“Lisboa Em Palavras” ou “EscreVivências — Antologia da Oficina de Escrita Criativa 2027”

O livro será publicado pela Aquarela Brasileira Livros, com:

  • Projeto gráfico profissional
  • Capa com design exclusivo
  • Depósito Legal e ISBN próprio
  • Lançamento público em Lisboa (data a definir com os participantes)

6. PÚBLICO PARTICIPANTE

  • Aspirantes a escritores que desejam desenvolver a sua voz
  • Pessoas com histórias para contar (memórias, ficção, crónicas)
  • Professores e educadores que querem usar a escrita criativa como ferramenta pedagógica
  • Estudantes de Letras, Comunicação, Psicologia e áreas afins
  • Profissionais criativos que querem explorar a escrita como ferramenta de expressão
  • Leitores apaixonados que sempre sonharam em escrever
  • Quem está em transição de vida e procura um projeto pessoal significativo

Pré-requisitos: Nenhum. A única exigência é a vontade de escrever e partilhar.

7. CONTRIBUIÇÃO

CategoriaValor (€)
Inscrição antecipada (até 30 de novembro)190 €
Inscrição regular215
Professor / Estudante / Sénior (+65)170 €
Pagamento em 3x (sem juros)3 x 75
Traga um amigo5% de desconto para ambos

A contribuição inclui todos os materiais, orientação conjunta e individual, certificado e participação no livro.

8. O FACILITADOR — WAGNER MERIJE

Doutor (PhD) em Letras pela Universidade de Coimbra, é escritor, jornalista, editor, produtor cultural e autor de textos para rádio, teatro, televisão e cinema. Publicou mais de 20 livros, entre os quais Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (finalista do Prêmio Jabuti 2013), Viagem a Minas GeraisCidade em TranseAstros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres e Um Furacão em Lisboa, Um Furacão em Lisboa. As suas obras circularam por diferentes países e receberam diversos prémios.

Em 2014, fundou a Aquarela Brasileira, um projeto que nasceu com uma missão clara: ajudar pessoas a transformar sonhos em realidade — e a eternizar as suas histórias em livros que ficam. Editou e organizou coletâneas como Saudade em Palavras (2026), Coimbra em Palavras (2018) e São Paulo em Imagens (2017), e dedicou-se à edição de obras de autores como Fernando Pessoa, Camões, Eça de Queirós, Florbela Espanca e Antero de Quental.

Acredita que toda a pessoa tem uma história para contar — e que a escrita, mais do que uma técnica, é um ato de coragem e liberdade. Essa convicção atravessa a sua vida e o seu trabalho, e é o que o move a criar espaços onde outras vozes possam encontrar forma e eco.

Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, e desde cedo entendeu que as palavras são pontes. Entre o Brasil e o mundo, viveu em São Paulo, Londres, Rio de Janeiro e Coimbra — cidades que, de maneiras diferentes, lhe ensinaram a escutar e a contar histórias.

9. INSCRIÇÕES

www.lisboayogacenter.com/event/escrevivencias

10. MAIS INFORMAÇÕES

E-mail: faleaquarela@gmail.com

Aquarela Brasileira website: www.aquarelabrasileira.com.br/ab-books 

Site facilitador: www.merije.com.br/livro

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O que é escrever literatura?


24 maio

Wagner Merije marcou presença na Oficina de Escrita e Leitura “O que é escrever literatura?”, dinamizada pelo professor, poeta, ensaísta e crítico literário português António Carlos Cortez, na Casa da Escrita, em Coimbra, Portuga.l.

A iniciativa, promovida no âmbito das Oficinas e Mediação, reuniu participantes em torno de uma reflexão profunda sobre o fazer literário, os seus limites e as suas possibilidades — um encontro entre a teoria e a prática da palavra escrita.

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Vem aí um projeto transformador: A Cultura como Estratégia – A Nova Geopolítica do Soft Power


27 abr

O mundo está mudando — e a cultura deixou de ser apenas expressão para se tornar estratégia. É nesse contexto que nasce “A Cultura como Estratégia: A Nova Geopolítica do Soft Power”, um projeto de Wagner Merije que convida os leitores e leitores a enxergarem o cenário global sob uma nova perspectiva.

Essa é uma jornada de análise e reflexão sobre como ideias, narrativas e símbolos moldam o poder no século XXI. Aqui, cultura não é pano de fundo — é protagonista.

Ao longo do projeto, você vai encontrar:

  • Análises profundas sobre cultura, influência e poder
  • Conexões entre passado, presente e futuro, revelando padrões e rupturas
  • Tendências e estratégias para compreender o mundo contemporâneo
  • Uma visão global, sem perder identidade e propósito

Vivemos em uma era em que influência vale mais do que imposição. O chamado soft power redefine fronteiras, reposiciona nações e impacta decisões em escala global — muitas vezes de forma silenciosa, mas extremamente eficaz.

Este projeto é um convite para entender esse jogo.

Acompanhe conteúdos inéditos toda semana
Acesse: Merije

Conhecimento. Visão. Influência.
O futuro é cultural.

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Cultura, arte e bem-estar: Aquarela Brasileira promove agenda em Portugal com curadoria da Merije


26 abr

A Aquarela Brasileira realiza, entre maio e junho de 2026, uma programação cultural em Portugal que integra diferentes linguagens artísticas e propõe experiências de conexão entre Brasil e Portugal. Com atividades concentradas em Coimbra e na região da Serra do Açor, a agenda reúne música, literatura, encontros performativos e uma imersão voltada ao bem-estar.

Abrindo a programação, no dia 3 de maio, acontece “Entre a Matéria e a Voz”, com Ulysses & Orpheu, duo formado por Hélder Grau Santos e Wagner Merije, e a participação de Pedro Góis. A proposta transita entre música e palavra, explorando a relação entre som, presença e expressão artística em um formato intimista.

Ainda no mês de maio, entre os dias 28 e 31, acontece o Retiro Bem-Estar na Aldeia, na Serra do Açor. A experiência convida à desaceleração e ao reconectar-se com a natureza por meio de práticas integrativas, convivência e silêncio. A programação cultural do retiro é assinada pela Merije, que propõe uma curadoria sensível voltada à escuta, à presença e ao encontro.
Mais informações e inscrições: Retiro Bem-Estar na Aldeia

Em junho, a agenda segue com o VII Festival Sons, Saberes e Sabores da Lusofonia, de 12 a 14, no Terreiro da Erva, em Coimbra. O evento celebra a diversidade cultural dos países de língua portuguesa por meio da música, da gastronomia e de diferentes expressões artísticas. Wagner Merije apresenta seus livros.

Encerrando a programação, a Aquarela Brasileira participa da 47ª Feira do Livro de Coimbra, entre os dias 19 e 28 de junho, reforçando o diálogo com a literatura e promovendo encontros entre autores, leitores e iniciativas culturais. Wagner Merije recebe autores para conversas saborosas e apresentações de livros.

As iniciativas evidenciam o papel da cultura como ferramenta de integração e criação de vínculos, ao mesmo tempo em que amplia o olhar para experiências que atravessam arte e bem-estar.

Mais do que uma agenda de eventos, a iniciativa reforça o papel da cultura como ponte entre territórios, promovendo integração, pertencimento e troca de experiências entre Brasil e Portugal.

Mais informações em www.aquarelabrasileira.com.br

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Vento leve, vento cru_Gentle wind, cruel wind


28 fev

Leva-me, vento leve, mas não me leves inteiro.
Deixa ficar aqui os pés que ainda querem chão,
as mãos que ainda tateiam o escuro em busca de outra mão,
o coração que insiste em ser órgão, não metáfora.

Cabeça e tronco separados — essa é a invenção moderna:
a cabeça voando em direção aos lucros,
o tronco arrastado pelas dívidas,
e entre eles, um vão onde a alma deveria estar
mas está alugada, hipotecada, vendida em prestações
a juros compostos e consciência pesada.

Mente e alma, essa antiga dualidade barata —
como se a mente fosse o escritório e a alma o depósito,
como se uma pudesse funcionar sem a outra,
como se a contabilidade da vida coubesse em partidas dobradas.

Não é propriamente meu esse desequilíbrio.
Não fui eu quem separou o pensar do sentir,
quem fez do afeto um produto,
da alegria uma meta a ser atingida com metas,
da tristeza uma doença a ser medicada em três doses diárias.

Inventivamente inventaram isso em mim.
Com que fineza de navalha, com que precisão cirúrgica
me inseriram a culpa como um chip,
me programaram o desejo como um algoritmo,
me venderam a felicidade como um pacote de milhagem
que expira antes da viagem.

Oh, sábios detratores, doutores do rebaixamento,
vós que trabalhais para companhias excusas
— aquelas sem rosto, sem sede, sem vergonha —,
vós que fazeis do rebaixamento um ofício
e da mediocridade alheia vosso salário.

Conheço-vos bem.
Sois os mesmos que crucificaram o profeta e venderam a cruz como relíquia.
Os mesmos que silenciaram o poeta e depois lhe compraram os versos por metro.
Os mesmos que fizeram do sol uma lâmpada a ser paga no fim do mês.

Trabalhais, sim, trabalhais:
no turno da manhã, espalhais a notícia de que o bem é ingenuidade;
no turno da tarde, ensinais que o amor é negócio mal administrado;
no turno da noite, escreveis os relatórios que justificam
deixar os bons por baixo, sempre por baixo,
como carpete, como alicerce, como terra onde os palácios se erguem.

E vende-se, vende-se, vende-se:
vende-se logo um medicamento para a tristeza de existir,
vende-se a alma em kit de autoconhecimento,
vende-se flores no dia em que o amor é obrigatório,
vende-se caixões em parcelas que cabem no bolso,
vende-se documentos que provam que você é você
— por apenas trinta reais, promovemos seu esquecimento.

Tudo se vende, tudo tem preço:
o choro da criança que quer colo vira transtorno de apego,
a revolta do jovem que não aceita o mundo vira crise de identidade,
a exaustão do trabalhador vira síndrome,
a solidão do velho vira doença neurodegenerativa.

Há sempre um comprimido, sempre um laudo, sempre um diagnóstico.
Há sempre uma empresa, sempre um lobby, sempre uma campanha.
Há sempre uma maneira de transformar a dor em lucro,
a vida em consumo,
a morte em oportunidade de negócio.

Mas eu, vento leve, eu te peço:
leva-me não para longe, mas para dentro.
Para o centro exato onde ainda não chegaram os vendedores.
Para o santuário íntimo que ainda não foi zoneado,
patenteado, leiloado, rateado entre acionistas.

Leva-me para aquele lugar onde a cabeça e o tronco ainda conversam,
onde a mente e a alma ainda se reconhecem como irmãs siamesas
— separá-las seria a morte de ambas.

E de lá, deste ponto cego do mercado,
desta bolha de ar no grande oceano das mercadorias,
deixa-me ver o mundo como ele é:
não como me vendem, não como me convencem,
mas como ele geme nas suas fundações
esperando que alguém, um dia,
recuse o medicamento e aceite a cura,
recuse a alma empacotada e aceite o vazio criador,
recuse as flores murchas do calendário
e plante no chão úmido da própria carne
a semente do que ainda pode ser.

Porque os bons estão por baixo, sim.
Mas é por baixo que as raízes crescem.
É por baixo que a terra fermenta.
É por baixo que o mundo, quando rui,
encontra o chão firme para recomeçar.

Vento leve, vento justo,
leva-me, sim.
Mas leva-me para o fundo.
Para o subsolo da existência.
Para onde os vendedores não descem
porque não há lucro, não há escala, não há retorno.

E de lá, deste aquário escuro e fértil,
deixa-me subir — não como produto,
não como alma à venda,
não como consumidor satisfeito —,
mas como testemunha.
Como aquele que viu o sistema por dentro
e preferiu o desequilíbrio sagrado
à equilíbrio morto dos que se vendem inteiros.

Leva-me, vento.
Mas deixa que eu volte.
Com os pés no chão,
com a cabeça nos ombros,
com a alma onde sempre esteve
— escondida, sim,
mas não à venda.

Um poema de Wagner Merije

Take me, gentle wind, but do not take me whole.
Leave here the feet that still want ground,
the hands that still grope the dark in search of another hand,
the heart that insists on being organ, not metaphor.

Head and trunk separated — that is the modern invention:
the head flying toward profits,
the trunk dragged by debts,
and between them, a void where the soul should be
but is rented, mortgaged, sold in installments
with compound interest and heavy conscience.

Mind and soul, that ancient cheap duality —
as if the mind were the office and the soul the warehouse,
as if one could function without the other,
as if life’s accounting fit into double-entry books.

This imbalance is not properly mine.
It was not I who separated thinking from feeling,
who made affection a product,
joy a goal to be achieved with goals,
sadness a disease to be medicated in three daily doses.

Inventively they invented this in me.
With what finesse of razor, with what surgical precision
they implanted guilt in me like a chip,
programmed desire in me like an algorithm,
sold me happiness like a mileage package
that expires before the journey.

Oh, wise detractors, doctors of debasement,
you who work for shady companies
— those without face, without headquarters, without shame —,
you who make debasement a profession
and others’ mediocrity your salary.

I know you well.
You are the same who crucified the prophet and sold the cross as a relic.
The same who silenced the poet and later bought his verses by the meter.
The same who made the sun a lightbulb to be paid at month’s end.

You work, yes, you work:
on the morning shift, you spread the news that good is naivety;
on the afternoon shift, you teach that love is poorly managed business;
on the night shift, you write the reports that justify
keeping the good ones down, always down,
like carpet, like foundation, like earth where palaces rise.

And they sell, they sell, they sell:
they quickly sell a medication for the sadness of existing,
they sell the soul in a self-knowledge kit,
they sell flowers on the day love is mandatory,
they sell coffins in installments that fit in the pocket,
they sell documents proving you are you
— for just thirty reais, we promote your forgetting.

Everything is sold, everything has a price:
the cry of the child who wants to be held becomes attachment disorder,
the revolt of the young who won’t accept the world becomes identity crisis,
the worker’s exhaustion becomes syndrome,
the old person’s loneliness becomes neurodegenerative disease.

There is always a pill, always a report, always a diagnosis.
There is always a company, always a lobby, always a campaign.
There is always a way to turn pain into profit,
life into consumption,
death into business opportunity.

But I, gentle wind, I ask you:
take me not far away, but inward.
To the exact center where the sellers have not yet arrived.
To the intimate sanctuary not yet zoned,
patented, auctioned, divided among shareholders.

Take me to that place where head and trunk still converse,
where mind and soul still recognize each other as Siamese twins
— to separate them would be the death of both.

And from there, from this blind spot of the market,
from this air bubble in the great ocean of commodities,
let me see the world as it is:
not as they sell it to me, not as they convince me,
but as it groans in its foundations
waiting for someone, someday,
to refuse the medication and accept the cure,
to refuse the packaged soul and accept the creative void,
to refuse the wilted flowers of the calendar
and plant in the moist soil of one’s own flesh
the seed of what may still be.

For the good ones are down below, yes.
But it is down below that roots grow.
It is down below that earth ferments.
It is down below that the world, when it crumbles,
finds firm ground to begin again.

Gentle wind, just wind,
take me, yes.
But take me to the depths.
To the basement of existence.
To where the sellers do not descend
because there is no profit, no scale, no return.

And from there, from this dark and fertile aquarium,
let me rise — not as product,
not as soul for sale,
not as satisfied consumer —,
but as witness.
As one who saw the system from within
and preferred the sacred imbalance
to the dead balance of those who sell themselves whole.

Take me, wind.
But let me return.
With feet on the ground,
with head upon shoulders,
with soul where it has always been
— hidden, yes,
but not for sale.

A poem by Wagner Merije

DESCRIÇÃO DA IMAGEM:

Uma figura humana fragmentada flutua em um céu tempestuoso de tons cinza e prata. O corpo está dividido em três partes principais que não se tocam: a cabeça, transformada em um balão aerostático inflado por notas de dinheiro que escapam como ar quente; o tronco, que pende pesadamente como um sino de igreja rachado, com um badalo em forma de comprimido batendo silenciosamente contra suas paredes internas; e as pernas, que permanecem fincadas em um chão árido onde flores murchas crescem de cabeça para baixo, suas raízes expostas ao céu.

Ao redor da cabeça-balão, pequenas figuras sem rosto — os detratores — flutuam em nuvens escuras, segurando contratos e prescrições médicas que se desenrolam como serpentinas fúnebres. Eles sorriem com dentes que são cápsulas de remédio.

Do tronco-sino, um som silencioso escapa em ondas concêntricas, cada onda carregando palavras: “alma”, “flores”, “caixões”, “documentos” — que se dissolvem no ar antes de alcançar o chão.

No horizonte, uma linha tênue de luz separa o céu tempestuoso de uma planície infinita onde milhares de figuras minúsculas, de cabeças baixas, caminham em direção a um ponto de venda que brilha como uma cidade de papel.

O estilo é de uma gravura expressionista alemã — contrastes dramáticos, linhas angulares, texturas granuladas — com a precisão surrealista de um sonho de Kafka dirigido por Bergman.

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O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm


28 jan

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.

A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.

E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.

Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.

Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.

A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?

Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.

Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.

O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.

Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.

A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.

Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM

This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.

The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.

And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.

They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.

They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.

The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?

Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.

I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.

The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.

So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.

The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.

A poem in process by Wagner Merije

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Ulysses & Orpheu na celebração Unt1tled #Format — uma viagem artística entre gesto, matéria e manifesto


04 dez

Coimbra prepara-se para uma das celebrações estéticas mais inesperadas, mais exuberantes e mais deliciosamente barrocas do calendário artístico de 2025. A Galeria ESTALEIRO, o Movimento Analogic Pixel e o artista Pedro Góis abrem as portas — e todos os sentidos — para a inauguração da exposição Unt1tled #Format, um território onde o gesto manual desafia a velocidade do digital e onde cada traço recupera a respiração da matéria.

Entre o mistério do programa, as coordenadas semi-cósmicas do evento e a promessa de uma experiência que pode “descambar” numa festa épica, há uma certeza luminosa: a presença do duo Ulysses & Orpheu, formado por Hélder Grau Santos e Wagner Merije.

Convidados para atuar num dos momentos centrais da programação, Ulysses & Orpheu levam a palco uma combinação intensa de poesia, manifesto e música, entrelaçando palavra e sonoridade num registo experimental que dialoga com o universo visual de Pedro Góis. A sua performance adiciona emoção, ritmo e reflexão a um encontro pensado para celebrar o poder do gesto, da arte e da criação coletiva.

O público pode esperar vibração, risco, surpresa e aquele toque de celebração poética que o duo vem afinando ao longo dos anos em apresentações multidisciplinares pelo Brasil e por Portugal.

Data: Sábado, 06 de dezembro de 2025

Coimbra, Portugal

Horário:
16:31 — Inauguração / Vernissage
21:21 — Encerramento
21:31 — Jantar-Comemoração
Local: Coimbra, Portugal

Um evento para quem procura arte com pulsação própria e um encontro raro entre criadores que fazem do inesperado uma forma de beleza.

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Trovar a Liberdade — Um encontro criativo com o legado de Zeca Afonso


20 nov

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso propõe um mergulho sensível e vigoroso no universo de uma figura maior da música e da resistência em Portugal. O espetáculo recupera a força poética, a inquietação ética e a pulsação humana da sua obra, revelando a atualidade das suas palavras e melodias num tempo que continua a convocar a liberdade e o pensamento crítico.

Recorrendo a uma combinação de declamação, interpretação vocal e ambiente sonoro imersivo, Trovar a Liberdade com Zeca Afonso convida o público a escutar Zeca com novos ouvidos e a reencontrar, nos seus versos, a esperança e a coragem que atravessam gerações.

A direção artística e a composição da trilha sonora são assinadas por Wagner Merije, que constrói uma atmosfera contemporânea, íntima e emocionalmente envolvente, sustentando cada momento com sensibilidade e respeito pelo espírito original da obra de Zeca Afonso.

A interpretação de Fernando Franco, intensa e profundamente expressiva, dá corpo e voz aos poemas e canções, criando um espaço vivo de memória e reinvenção.

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso é um tributo luminoso a um criador essencial, mas é também um convite à reflexão, ao encontro e ao gesto de manter viva a chama da liberdade — nas artes, na sociedade e na vida.

O espetáculo faz parte da programação do prestigiado Ciclo Orphika 2025 da Universidade de Coimbra.

Local: Liquidâmbar – Praça da República – Coimbra, Portugal
Data e horário: 25 de novembro de 2025 — 21h30
Entrada livre

Realização: Motivos Alternativos & Aquarela Brasileira

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Zeca Afonso entre Coimbra e Setúbal: um reencontro poético e musical


24 out

Entre as cidades de Coimbra e Setúbal, em Portugal, dois lugares que marcaram profundamente a vida e a arte de José Afonso, nasce um espetáculo que celebra o homem, o poeta e o símbolo da liberdade.

“Zeca Afonso entre Coimbra e Setúbal” é um projeto performativo que presta homenagem a uma das figuras mais inspiradoras da cultura portuguesa do século XX. Através de uma abordagem contemporânea e sensível, o espetáculo convida o público a revisitar o universo de Zeca, unindo música, palavra e emoção num diálogo vivo entre passado e presente.

Com declamação e interpretação vocal de Fernando Franco e composições musicais e arranjos de Wagner Merije, o espetáculo propõe uma leitura renovada da obra de Zeca Afonso, incluindo poemas pouco conhecidos e nunca musicados e até textos inéditos criados especialmente para esta homenagem.
Entre sons, versos e imagens, o público é conduzido por uma viagem afetiva que liga o fado de Coimbra — raiz da sua criação — à canção de intervenção e à liberdade cantada em Setúbal.

Zeca nasceu em Aveiro (1929), estudou e viveu longos anos em Coimbra, cidade onde ensaiava no Grémio Operário, poucos metros da sua casa na Rua da Ilha, junto à Sé Velha. Em Setúbal, onde viveu a partir de 1967, fundou o Círculo Cultural de Setúbal, importante centro de resistência e criação artística. Faleceu na mesma cidade, em 1987, e hoje é lembrado na Casa da Cultura de Setúbal, cujo auditório leva o seu nome — Sala José Afonso.

“O fado de Coimbra é a raiz de toda a música do Zeca”, afirmou Teresa Alegre Portugal — e é precisamente essa raiz que o espetáculo recupera, para transformar em flor e futuro.

Datas e locais
Sábado, 1 de novembro de 2025Casa da Cultura de Setúbal
Domingo, 2 de novembro de 2025Grémio Operário de Coimbra

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Wagner Merije apresenta novos livros na Festa da Praça da República 2025, em Coimbra


18 set

A Festa da Praça da República 2025 é um evento que celebra a vida cultural de Coimbra, unindo artistas, coletivos e instituições numa programação diversa e participativa.

Na ocasião, Wagner Merije participa da Tertúlia Aquarela Brasileira Sessions, no Teatro Académico de Gil Vicente, às 15h30, com foco no lançamento e na apresentação de dois livros recentes:

Com estes títulos, Merije reafirma a sua capacidade de cruzar literatura, música, memória e crítica cultural, criando obras que dialogam com temas urgentes do nosso tempo e que aproximam Portugal, Brasil e a comunidade lusófona.

Data: 4 de outubro de 2025
Horário: 15h30
Local: Teatro Académico de Gil Vicente – Coimbra
Entrada Livre

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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