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Vento leve, vento cru_Gentle wind, cruel wind


28 fev

Leva-me, vento leve, mas não me leves inteiro.
Deixa ficar aqui os pés que ainda querem chão,
as mãos que ainda tateiam o escuro em busca de outra mão,
o coração que insiste em ser órgão, não metáfora.

Cabeça e tronco separados — essa é a invenção moderna:
a cabeça voando em direção aos lucros,
o tronco arrastado pelas dívidas,
e entre eles, um vão onde a alma deveria estar
mas está alugada, hipotecada, vendida em prestações
a juros compostos e consciência pesada.

Mente e alma, essa antiga dualidade barata —
como se a mente fosse o escritório e a alma o depósito,
como se uma pudesse funcionar sem a outra,
como se a contabilidade da vida coubesse em partidas dobradas.

Não é propriamente meu esse desequilíbrio.
Não fui eu quem separou o pensar do sentir,
quem fez do afeto um produto,
da alegria uma meta a ser atingida com metas,
da tristeza uma doença a ser medicada em três doses diárias.

Inventivamente inventaram isso em mim.
Com que fineza de navalha, com que precisão cirúrgica
me inseriram a culpa como um chip,
me programaram o desejo como um algoritmo,
me venderam a felicidade como um pacote de milhagem
que expira antes da viagem.

Oh, sábios detratores, doutores do rebaixamento,
vós que trabalhais para companhias excusas
— aquelas sem rosto, sem sede, sem vergonha —,
vós que fazeis do rebaixamento um ofício
e da mediocridade alheia vosso salário.

Conheço-vos bem.
Sois os mesmos que crucificaram o profeta e venderam a cruz como relíquia.
Os mesmos que silenciaram o poeta e depois lhe compraram os versos por metro.
Os mesmos que fizeram do sol uma lâmpada a ser paga no fim do mês.

Trabalhais, sim, trabalhais:
no turno da manhã, espalhais a notícia de que o bem é ingenuidade;
no turno da tarde, ensinais que o amor é negócio mal administrado;
no turno da noite, escreveis os relatórios que justificam
deixar os bons por baixo, sempre por baixo,
como carpete, como alicerce, como terra onde os palácios se erguem.

E vende-se, vende-se, vende-se:
vende-se logo um medicamento para a tristeza de existir,
vende-se a alma em kit de autoconhecimento,
vende-se flores no dia em que o amor é obrigatório,
vende-se caixões em parcelas que cabem no bolso,
vende-se documentos que provam que você é você
— por apenas trinta reais, promovemos seu esquecimento.

Tudo se vende, tudo tem preço:
o choro da criança que quer colo vira transtorno de apego,
a revolta do jovem que não aceita o mundo vira crise de identidade,
a exaustão do trabalhador vira síndrome,
a solidão do velho vira doença neurodegenerativa.

Há sempre um comprimido, sempre um laudo, sempre um diagnóstico.
Há sempre uma empresa, sempre um lobby, sempre uma campanha.
Há sempre uma maneira de transformar a dor em lucro,
a vida em consumo,
a morte em oportunidade de negócio.

Mas eu, vento leve, eu te peço:
leva-me não para longe, mas para dentro.
Para o centro exato onde ainda não chegaram os vendedores.
Para o santuário íntimo que ainda não foi zoneado,
patenteado, leiloado, rateado entre acionistas.

Leva-me para aquele lugar onde a cabeça e o tronco ainda conversam,
onde a mente e a alma ainda se reconhecem como irmãs siamesas
— separá-las seria a morte de ambas.

E de lá, deste ponto cego do mercado,
desta bolha de ar no grande oceano das mercadorias,
deixa-me ver o mundo como ele é:
não como me vendem, não como me convencem,
mas como ele geme nas suas fundações
esperando que alguém, um dia,
recuse o medicamento e aceite a cura,
recuse a alma empacotada e aceite o vazio criador,
recuse as flores murchas do calendário
e plante no chão úmido da própria carne
a semente do que ainda pode ser.

Porque os bons estão por baixo, sim.
Mas é por baixo que as raízes crescem.
É por baixo que a terra fermenta.
É por baixo que o mundo, quando rui,
encontra o chão firme para recomeçar.

Vento leve, vento justo,
leva-me, sim.
Mas leva-me para o fundo.
Para o subsolo da existência.
Para onde os vendedores não descem
porque não há lucro, não há escala, não há retorno.

E de lá, deste aquário escuro e fértil,
deixa-me subir — não como produto,
não como alma à venda,
não como consumidor satisfeito —,
mas como testemunha.
Como aquele que viu o sistema por dentro
e preferiu o desequilíbrio sagrado
à equilíbrio morto dos que se vendem inteiros.

Leva-me, vento.
Mas deixa que eu volte.
Com os pés no chão,
com a cabeça nos ombros,
com a alma onde sempre esteve
— escondida, sim,
mas não à venda.

Um poema de Wagner Merije

Take me, gentle wind, but do not take me whole.
Leave here the feet that still want ground,
the hands that still grope the dark in search of another hand,
the heart that insists on being organ, not metaphor.

Head and trunk separated — that is the modern invention:
the head flying toward profits,
the trunk dragged by debts,
and between them, a void where the soul should be
but is rented, mortgaged, sold in installments
with compound interest and heavy conscience.

Mind and soul, that ancient cheap duality —
as if the mind were the office and the soul the warehouse,
as if one could function without the other,
as if life’s accounting fit into double-entry books.

This imbalance is not properly mine.
It was not I who separated thinking from feeling,
who made affection a product,
joy a goal to be achieved with goals,
sadness a disease to be medicated in three daily doses.

Inventively they invented this in me.
With what finesse of razor, with what surgical precision
they implanted guilt in me like a chip,
programmed desire in me like an algorithm,
sold me happiness like a mileage package
that expires before the journey.

Oh, wise detractors, doctors of debasement,
you who work for shady companies
— those without face, without headquarters, without shame —,
you who make debasement a profession
and others’ mediocrity your salary.

I know you well.
You are the same who crucified the prophet and sold the cross as a relic.
The same who silenced the poet and later bought his verses by the meter.
The same who made the sun a lightbulb to be paid at month’s end.

You work, yes, you work:
on the morning shift, you spread the news that good is naivety;
on the afternoon shift, you teach that love is poorly managed business;
on the night shift, you write the reports that justify
keeping the good ones down, always down,
like carpet, like foundation, like earth where palaces rise.

And they sell, they sell, they sell:
they quickly sell a medication for the sadness of existing,
they sell the soul in a self-knowledge kit,
they sell flowers on the day love is mandatory,
they sell coffins in installments that fit in the pocket,
they sell documents proving you are you
— for just thirty reais, we promote your forgetting.

Everything is sold, everything has a price:
the cry of the child who wants to be held becomes attachment disorder,
the revolt of the young who won’t accept the world becomes identity crisis,
the worker’s exhaustion becomes syndrome,
the old person’s loneliness becomes neurodegenerative disease.

There is always a pill, always a report, always a diagnosis.
There is always a company, always a lobby, always a campaign.
There is always a way to turn pain into profit,
life into consumption,
death into business opportunity.

But I, gentle wind, I ask you:
take me not far away, but inward.
To the exact center where the sellers have not yet arrived.
To the intimate sanctuary not yet zoned,
patented, auctioned, divided among shareholders.

Take me to that place where head and trunk still converse,
where mind and soul still recognize each other as Siamese twins
— to separate them would be the death of both.

And from there, from this blind spot of the market,
from this air bubble in the great ocean of commodities,
let me see the world as it is:
not as they sell it to me, not as they convince me,
but as it groans in its foundations
waiting for someone, someday,
to refuse the medication and accept the cure,
to refuse the packaged soul and accept the creative void,
to refuse the wilted flowers of the calendar
and plant in the moist soil of one’s own flesh
the seed of what may still be.

For the good ones are down below, yes.
But it is down below that roots grow.
It is down below that earth ferments.
It is down below that the world, when it crumbles,
finds firm ground to begin again.

Gentle wind, just wind,
take me, yes.
But take me to the depths.
To the basement of existence.
To where the sellers do not descend
because there is no profit, no scale, no return.

And from there, from this dark and fertile aquarium,
let me rise — not as product,
not as soul for sale,
not as satisfied consumer —,
but as witness.
As one who saw the system from within
and preferred the sacred imbalance
to the dead balance of those who sell themselves whole.

Take me, wind.
But let me return.
With feet on the ground,
with head upon shoulders,
with soul where it has always been
— hidden, yes,
but not for sale.

A poem by Wagner Merije

DESCRIÇÃO DA IMAGEM:

Uma figura humana fragmentada flutua em um céu tempestuoso de tons cinza e prata. O corpo está dividido em três partes principais que não se tocam: a cabeça, transformada em um balão aerostático inflado por notas de dinheiro que escapam como ar quente; o tronco, que pende pesadamente como um sino de igreja rachado, com um badalo em forma de comprimido batendo silenciosamente contra suas paredes internas; e as pernas, que permanecem fincadas em um chão árido onde flores murchas crescem de cabeça para baixo, suas raízes expostas ao céu.

Ao redor da cabeça-balão, pequenas figuras sem rosto — os detratores — flutuam em nuvens escuras, segurando contratos e prescrições médicas que se desenrolam como serpentinas fúnebres. Eles sorriem com dentes que são cápsulas de remédio.

Do tronco-sino, um som silencioso escapa em ondas concêntricas, cada onda carregando palavras: “alma”, “flores”, “caixões”, “documentos” — que se dissolvem no ar antes de alcançar o chão.

No horizonte, uma linha tênue de luz separa o céu tempestuoso de uma planície infinita onde milhares de figuras minúsculas, de cabeças baixas, caminham em direção a um ponto de venda que brilha como uma cidade de papel.

O estilo é de uma gravura expressionista alemã — contrastes dramáticos, linhas angulares, texturas granuladas — com a precisão surrealista de um sonho de Kafka dirigido por Bergman.

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O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm


28 jan

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.

A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.

E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.

Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.

Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.

A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?

Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.

Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.

O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.

Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.

A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.

Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM

This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.

The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.

And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.

They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.

They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.

The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?

Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.

I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.

The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.

So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.

The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.

A poem in process by Wagner Merije

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Tropical Party 2024


23 maio

Mais informações: faleaquarela@gmail.com

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Nereida Encontros Internacionais de Música e Poesia


16 maio

Wagner Merije participa do Nereida – Encontros Internacionais de Música e Poesia, com duas atuações: uma conversa sobre poesia e edição durante a Aquarela Sessions, e apresentação da dupla Ulysses & Orpheu, ao lado do poeta portugués, Hélder Grau Santos.

Vai ter música e poesia e a entrada é livre, em meio ao belo Jardim da Sereia, em Coimbra, Portugal.

Mais informações: faleaquarela@gmail.com

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Salomé+O Vencedor do Tempo_Fernando Pessoa


13 nov

Salomé+O Vencedor do Tempo_Fernando Pessoa_capa promo

 

 

Foto de Wagner Merije para o livro de Fernando Pessoa

Saiba mais em

www.aquarelabrasileira.com.br/salome-o-vencedor-do-tempo-fernando-pessoa

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Ulysses & Orpheu – 5 anos de Poesia e de Experiências Artísticas


31 out

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O duo Ulysses & Orpheu atua em palcos intimistas desde 2018. Após 5 anos de estrada, entre Brasil e Portugal, este projeto apresenta agora um espetáculo comemorativo através duma atuação multidisciplinar (música, poesia, imagem, teatro).

Na Mitologia Grega, Orfeu é o símbolo por excelência das artes poéticas e musicais. Além de poeta, Orfeu era músico e cantor. Seu pai lhe presenteou com uma lira, o que o transformou num dedicado músico. Assim, quando a tocava, qualquer pessoa ficava encantada e tranquila com sua melodia. Além de seres humanos, os animais e a natureza no geral (árvores, rios, lagos, etc.) ficavam fascinados ao som de suas notas. A viagem que Orfeu, filho de Apolo e da musa Calíope, faz ao Além, em busca da amada Eurídice, representa a própria dimensão iniciática da Música, uma potência divina destilada por humanos corações.

Foi Homero, poeta grego, quem contou no seu livro Odisseia as façanhas de Ulisses, rei de Ítaca, adorado por todos os que o conheciam. Muitas e estranhas foram as viagens que fez à volta do mundo de então e de si próprio. A sua fama correu de boca em boca e todos o consideravam como o mais manhoso dos mortais e o mais valente marinheiro. Grande parte da sua vida, passou Ulisses navegando de aventura em aventura, por entre Ciclopes e Sereias encantatórias ou tentando libertar-se da misteriosa Feiticeira Circe para regressar à sua fiel Penélope. Diz-se que, nesses tempos de antigamente, não houve homem que mais sofresse e mais feliz fosse do que o espantoso Ulisses.

 

Info – faleaquarela@gmail.com

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Wagner Merije na 6ª edição do Festival Literário Internacional do Interior – FLII


10 jun

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O escritor, editor, jornalista e criador multimedia, Wagner Merije, participa da 6ª edição do Festival Literário Internacional do Interior – FLII Palavras de Fogo, que ocorre em Portugal, em homenagem às vítimas dos incêndios florestais que ocorreram no país europeu.

O Festival Literário tem como lema “A arte e a cultura como reanimadores de uma região e de um povo”.

PROGRAMA

16 de Junho

15h00 – Estabelecimento Prisional de Coimbra

“Eu nem sequer gosto de escrever, Acontece-me às vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida.” – Eugénio de Andrade

Painel – Nora Nadjarian, Ricardo Fonseca Mota e Wagner Merije

Moderadora – Paula Breia

Momento de leitura pelos reclusos

18h00 – Lagoa Velha Almoster

No renascer das cinzas há palavras com o autor Wagner Merije

Este festival tem como patrono Sua Exª o Senhor Presidente da República de Portugal, e como parceiros associados a Delegação Regional da Cultura do Centro, a Universidade de Coimbra, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e o Plano Nacional de Leitura (PNL).

Trata-se de um evento intermunicipal, daí o seu caráter inovador, que decorrerá em dez concelhos da região afetados pelos fogos, com o objetivo de levar os livros e os escritores aos sítios mais inusitados e imprevisíveis, como fábricas, campos, praias, igrejas, mercados, romarias, locais onde as pessoas trabalham e convivem. Os livros vão ao encontro dos públicos porque também eles têm saudades.

Esta edição celebra os centenários de Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Natália Correia e Urbano Tavares Rodrigues, bem como os 50 anos da Associação Portuguesa de Escritores, com o tema “Pensamento, palavras, poesia. Língua de fogo na Imensa boca dessa angústia”. E porque este é um festival de causas, serão abordar questões candentes para o devir do mundo, desde logo a emergência ambiental.

Este festival congrega autarquias / instituições dos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Arganil, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pedrógão Grande, Tábua.

As bibliotecas municipais e as redes de bibliotecas escolares são cruciais na organização do FLII – Palavras de Fogo.

A decorrer de 15 a 18 de junho de 2023, em dez concelhos dos distritos de Coimbra e Leiria, o FLII – Palavras de Fogo, pretende envolver todos os agentes de desenvolvimento, de todos os municípios participantes e todos os talentos locais, em todas as atividades a realizar em simultâneo: ações de formação, concursos, palestras, workshops, leituras, feiras do livro, espetáculos, multimédia, performances, instalações, exposições, para e com todos os públicos de todas as faixas etárias.

O conceito subjacente a este festival é o de uma realização sinérgica, catalisando os recursos dos municípios e outras instituições integrantes do consórcio, rentabilizando e potenciando o melhor que cada um possui, num esforço conjunto de superar as adversidades. E, em nome da palavra regeneradora, onde houver pessoas haverá livros.

Eles estarão nos sítios mais inesperadas, à mão de quem os quiser ler, os escritores portugueses e estrangeiros irão aos locais mais surpreendentes, os livros e as palavras farão novamente renascer a cor por entre o negrume.

Durante o mês de junho haverá novamente a residência literária, cujos convidados percorrerão os concelhos do consórcio.

O FLII Palavras de Fogo conta ainda com a parceria de vários congéneres internacionais: Jaipur Literature Festival (Índia), FLIPoços, (Brasil), Book Worm (China), Festival de Poesia de Chepén Chepén (Peru), Ake Festival (Nigeria), Literary Festival (Dubai), entre outros.

Wagner Merije escreve sobre pessoas, lugares, sentimentos e acontecimentos. É autor de Sol do novo mundo – Fatos e curiosidades sobre a Independência do Brasil e outras guerras e revoluções que impactaram o mundo (2022), Conhece-te a ti mesmo – Pensamentos e práticas à procura de novas primaveras (2021), Psyché & Hamlet vão para Hodiohill (2019), Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres (2017), Cidade em transe (2015), Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria Educação, dentre outros. Editou obras de Fernando Pessoa, Camões, Antero de Quental, Florbela Espanca, Camilo Castelo Branco, Mário de Sá-Carneiro, Camilo Pessanha, Pêro Vaz de Caminha, dentre outros.

Wagner Merije_Saramago

 

The writer, editor, journalist and multimedia creator, Wagner Merije, participates in the 6th edition of the International Literary Festival of the Interior – FLII Palavras de Fogo, which takes place in Portugal, in honor of the victims of the forest fires that occurred in the European country.

The Literary Festival has as its motto “Art and culture as reanimators of a region and a people”.

PROGRAM

 June 16th Coimbra Prison 15h00

“I don’t even like to write, I sometimes feel so desperate that I take refuge in paper like someone hiding to cry. And the strangest thing is to extract from my anguish words of profound reconciliation with life.” –  Eugénio de Andrade

Panel – Nora Nadjarian, Ricardo Fonseca Mota and Wagner Merije

Moderator – Paula Breia

Moment of reading by the recluses

 

June 16th Lagoa Velha Almoster  6 pm

In the rebirth of the ashes the words of the author Wagner Merije

This festival is patronized by His Exª the President of the Republic.

The associated partners are the Regional Delegation of Culture of the Centre, the University of Coimbra, the Directorate-General for Books, Archives and Libraries (DGLAB), the School Libraries Network (RBE) and the National Reading Plan (PNL).

This is an inter-municipal event, hence its innovative character, which will take place in ten municipalities in the region affected by the fires, with the aim of taking books and writers to the most unusual and unpredictable places, such as factories, fields, beaches, churches, markets, pilgrimages, places where people work and live. The books reach out to the public because they too miss it.

This edition celebrates the centenary of Eduardo Lourenço, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Natália Correia and Urbano Tavares Rodrigues, as well as the 50th anniversary of the Portuguese Writers Association, with the theme “Thought, words, poetry. Tongue of fire in the Immense mouth of this anguish”. And because this is a festival of causes, we intend to address burning issues for the future of the world, from the outset the environmental emergency.

This festival brings together municipalities / institutions from the counties of Alvaiázere, Ansião, Arganil, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pedrógão Grande, Tábua.

Municipal libraries and school library networks are crucial in organizing FLII – Palavras de Fogo.

Taking place from June 15 to 18, 2023, in ten municipalities in the districts of Coimbra and Leiria, FLII – Words of Fire, aims to involve all development agents, from all participating municipalities and all local talents, in all areas activities to be carried out simultaneously: training actions, competitions, lectures, workshops, readings, book fairs, shows, multimedia, performances, installations, exhibitions, for and with all audiences of all age groups.

The underlying concept of this festival is that of a synergistic achievement, catalyzing the resources of the municipalities and other institutions that are part of the consortium, making the most of and leveraging the best that each one has, in a joint effort to overcome adversity. And, in the name of the regenerating word, where there are people there will be books. They will be in the most unexpected places, at the hand

of anyone who wants to read them, Portuguese and foreign writers will go to the most surprising places, books and words will once again revive color amidst the darkness.

During the month of June there will again be a literary residence, whose guests will tour the consortium’s councils.

FLII – Words of Fire, also has the partnership of several international litfests, such as: Jaipur Literature Festival (India), FLIPoços, (Brazil), Book Worm (China), Chepén Chepén Poetry Festival (Peru), Ake Festival (Nigeria), Literary Festival (Dubai), among others.

Wagner Merije writes about people, places, feelings and events. He is the author of Sol do novo mundo – Facts and curiosities about the Independence of Brazil and other wars and revolutions that impacted the world (2022), Know yourself – Thoughts and practices in search of new springs (2021), Psyché & Hamlet go to Hodiohill (2019), Stars and Stars – Memoirs of a young journalist in London (2017), City in a trance (2015), Mobimento – Mobile Education and Communication (2012) – finalist for the 2013 Jabuti Prize in the Education category, among others. He edited works by Fernando Pessoa, Camões, Antero de Quental, Florbela Espanca, Camilo Castelo Branco, Mário de Sá-Carneiro, Camilo Pessanha, Pêro Vaz de Caminha, among others.

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Ignácio de Loyola Brandao e a cidade em ruínas


23 maio

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Ignácio de Loyola Brandao e a cidade em ruínas_color. Autoria: WaRAM

 

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Ignácio de Loyola Brandao e a cidade em ruínas_b&w. Autoria: WaRAM

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Matinée Casa das Artes_DJ Merije Suprasensorial_2023


16 maio

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Local/Venue:

Casa Das Artes Bissaya Barreto · Avenida Sá da Bandeira, 83 · Coimbra 3000-351 · Portugal

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Videografia – Wagner Merije


26 abr

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CONHEÇA A VIDEOGRAFIA DO MERIJE

GET TO KNOW MERIJE’S VIDEOGRAPHY

Formado em Comunicação Social, com cursos de especialização na área audiovisual, Wagner Merije também se expressa através das imagens em movimento, criando trabalhos poéticos e marcantes.

Como realizador audiovisual (roteirista, diretor, câmera, compositor de trilhas sonoras) tem vários filmes e vídeos no currículo, tais como ‘A Última Ceia Antes da Invasão Francesa” (2025), ‘Diseurs – Identidade, Expressão e Tempo da Voz Poética” (2022), “Todos os caminhos levam a Coimbra” (2019), “Sweet São Paulo”, “Peopleware”, “Cada um é parte do coletivo”, “Coragem” e “Sambampler”, o documentário e série de TV “Beyond Ipanema”, o média-metragem “Histórias de um Celular” (em finalização) e o documentário “Raul de Souza – Daqui para a eternidade” (em produção). É colaborador do Festival Visual Brasil (Barcelona, Espanha)

Beyond Ipanema_festivais

Visual Brasil 2018

VIDEOGRAFIA AUTORAL

– A Última Ceia Antes da Invasão Francesa – Guião e Direção: Wagner Merije (2025)

– Diseurs – Identidade, Expressão e Tempo da Voz Poética” – Roteiro e Direção: Wagner Merije (2022)

– “Todos os caminhos levam a Coimbra” – Roteiro e Direção: Merije (2019)

-“O futuro é de quem sonha” – musicvideo, roteiro: Merije; direção: VJ Eletro-I-Man (2013)

-“Cada um é parte do coletivo” – musicvideo, roteiro, direção Merije (2013)

– “Feito durante o dia” – DVD – roteiro, produção, composições, interpretação Merije (2008-2012)

– “Calor (Très chaud) – roteiro, câmera, direção Merije (2012)

– “Peopleware” – videoclipe – roteiro, direção Merije (2011)

– “Coragem” – videoclipe – roteiro, câmera, direção Merije (2011)

– “Sweet São Paulo” – videoclipe – roteiro, direção Merije e Tulio Robles (2010/2011)

– “Dragão do Mar: filme-música” – mini-doc. mobile, – roteiro, câmera, direção Merije (2011)

– “Mob Revolution” – videomobile, roteiro, câmera, direção Merije (2010)

– “Metrópolis Ano Mil” – videomobile, roteiro, câmera, direção mobile Merije (2010)

– “Deus criou o beat” – musicvideo – produção: Merije; direção: Igor Amin (2010)

– DVD Série – MVMob – Minha Vida Mobile (2009 – 2013)

– “Rap Babel” – videomobile – roteiro, câmera, direção Merije (2009)

– “Coletivo Universal ao vivo na Paulista” – Rumos Itaú Cultural – DVD – roteiro, produção, composições, interpretação Merije (2008-2010)

– “Mil Maravilhas” – videoclipe – roteiro, produção, co-direção Merije; co-direção: Gustavo Pains (2005)

– “Sambampler” – videoclipe – roteiro, produção, co-direção Merije/Gustavo Pains (2005)

VIDEOGRAFIA COM OUTROS ARTISTAS

– “Ontem” – Artista: Van – musicvideo – roteiro, câmera, direção Merije (2015); roteiro, direção: Van, Daniel Guadalupe

– “Beyond Ipanema” – Série – Canal Brasil – composição musical Merije (2013); roteiro e direção: Guto Barra/Béco Dranoff

– “O Universo Musical de Raul de Souza” – direção artística Merije – DVD-CD, Selo Sesc, 2012 – Prêmio da Música Brasileira 2013

– “Beyond Ipanema” – Doc., longa – composição musical  Merije (2009)

– “Marku ao Vivo” – DVD – Itaú Cultural – roteiro, produção Merije (2008)


… …

O universo musical de Raul de Souza_capa

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Poster_MVMob_final sem marcas

DVD Feito durante o dia

DVD Feito durante o dia

coragem


Outros trabalhos / Other works – Playlists

Portifolio Wagner Merije

Trabalhos Experimentais Wagner Merije

Suprasensorial

The LoveCats

DJ Merije Suprasensorial

Raul de Souza – Embaixador da Música Universal

Sarau do Memorial

Coletivo Universal

Arte Eletrônica Musicada

Minha Vida Mobile

Bossa Eterna

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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