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À própria mão_By one’s own hand
Aos que escrevem com as mãos,
e aos que leem com o coração.
Essas ideias que correm no meu cérebro adentro
São minhas elaborações ou a quem mais dou conhecimento?
Esses dedos que correm pela página branca presente
Expressam o que penso ou é ilusão da mente?
Esse ritmo em que bate o meu coração
É beat ou o fluxo do sangue e da oxigenação?
Essa inteligência é minha parte na herança
Meu cultivo, minha conquista ou perco a esperança?
Todo ser vivente ou não precisa conhecer a sua história
A evolução leva milhões de anos na sua trajetória
Quem trouxe o bastão até aqui correu por gerações
Atravessando estradas e desafios que não parecem invenções
Embora, está provado, a inteligência do ser humano
Tenha alcançado altitudes e altiplanos que nem deus tinha planos,
Ainda está longe de ser plena,
Ou mesmo pacífica e serena.
Por isso, prometo ser sincero com meus erros e acertos,
E continuar contribuindo para o carismo dos afetos.
Não fugirei nunca ao desafio imposto,
Pois bem sei que qualquer conquista exige muito esforço.
Oh, meu pequeno, grande sonho,
De um mundo mais risonho,
Escrevo-te à mão esse inescapável manifesto
Com a verdade que eu carrego e atesto.
Um poema do livro Humble Shakespeare

By one’s own hand
For those who write by hand,
and for those who read by heart.
These ideas that race deep within my brain,
are they my own elaborations, or to whom do I give them name?
These fingers that run across the white page here,
do they express what I think, or illusion of the mind sincere?
This rhythm with which my heart does beat,
is it beat, or the flow of blood and oxygen’s heat?
This intelligence — is it my share of the heritage,
my cultivation, my conquest — or do I lose the courage?
Every living being, or not, must know its story,
evolution takes millions of years in its trajectory.
Whoever brought the baton here ran through generations,
crossing roads and challenges that seem no mere inventions.
Although, it is proven, the intelligence of the human being
has reached altitudes and highlands that not even god was foreseeing,
it is still far from being full,
or even peaceful and serene in its pull.
Therefore, I promise to be sincere with my errors and my rights,
and to keep contributing to the charism of affections’ lights.
I shall never flee the challenge imposed,
for well I know that every conquest demands much to be disclosed.
Oh, my small, great dream
of a world more serene,
I write to you by hand this inescapable manifesto
with the truth I carry and attest — honest and earnest.
A poem from the book Humble Shakespeare
EscreVivências – A Escrita que Cura Oficina de Escrita Criativa e Autoficção

ESCREVIVÊNCIAS – A ESCRITA QUE CURA
Oficina de Escrita Criativa e Autoficção
Como transformar a sua vida e imaginação em histórias inesquecíveis
1. O CONCEITO
EscreVivências – A Escrita que Cura é uma oficina de experimentação criativa que convida os participantes a explorar a fronteira entre a memória, a imaginação e a palavra. Mais do que um curso de técnicas literárias, é uma jornada de autodescoberta.
Cada participante aprenderá a transformar as suas experiências, lembranças e ficções em narrativas que merecem ser lidas e partilhadas — e, no final, terá o seu texto publicado num livro coletivo pela Aquarela Brasileira Livros.
O nome junta “escrever” e “vivências” — porque acreditamos que a melhor escrita nasce da vida vivida, e que a vida se expande quando é contada.
2. POR QUE ESTA OFICINA É ÚNICA
| Diferencial | Descrição |
|---|---|
| Resultado tangível | Todos os participantes terão os seus textos publicados num livro coletivo pela Aquarela Brasileira Livros |
| Formato imersivo | 4 meses de encontros presenciais mensais, permitindo aprofundamento e continuidade |
| Curadoria de excelência | Facilitada por Wagner Merije, PhD em Letras pela Universidade de Coimbra, com vasta experiência editorial e em escrita criativa |
| Ambiente inspirador | Realizada no Lisboa Yoga Center, na Graça — um espaço de criatividade, acolhimento e silêncio propício ao encantamento |
| Publicação garantida | O livro final será publicado e distribuído, dando visibilidade aos autores participantes |
| Comunidade criativa | Criação de um grupo de apoio e partilha entre os participantes |
3. ESTRUTURA DA OFICINA
Duração: 4 meses (Janeiro a Abril de 2027)
Formato: Um encontro presencial por mês (sábados) — 10:00 às 13:30
Datas: 23 de janeiro, 20 de fevereiro, 13 de março, 10 de abril
Carga horária total: 20 horas (presenciais + exercícios entre sessões com orientação individual)
Local: Lisboa Yoga Center – Graça, Lisboa
Temas dos encontros mensais:
| Mês | Tema | Atividades |
|---|---|---|
| Janeiro | Abrir a Gaveta: Memória, Ficção e Autoficção | Exercícios de escrita autobiográfica, distinção entre memória e imaginação, primeiros textos |
| Fevereiro | A Arte da Narrativa: Estrutura, Voz e Personagem | Criação de personagens, construção de enredo, desenvolvimento de voz narrativa |
| Março | A Palavra como Matéria: Estilo, Ritmo e Revisão | Técnicas de revisão, edição, polimento textual, leitura em voz alta |
| Abril | Do Manuscrito ao Livro: Preparação para Publicação | Finalização dos textos, preparação para o livro, celebração final |
Entre os encontros: os participantes receberão exercícios semanais e feedbacks individuais por email.
4. O QUE OS PARTICIPANTES GANHAM
- Participação na oficina + dicas online + webinar
- Livro publicado — com o seu texto e nome na obra coletiva
- Certificado de participação — com carga horária e conteúdos
- Portfólio de escrita — textos prontos para futuras candidaturas editoriais
- Rede de contactos — ligação a outros escritores e criadores
- Ferramentas práticas — técnicas de escrita criativa, revisão e edição
- Experiência transformadora — o processo de escrever a sua história, com orientação e apoio
5. O LIVRO
Todos os participantes terão os seus textos publicados numa antologia coletiva intitulada:
“Lisboa Em Palavras” ou “EscreVivências — Antologia da Oficina de Escrita Criativa 2027”
O livro será publicado pela Aquarela Brasileira Livros, com:
- Projeto gráfico profissional
- Capa com design exclusivo
- Depósito Legal e ISBN próprio
- Lançamento público em Lisboa (data a definir com os participantes)
6. PÚBLICO PARTICIPANTE
- Aspirantes a escritores que desejam desenvolver a sua voz
- Pessoas com histórias para contar (memórias, ficção, crónicas)
- Professores e educadores que querem usar a escrita criativa como ferramenta pedagógica
- Estudantes de Letras, Comunicação, Psicologia e áreas afins
- Profissionais criativos que querem explorar a escrita como ferramenta de expressão
- Leitores apaixonados que sempre sonharam em escrever
- Quem está em transição de vida e procura um projeto pessoal significativo
Pré-requisitos: Nenhum. A única exigência é a vontade de escrever e partilhar.
7. CONTRIBUIÇÃO
| Categoria | Valor (€) |
|---|---|
| Inscrição antecipada (até 30 de novembro) | 190 € |
| Inscrição regular | 215 € |
| Professor / Estudante / Sénior (+65) | 170 € |
| Pagamento em 3x (sem juros) | 3 x 75 € |
| Traga um amigo | 5% de desconto para ambos |
A contribuição inclui todos os materiais, orientação conjunta e individual, certificado e participação no livro.
8. O FACILITADOR — WAGNER MERIJE
Doutor (PhD) em Letras pela Universidade de Coimbra, é escritor, jornalista, editor, produtor cultural e autor de textos para rádio, teatro, televisão e cinema. Publicou mais de 20 livros, entre os quais Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (finalista do Prêmio Jabuti 2013), Viagem a Minas Gerais, Cidade em Transe, Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres e Um Furacão em Lisboa, Um Furacão em Lisboa. As suas obras circularam por diferentes países e receberam diversos prémios.
Em 2014, fundou a Aquarela Brasileira, um projeto que nasceu com uma missão clara: ajudar pessoas a transformar sonhos em realidade — e a eternizar as suas histórias em livros que ficam. Editou e organizou coletâneas como Saudade em Palavras (2026), Coimbra em Palavras (2018) e São Paulo em Imagens (2017), e dedicou-se à edição de obras de autores como Fernando Pessoa, Camões, Eça de Queirós, Florbela Espanca e Antero de Quental.
Acredita que toda a pessoa tem uma história para contar — e que a escrita, mais do que uma técnica, é um ato de coragem e liberdade. Essa convicção atravessa a sua vida e o seu trabalho, e é o que o move a criar espaços onde outras vozes possam encontrar forma e eco.
Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, e desde cedo entendeu que as palavras são pontes. Entre o Brasil e o mundo, viveu em São Paulo, Londres, Rio de Janeiro e Coimbra — cidades que, de maneiras diferentes, lhe ensinaram a escutar e a contar histórias.
9. INSCRIÇÕES
www.lisboayogacenter.com/event/escrevivencias
10. MAIS INFORMAÇÕES
E-mail: faleaquarela@gmail.com
Aquarela Brasileira website: www.aquarelabrasileira.com.br/ab-books
Site facilitador: www.merije.com.br/livro
O que é escrever literatura?

Wagner Merije marcou presença na Oficina de Escrita e Leitura “O que é escrever literatura?”, dinamizada pelo professor, poeta, ensaísta e crítico literário português António Carlos Cortez, na Casa da Escrita, em Coimbra, Portuga.l.
A iniciativa, promovida no âmbito das Oficinas e Mediação, reuniu participantes em torno de uma reflexão profunda sobre o fazer literário, os seus limites e as suas possibilidades — um encontro entre a teoria e a prática da palavra escrita.







Vem aí um projeto transformador: A Cultura como Estratégia – A Nova Geopolítica do Soft Power

O mundo está mudando — e a cultura deixou de ser apenas expressão para se tornar estratégia. É nesse contexto que nasce “A Cultura como Estratégia: A Nova Geopolítica do Soft Power”, um projeto de Wagner Merije que convida os leitores e leitores a enxergarem o cenário global sob uma nova perspectiva.
Essa é uma jornada de análise e reflexão sobre como ideias, narrativas e símbolos moldam o poder no século XXI. Aqui, cultura não é pano de fundo — é protagonista.
Ao longo do projeto, você vai encontrar:
- Análises profundas sobre cultura, influência e poder
- Conexões entre passado, presente e futuro, revelando padrões e rupturas
- Tendências e estratégias para compreender o mundo contemporâneo
- Uma visão global, sem perder identidade e propósito
Vivemos em uma era em que influência vale mais do que imposição. O chamado soft power redefine fronteiras, reposiciona nações e impacta decisões em escala global — muitas vezes de forma silenciosa, mas extremamente eficaz.
Este projeto é um convite para entender esse jogo.
Acompanhe conteúdos inéditos toda semana
Acesse: Merije
Conhecimento. Visão. Influência.
O futuro é cultural.
Cultura, arte e bem-estar: Aquarela Brasileira promove agenda em Portugal com curadoria da Merije

A Aquarela Brasileira realiza, entre maio e junho de 2026, uma programação cultural em Portugal que integra diferentes linguagens artísticas e propõe experiências de conexão entre Brasil e Portugal. Com atividades concentradas em Coimbra e na região da Serra do Açor, a agenda reúne música, literatura, encontros performativos e uma imersão voltada ao bem-estar.
Abrindo a programação, no dia 3 de maio, acontece “Entre a Matéria e a Voz”, com Ulysses & Orpheu, duo formado por Hélder Grau Santos e Wagner Merije, e a participação de Pedro Góis. A proposta transita entre música e palavra, explorando a relação entre som, presença e expressão artística em um formato intimista.
Ainda no mês de maio, entre os dias 28 e 31, acontece o Retiro Bem-Estar na Aldeia, na Serra do Açor. A experiência convida à desaceleração e ao reconectar-se com a natureza por meio de práticas integrativas, convivência e silêncio. A programação cultural do retiro é assinada pela Merije, que propõe uma curadoria sensível voltada à escuta, à presença e ao encontro.
Mais informações e inscrições: Retiro Bem-Estar na Aldeia
Em junho, a agenda segue com o VII Festival Sons, Saberes e Sabores da Lusofonia, de 12 a 14, no Terreiro da Erva, em Coimbra. O evento celebra a diversidade cultural dos países de língua portuguesa por meio da música, da gastronomia e de diferentes expressões artísticas. Wagner Merije apresenta seus livros.
Encerrando a programação, a Aquarela Brasileira participa da 47ª Feira do Livro de Coimbra, entre os dias 19 e 28 de junho, reforçando o diálogo com a literatura e promovendo encontros entre autores, leitores e iniciativas culturais. Wagner Merije recebe autores para conversas saborosas e apresentações de livros.
As iniciativas evidenciam o papel da cultura como ferramenta de integração e criação de vínculos, ao mesmo tempo em que amplia o olhar para experiências que atravessam arte e bem-estar.
Mais do que uma agenda de eventos, a iniciativa reforça o papel da cultura como ponte entre territórios, promovendo integração, pertencimento e troca de experiências entre Brasil e Portugal.
Mais informações em www.aquarelabrasileira.com.br
O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.
A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.
E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.
Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.
Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.
A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?
Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.
Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.
O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.
Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.
A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.
Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM
This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.
The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.
And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.
They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.
They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.
The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?
Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.
I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.
The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.
So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.
The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.
A poem in process by Wagner Merije
Ulysses & Orpheu na celebração Unt1tled #Format — uma viagem artística entre gesto, matéria e manifesto

Coimbra prepara-se para uma das celebrações estéticas mais inesperadas, mais exuberantes e mais deliciosamente barrocas do calendário artístico de 2025. A Galeria ESTALEIRO, o Movimento Analogic Pixel e o artista Pedro Góis abrem as portas — e todos os sentidos — para a inauguração da exposição Unt1tled #Format, um território onde o gesto manual desafia a velocidade do digital e onde cada traço recupera a respiração da matéria.
Entre o mistério do programa, as coordenadas semi-cósmicas do evento e a promessa de uma experiência que pode “descambar” numa festa épica, há uma certeza luminosa: a presença do duo Ulysses & Orpheu, formado por Hélder Grau Santos e Wagner Merije.
Convidados para atuar num dos momentos centrais da programação, Ulysses & Orpheu levam a palco uma combinação intensa de poesia, manifesto e música, entrelaçando palavra e sonoridade num registo experimental que dialoga com o universo visual de Pedro Góis. A sua performance adiciona emoção, ritmo e reflexão a um encontro pensado para celebrar o poder do gesto, da arte e da criação coletiva.
O público pode esperar vibração, risco, surpresa e aquele toque de celebração poética que o duo vem afinando ao longo dos anos em apresentações multidisciplinares pelo Brasil e por Portugal.
Data: Sábado, 06 de dezembro de 2025
Coimbra, Portugal
Horário:
16:31 — Inauguração / Vernissage
21:21 — Encerramento
21:31 — Jantar-Comemoração
Local: Coimbra, Portugal
Um evento para quem procura arte com pulsação própria e um encontro raro entre criadores que fazem do inesperado uma forma de beleza.
Trovar a Liberdade — Um encontro criativo com o legado de Zeca Afonso

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso propõe um mergulho sensível e vigoroso no universo de uma figura maior da música e da resistência em Portugal. O espetáculo recupera a força poética, a inquietação ética e a pulsação humana da sua obra, revelando a atualidade das suas palavras e melodias num tempo que continua a convocar a liberdade e o pensamento crítico.
Recorrendo a uma combinação de declamação, interpretação vocal e ambiente sonoro imersivo, Trovar a Liberdade com Zeca Afonso convida o público a escutar Zeca com novos ouvidos e a reencontrar, nos seus versos, a esperança e a coragem que atravessam gerações.
A direção artística e a composição da trilha sonora são assinadas por Wagner Merije, que constrói uma atmosfera contemporânea, íntima e emocionalmente envolvente, sustentando cada momento com sensibilidade e respeito pelo espírito original da obra de Zeca Afonso.
A interpretação de Fernando Franco, intensa e profundamente expressiva, dá corpo e voz aos poemas e canções, criando um espaço vivo de memória e reinvenção.
Trovar a Liberdade com Zeca Afonso é um tributo luminoso a um criador essencial, mas é também um convite à reflexão, ao encontro e ao gesto de manter viva a chama da liberdade — nas artes, na sociedade e na vida.
O espetáculo faz parte da programação do prestigiado Ciclo Orphika 2025 da Universidade de Coimbra.
Local: Liquidâmbar – Praça da República – Coimbra, Portugal
Data e horário: 25 de novembro de 2025 — 21h30
Entrada livre
Realização: Motivos Alternativos & Aquarela Brasileira








