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Cidade em transe no Psiu Poético


15 out
Merije falando o poema Morfina_Psiu Poético 2015

Merije falando o poema Morfina_Psiu Poético 2015

O Psiu Poético é um projeto que acontece há 29 anos consecutivos em Montes Claros, cidade situada no norte de Minas Gerais. Trata-se do maior salão de poesia da América Latina e visa a integração sociocultural, independente, gratuita e sem fins lucrativos.

As atividades desenvolvidas durante o evento prezam pela inclusão e abraçam diversas expressões artísticas e são apresentadas a um público amplo de estudantes, educadores, leitores, e demais pessoas interessadas.

Em 2015 o “29ª Tripsiu: Três anos celebrando três décadas” foi realizado entre os dias 03 e 12 de outubro, em vários pontos da cidade.

E em meio a esta celebração da poesia, das letras e dos encontros, o livro Cidade em transe foi lançado, com direito a apresentação de alguns poemas do personagem AlfaBETO falados pelo autor Wagner Merije.

Montes Claros é uma cidade que inspira Merije, que sempre dialogou com os criadores da região, e já tem vários poemas escritos em Moc, sobre Moc, para Moc e na vertigem da criação do sol e do calor de Moc.

Confira algumas fotos do lançamento

… …
Um grito pelo Psiu

Como uma cidade e seus cidadãos sobrevivem?
Encontrando pessoas.
Caso contrário, seria tudo ilha e estaríamos todos ilhados.
Um evento, festa, festividade gera movimento para uma cidade, negócios para hotéis, restaurantes, mercados, xxxx, encontros e crescimento para as pessoas e visibilidade para a cidade como um todo.
Então, acorda Montes Claros! Preste atenção Brasil!
O Psiu Poético é um projeto consolidado, ímpar, diverso, cheio de oportunidades para todo mundo ser feliz.
Merece todo o apoio de todas as partes!

Encontro de poetas

Era um, eram 10, eram 100 e mais virão
Eram poetas em profusão
E o que posso contar, meus olhos hão de registrar
no olhar do meu coração
Éramos muitos, cada poeta vale por 100
Porque quando o poeta abre a voz vai além
E o que vi, não raro, era uma profusão de poetas em Montes Claros
Tinha poeta da roça, poeta urbano, poeta das moças, poetas dos manos
Poeta repentista, trovador, desafiante, apaziguador
Poeta de violão, de pandeiro, de berrante, de palma de mão
Poeta de parangolé, de vestido, de mini saia, de bermuda, de tomara que caia
Poeta de terno, de smoking, de roupas puídas, de grife, de pé no chão, de chapéu de coco, palha, panamá, de mil maneiras verão
Poeta de rayban, de óculos chinês, de balangandãs, poeta esperando a vez
Poetas de profissão de fé, intuitivos, emocionados, emotivos
Poetas cheio de dentes, poetas banguelos, poetas de todas as cores, do azul ao branquelo
Poetas cegos, esotéricos, analfabetos, populares, eruditos, jovens, velhos, normais, esquisitos
Poetas, poetas, eram muitos, eram belos, donos da festa

Um poema em elaboração de Wagner Merije

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O encontro das ideias em Caxias do Sul/RS


13 out

CARTAZ FEIRA DO LIVRO 2015 copiar

A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio do Departamento do Livro e da Leitura da Secretaria da Cultura, e a Associação dos Livreiros Caxienses (ALCA), realizam a a 31ª Feira do Livro e o 2° Entrelinhas – Festival Literário e Cultural.

De 02 a 18 de outubro a cidade gaúcha se torna a meca dos livros, dos escritores e das ideias, com uma programação que conta com diversas ações culturais, como bate-papos com escritores, sessões de autógrafos, contações de histórias, esquetes teatrais, além de artistas contemplados pelo Financiarte, no Som na Feira.

Feira do livro Caxias do Sul_site front

Entre os escritores participantes estão Luís Fernando Veríssimo, Alice Ruiz, Cláudia Laitano, Elisa Lucinda, Luis Rubira, Luiz Felipe Pondé, Armindo Trevisan, Wagner Merije, Eucanaã Ferraz, Marcos Piangers, Ivan Martins, entre outros.

O poeta e escritor Wagner Merije, que participa pela primeira vez da Feira, lança seu novo livro “Cidade em transe”, e ministra a oficina “Torpedos – Literatura na ponta dos dedos”, no dia 17/10, na parte da tarde. A expectativa é grande.

Feira do Livro de Caxias do Sul_Wagner Merije

 

A Feira segue até o dia 18 de outubro, na Praça Dante Alighieri. A programação continua intensa e pode acessada no novo site da Feira: www.feiradolivrocaxias.com

Alice Ruiz_Feira do livro Caxias do SUL Feira do livro Caxias 2 Feira do livro Caxias do Sul 1

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A poesia de Wagner Merije no Formosa International Poetry Festival


10 set

PRIMER ENCUENTRO DE POETAS DEL MUNDO EN TAIWAN
Formosa International Poetry Festival: Del 1 al 9 de septiembre 2015

O poeta Wagner Merije foi convidado para participar do Formosa International Poetry Festival.
A convite dos organizadores, Merije escreveu um poema em Inglês, que foi traduzido para o Chinês, junto com uma pequena biografia do autor.
Junto com o trabalho de outros convidados, o poema agora faz parte de um livro antologia, lindamente batizado de “Flame Trees Are in Blossom”.

A la ocasión del décimo aniversario de su fundación, El movimiento Poetas del Mundo organiza su Primer Encuentro en Taiwán. Invitamos a través de estas páginas a todos los poetas del mundo a unirse a las celebraciones que tendremos este año, una de ellas es este magno evento en Asia.

Formosa International Poetry Festival: Del 1 al 9 de septiembre 2015
On the occasion of the tenth anniversary of its Foundation, the poets of the world movement organizes its first meeting in Taiwan. We invite through these pages to all the poets of the world to join the celebrations we have this year, one of them is this great event in Asia.

The flame trees are in the blossom (Formosa International Poetry Festival 2015)

The flame trees are in the blossom (Formosa International Poetry Festival 2015)

 

CONFIRA O POEMA

News From My Heart

There are too many worlds to be known
There are many lives to be lived
Here is your world to be saved
or destroyed
There is a mother and a child
loosing themselves in the darkness
Someone has to hear my voice
Someone has to prevent the storm and the wind
The end that will come will not be the last
even the first end or goodbye
Fear, you are more powerful than you know
Please, don’t drive me this night
Flesh is expensive on the market
Drums are screaming on the mountains
News from my heart
aren’t good (or) enough
Your love blind my eyes
your ways close the doors
I’m a sinner as you are
Need to regret no more
But, in the end we can be
falling angels or saviours of our souls
falling souls we can be
saving angels with no souls

內心的消息

有太多的世俗要瞭解
有許多生活要過
這是你的世界要救
或摧毀
有一位母親帶一位小孩
消失在黑暗裡
有人必須聽我的聲音
有人必須預防暴雨狂風
將到的結局不會是最後一局
甚至首次結局或再見
恐怕,妳比所知權力更大
今夜,請勿驅使我
市場上肉品很貴
山上鼓聲鼕鼕響起
我內心的消息
不好(或)不夠
妳的愛情蒙蔽我眼睛
妳的路封閉住門
我和妳一樣是罪人
不需要再後悔
但,結局時我們會是
墮落天使還是靈魂救主
我們會是墮落靈魂
拯救無靈魂的天使
(李魁賢轉譯)

Brazil:Wagner Merije

華格納.梅里傑,巴西詩人和作家。從事多媒體創作,經營文創事業,為多家報紙雜誌繪插圖。著有詩集《魚雷》(2002年)等五本,獲三項國家頒發獎。其所撰劇本和所導演視聽媒體,在網際網路、電視頻道、電影節中播放。

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Cidade em transe na Zona Norte de SP


29 jun

CIDADE EM TRANSE é um romance que toca fundo nas pessoas. É preciso ser forte e flexível para sobreviver na cidade que mais mata jovens e sonhos. Só mesmo a amizade, o amor e arte podem salvar quem luta por dignidade em São Paulo.

Viva os amigos. Viva a amizade. Viva os leitores!

Confira as fotos do lançamento que ocorreu em Santana, bairro da Zona Norte de São Paulo (onde o autor vive atualmente), no Famoso Bar do Justo.

 

 

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Mago do Subúrbio


17 jun

Mago do Subúrbio foi uma alcunha que usei por uma temporada de DJing na Praça Roosevelt, em São Paulo, na extinta boate Cube.

O som era Dub e ao meu lado estava o DJ Negaton, parceiro de loucuras.

 

Fotos para a memória

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Análise do livro Viagem a Minas Gerais


12 maio

Em outubro de 2014, por ocasião do 28º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, a Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros/MG) convocou alguns de seus alunos do curso de Letras para analisar obras dos poetas que seriam homenageados, entre eles Wagner Merije.
Sob orientação da professora Telma Borges o estudante, poeta e músico Cícero Neto escolheu o livro “Viagem a Minas Gerais”, e fez uma excelente análise.

Cicero Neto recita Viagem a Minas Gerais_Psiu Poético

“Wagner Merije é escritor, jornalista, compositor, e videasta. Reside atualmente em São Paulo, onde está envolvido como projetos multimídia ligados à literatura, música, vídeo, fotografia e arte-educação. Não é por acaso que sua arte é associada a essa interatividade e é conhecida como suprasensorial, despertando a atenção e interesse de crianças, jovens e adultos. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Merije têm trabalhos no Brasil e exterior.
É autor dos livros de poesia Viagem a Minas Gerais (2013), Torpedos (2012), Turnê do Encantamento (2009) e Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012), que trata da apropriação do celular na educação e comunicação e foi finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria “Educação”. Esses trabalhos foram lançados em diversos eventos, como Bienal do Livro de São Paulo, Balada Literária (SP), Casa das Rosas (SP), WebCurrículo (SP), Psiu Poético (MG), entre outros, e podem ser encontrados em livrarias e espaços culturais e educativos.
Merije também é criador e curador de eventos literários, como “Sarau Suprasensorial”, “Sarau do Memorial Minas Gerais-Vale”, “Sumário Poético” e “Bienal de Poesia de Minas Gerais”, e já participou dos grupos de poesia performática “Tripa de Mico Estrela” e “Panela de Expressão”. Por dois anos foi titular da coluna “Bom de Ler”, na revista BHS, com dicas de leitura.
Como jornalista, trabalhou para veículos no Brasil (Revista Palavra, Rede Minas, TV Horizonte, TV SENAC, O Tempo, Vivo Music Tones, Rádio Inconfidência, Savassi FM) e no exterior (Folha de São Paulo/caderno Folha Ilustrada, Euro Brasil Press, ambos em Londres) e é colaborador de revistas, jornais e sites.
Em paralelo, junto e interfaceando com a literatura, Merije se lança em constantes novas aventuras, pois acredita que toda experiência alimenta a escrita.
Na música lançou os discos autorais “Coletivo Universal” (2004), “Peopleware” (2009), “Se você perder a voz” (2011), “Suprasensorial” (2012). Nele, é proposto a mistura de nossos ritmos com a participação de trinta e dois músicos, entre eles, um dos mestres do trombone brasileiro Raul de Souza, “Liganóis” (2013), o DVD “Feito Durante o Dia” (2013), entre outros trabalhos. (fazer uma associação ao nome artístico “Merije” que é feito durante o dia).
Como roteirista e diretor audiovisual têm vários trabalhos exibidos na internet, em canais de TV e festivais de cinema.
No campo das iniciativas sociais, é idealizador e gestor do projeto cultural e educativo Minha Vida Mobile – MVMob- www.mvmob.com.br, que tem o objetivo de capacitar estudantes e educadores para produzir conteúdo audiovisual com celulares, fazendo do telefone um aliado no processo educacional.

Este trabalho objetiva apresentar o livro Viagem a Minas Gerais, do escritor, educador, jornalista, compositor, poeta e videasta Wagner Merije, na perspectiva de uma etnografia poética. Ao fazer sua travessia pelo estado de Minas, o autor dialoga com as línguas, religiões, tradições, que são transmitidas pelas gerações. Nessa perspectiva, acreditamos que mesmo sendo frutos da formação de várias etnias, conseguimos encontrar um ponto, ou alguns pontos em comum em na formação de povo mineiro, atestando assim nossa mineiridade.
Em Viagem a Minas Gerais, Merije faz uma epopéia contemporânea sobre nossos múltiplos Gerais, nossa identidade única de ser mineiro, povo desconfiado, de fala pouca e olhar sucinto. Com esmero aborda nossas raízes cavadas por diversas tribos e quilombos, facetas que nos compõem e nos faz ser assim, resistentes e bravos como o cerrado que nos envolve. Traz à tona a importância das marcas deixadas pelos nossos ancestrais: a língua, culinária, folclore e religiões. O livro é composto por setenta e oito poemas e o autor, em sua epopéia, atravessa mais de 220 municípios mineiros.
Nossas Minas são muitas e os Gerais vastos: geografia, divisas, fauna, flora, tudo em Minas parece querer falar. Um falar pouco, de voz macia e lenta, e já diziam que o relógio aqui anda mais lento mesmo, numa toada de carro de boi, num fim de tarde que se esvai junto com o cigarro de palha do matuto. Tudo aqui vira poesia, tudo aqui dá prosa na beirada do fogão, e de lá pro terreiro, onde se afina a viola, enquanto isso conta-se um causo, pronto, é folia de reis, é cantoria de fazer inveja, é festa de mineiro.
Índios e negros, com suas tribos e seus quilombos, abriram picadas nesse mundo sem fim, deixando aqui, de forma indelével, com todo seu sofrimento e sangue derramado, uma força desmedida que reverbera de forma aguda na alma do ser mineiro. Essa mesma força, e uso aqui uma expressão criada pelo poeta Merije: “caldo da cultura que eu tanto gosto”, foi o caldo grosso que nos dá um tempero e um sabor sui generis.
Em Viagem a Minas Gerais percebemos a presença de uma etnografia poética suscitada por Wagner Merije, que cumpre, como bom poeta que é, além de tantos outros compromissos com a poesia, o de ser, como diria Ezra Pound, a antena da raça. Antena essa que nos faz enxergar o valor dessas etnias várias em nossa formação, reconhecendo-as e assim, nos fazendo sujeitos entendedores de nosso processo de formação, auxiliando e iluminando essa relação com o outro, com Minas, com o mundo.
João Rosa em Grande Sertão: veredas, dizia que “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe pra gente é no meio da travessia”. É isso que o autor propõe. De forma audaciosa se embrenha e se move por entre nossas montanhas e cerrados, veredas e sertões, rios e cascatas, degustando o aprazível sabor de nossas quitandas, nossa gastronomia sagrada, num trabalho mágico de travessia poética, nesses vastos cantos de um mundo à parte chamado Minas. Essa obra sugere ao coração o orgulho em ser mineiro.

Consideremos o poema abaixo:

Sentimentos de Minas

Quem conhece Minas
Adquire mesmo sem perceber
Nova cor na retina
Uma emoção algo difícil de dizer

E de repente arde
E vem e fica
Uma latente saudade
Nostalgia física

Nunca mais esquecerás
Tua vida será antes e depois dessas esquinas
Fica no peito, batendo
Um sentimento de Minas

Percebemos como é impactante e transformador esse encontro, por toda carga emblemática que Minas representa. Quem a conhece nunca mais será o mesmo. O uso de metáforas, como por exemplo, “nova cor na retina”, acentua ainda mais o caráter desse encontro tornando-o inesquecível. Minas se transforma num sentimento, algo abstrato e forte, que fica e não vai embora, é incorporado à alma do sujeito, a saudade incomoda, palpita, faz lembrar sempre. Outro ponto a salientar é o fato de aqui em Minas, as esquinas assumem outra identidade, elas possuem outro valor, não são esquinas comuns. O nosso Clube da Esquina, de Beto Guedes, Toninho Horta, Lô Borges, Milton Nascimento, Fernando Brant entre outros, as tornaram mágicas através de harmonias extremamente sofisticadas e letras encantatórias de uma inventividade peculiar, numa construção musical esmerada, que toca a alma sem muito esforço.
Citamos agora, esse poema que demonstra o relacionamento intrínseco que a culinária assume na vida do mineiro:

República do pão de queijo

O cheiro do pão de queijo
Assando
Pode não iniciar uma revolução
Mas deixa o mineiro
De prontidão
Preparado para qualquer guerra
O pão de queijo, uma das iguarias mais emblemáticas da gastronomia mineira (especula-se que a receita exista desde o século XVIII), está representado no poema como uma fonte suprema de energia e disposição (o que o espinafre, por exemplo, representaria pro Popeye) e através dessa energia, se enfrentaria qualquer situação, até mesmo uma guerra. Dessa forma temos um elemento de nossa cultura gastronômica reafirmando nossa mineiridade.

No poema “Tribos de Minas”, Merije utiliza o nome das doze etnias indígenas espalhadas em territórios diferentes dentro do nosso estado, bem como expressões que nomeiam cidades, ruas entre outros lugares, nosso vocabulário. O poeta (re) afirma a profunda participação da cultura indígena em nossa formação, em nosso patrimônio, ao mesmo tempo que como diria Suassuna; “fala do povo para povo”.
Segundo Donizete Rodrigues em seu trabalho “Patrimônio cultural, Memória social e Identidade: uma abordagem antropológica”, património é o conjunto de bens, materiais e imateriais, que são considerados de interesse coletivo, suficientemente relevantes para a perpetuação no tempo. O património faz recordar o passado; é uma manifestação, um testemunho, uma invocação, ou melhor, uma convocação do passado. Tem, portanto, a função de (re) memorar acontecimentos mais importantes.
Na primeira estrofe há uma pergunta de extrema reflexão: “cadê os índios de Minas?” Diante do questionamento, tenta-se encontrar uma justificativa:

Foram pescar e nunca mais voltaram?
Migraram pelo território?
Ou viraram peça de museu?
Cadê? Cadê?

Chega-se a triste conclusão: “Parecem longe, LONGE”. O poema sugere dessa forma uma parcial extinção das tribos que aqui existiram. O que era abundância, hoje se tornou raro. Suscita uma análise crítica sobre nossos antepassados indígenas, colocando em xeque toda estrutura de tratamento para com eles.
Mais abaixo, o eu lírico nos diz:
E de repente percebo que estamos
Em toda parte

Outra (re) afirmação de que a cultura indígena está entranhada em nós, em nossos hábitos, em nossa memória. Estão em todo lugar, nos rodeia de toda forma, são nossos antepassados vivos, lúcidos. Passaram, sofreram, mas deixaram sua cultura.
Finalizando, me apoio no movimento antropofágico de Oswald de Andrade, inaugurado na semana de arte moderna de 1922, o qual era composto por duas vertentes. A primeira se voltava para a produção nacional, ou seja, a cultura indígena, liberação dos instintos e valorização da inocência. A segunda era baseada na proposta de não rejeitar, não refutar o que era oriundo da Europa ou de outros países. Sendo assim, usamos num contexto filosófico o termo alteridade, ou seja, eu respeito, digiro, devoro, me aproprio, me construo na cultura do outro, e assim, me faço humano. Nessa medida, trabalha-se o processo de aceitação do indivíduo, tornando mais aprazível as relações com o próximo, consigo mesmo e com o mundo.
Essa relação fica clara na estrofe abaixo:

Índia Minas
Somos índios em alma, práticas e palavras
Piracema, Pirapora, Piumhi
Sapucaí-Mirim, Paraopeba
A cultura é viva
Mesmo os que já se foram estão vivos
Na memória, o dia-a-dia
Jaboticatubas, Janaúba, Januária

Merije deixa claro que somos frutos de negros, índios, mulatos, caboclos, mamelucos, somos miscigenação, somos caldo da cultura desse povo que nos forma, que nos faz ser assim, unicamente mineiros, unicamente humanos.

Tribos de Minas

Macro-jê
Caiapós, Tupys, Guaranys, Krebaks, Botocudos
Cadê os índios de Minas?
Foram pescar e nunca mais voltaram?
Migraram pelo território?
Ou viraram peça de museu?
Cadê? Cadê?
Parecem longe, LONGE

Chamo, CHAMO por NÓS
Acaiaca, Aimorés, Açucena, Abaeté
Aiuruoca, Almenara, Araçuaí, Araguari
Bambuí, Botumirim
E de repente percebo que estamos
Em toda parte
Jequitinhonha, Joaíma, Juatuba
Machacalis, Manhuaçu, Manhumirim

Minas tem o corpo de índia
A cultura indígena está entranhada
No corpo de Minas
Itabira, Itabirito, Itaúna
Itajubá, Itambé do Mato Dentro
Itapecerica, Igarapé

Minas é uma Indianápolis
Basta ouvir seus sons
Guanhães, Guaraciaba
Guarará, Guaxupé, Gurinhatã

UM TROVÃO . . .
É TUPÃ!!!

Na pajelança os espíritos vão dançar
Junto com Iara e Oxossi também
Resiste Bugre, criado nas Braúnas
Nos Buritis, no Buritizeiro
Irmãos de Caeté, Carapós e puris
Das bandas de Camanducaia, Cambuí
Cambuquira e Carandaí

Índia Minas,
Somos índios em alma, práticas e palavras
Piracema, Pirapora, Piumhi
Sapucaí-Mirim, Paraopeba
A cultura é viva
Mesmo os que já se foram estão vivos
Na memória, no dia-a-dia
Jaboticatubas, Janaúba, Januária

O TROVÃO . . .
É TUPÃ QUE PERGUNTA . . .
E a pergunta ecoa:
Cadê os índios de Minas?
Cadê eu?
Cadê você, irmão brasileiro?
Inimutaba, Ipanema, Ipatinga
Ubá, Ubaporanga, Unaí

Cadê?
ARANÃ, CAXIXÓ, MAXAKALI, PANKARARU
PATAXÓ, MOKURIÑ, XUKURU-KARIRI
XAKRIABÁ, CAFÚ-AWA-ARACHÁS”

Por Cicero NetoDepartamento de LetrasUnimontes

Fica a dica de leitura: “Viagem a Minas Gerais”.
Acompanhe a trajetória do livro aqui: www.merije.com.br/diario/viagem-a-minas-gerais-o-livro

Cicero Neto lê Viagem a Minas Gerais_Psiu Poético_10102014

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Sarau do Memorial com Adri Aleixo e João Gabriel Furbino


11 maio

Sarau do Memorial_Adri Aleixo_João Furbino

O Sarau do Memorial chega à 28ª edição e apresenta dois novos poetas: Adri Aleixo e João Gabriel Furbino.

O título da apresentação de Adri Aleixo é “Pés”.
Um corte especial na obra de Adri Aleixo, mostra seus poemas telúricos e exíguos: uma espécie de metafísica ancorada em elementos da natureza. Performance inédita.

O título da apresentação de João Gabriel Furbino é o mesmo de seu primeiro livro, No meio da rua. O poeta reúne poemas inéditos e monólogos instigantes, subversivos e enternecedores . “Lugar de escrever poesia é no próprio corpo – e com a navalha bem afiada”, anuncia o autor, num de seus versos. Suas palavras são como navalhas afiadas, usadas no meio da rua, no meio da cidade.

Adri Aleixo – Minibio: Mãe, estudante, professora de linguagens e poeta. Mineira de Conselheiro Lafaiete, que vive há três anos em Belo Horizonte. Publicou Des.caminhos, editora Patuá, 2014.

João Gabriel Furbino – Minibio: Estuda letras na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com o monólogo Horácio, que integra seu primeiro livro, foi um dos premiados do II Concurso Travessia (2014), organizado pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Letras da UFMG.

Curadoria: Wagner Merije

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Oh yes!


20 mar

Yes!
Oh yes!
Agora tenho banana
E money
Sou a bola da vez
Yes!
Oh Yes!
Tenho mais banana
Do que money
Mas acham que sou burguês
Yes!
Oh yes!
Os orangotangos
Da selva amazônica
Também falam Inglês
Yes!
Oh yes!
Superávit
Supérflua obsolescência
Também entendo xadrez
Yes!
Oh Yes!
Na era do conhecimento
Das potentes patentes
Cada um de mim vale por três
Yes!
Oh yes!
Realidade é outra
Dignidade é pouca
Colonialês
Sim!
Se for assim:
Na igualdade
Com lealdade
Sou de Minas e falo Português

(Do livro “Viagem a Minas Gerais”)

Foto: Merije

Foto: Merije

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Suprasensorial Live_Record News_TV Record_R7


22 jul
Foto: Roberta Scatolini

Foto: Roberta Scatolini

Suprasensorial Live

Merije interpreta duas de suas músicas e conversa com o jornalista Heródoto Bárbero – Record News, Jornal da Record e R7.

Merije plays live on Brazilian TV – Record News.

Noite linda, oportunidade muito especial!
Beatiful night, great gig!

Salve Santa Cecília, padroeira da música!

Aprecie sem moderação!
Vibe Positiva!
Boas Ideias!
Conhecimento!
Arte!
Cultura!
Educação!
Transformação!
Encontros!
Poesia!
Vida!

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Grato!!! Thanks!!!

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Muito a fazer e descobrir


13 abr

Podem me fazer mal

Podem me querer mal

E até achar banal

Que eu me sinta mal

Podem espalhar o caos

Podem pagar pra geral

E até achar normal

Que eu me sinta mal

Mas tenho muito a fazer e descobrir

Ligo noutras

Sigo em frente

Cabeça erguida

Fôlego pra subida

Caminhando ao lado de quem me quer bem

Sigo em paz

Chão de estrelas

Tenho muito a fazer e descobrir… ir…

Podem fazer o mal

Podem espalhar o caos

E até achar normal

Mas não é natural

Podem botar sal

Podem jogar cal

Deus me livre e tal

Eu sou do bem total

Pai, tive um sonho

Boa gente no meu sonho

Era autêntico, todos juntos do meu lado

Respirando, trabalhando, celebrando

Simplesmente

Quanto mais frágil,

Mais forte,

Quanto mais forte,

Mais capaz de fazer outras pessoas felizes

 

Muito a fazer e descobrir – promo

Letra: Merije – Música: Merije / Jamphel D

Voz: Merije / Roberta Fly

Produção Musical e Vídeo: Jamphel D

Lançamento: Aquarela Brasileira Music

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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