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O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm


28 jan

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.

A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.

E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.

Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.

Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.

A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?

Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.

Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.

O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.

Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.

A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.

Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM

This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.

The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.

And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.

They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.

They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.

The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?

Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.

I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.

The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.

So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.

The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.

A poem in process by Wagner Merije

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Radio SupraSensorial


23 nov

Ouça alguns sets do DJ MERIJE
Listen to some sets from DJ MERIJE

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MusicTherapy for free souls, for all time, for all ages 

DJ MERIJE nasceu no Brasil e já se apresentou em grandes e pequenos palcos, em países como Inglaterra, Brasil, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, em festas urbanas, raves e festivais, como Nublu Club (New York/USA)), Festipop (Frontignan/France), Festival Visual Brasil (Barcelona/Espanha), DogStar (London), Salão Brazil e Casa das Artes Bissaya Barreto (Portugal), Virada Paulista (São Paulo), Sesc Pompéia, Rumos Itaú Cultural  (São Paulo), Eletronika, Conexão Vivo, Smoking Festival (Belo Horizonte),  Festa em Quadrinhos (Salvador, Bahia), SambaCana Groove (Brasil), entre outros.

DJ MERIJE já encantou várias plateias diferentes. O segredo é o repertório amplo autoral e um poderoso mix de variados ritmos brasileiros (sambarock, sambaJazz, sambafunk, sambasoul, samba, maracatu, carimbó, candombe, afoxé, coco, ciranda, xote, xaxado, choro, marcha de roda, baião, entre outros) embalados por Blackmusic dos anos 70, o melhor da música eletrônica, junto com Música Latina, Africana, PopRock, Hip Hop e trilhas de cinema.

DJ MERIJE participa de eventos onde toca Ecstatic Dance Music, Downtempo, Mindfulness sessions e músicas para relaxar e meditar.

Cada apresentação é cuidadosamente pensada e preparada para produzir momentos inesquecíveis com a música e os convidados. Contrate o DJ MERIJE e sinta o poder da música em cada momento e ambiente.

DJ MERIJE é condutor dos projetos Peace With Music (Peace With Music – YouTube), The LoveCats (The LoveCats – YouTube), Coletivo Universal, entre outros.

Para contratar o DJ MERIJE_To hire DJ MERIJE

faleaquarela@gmail.com 

Want more:

www.merije.com.br/som

Ouça alguns Sets do DJ MERIJE – Listen to some DJ MERIJE Sets

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Uma viagem ao Brasil Musical_post

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Festipop 2018

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Nublu_New York

Nublu_New York

Festival Visual Brasil 2018 – Barcelona/Spain

(Click nas imagens para ver a galeria)

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DJ Merije & Marcus Simon – Festival Visual Brasil – Barcelona 2012

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DJ MERIJE – Nublu / New York City

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Matinée Casa das Artes_DJ Merije Suprasensorial_2023


16 maio

DJ Merije Suprasensorial_Casa das Artes_190523

Local/Venue:

Casa Das Artes Bissaya Barreto · Avenida Sá da Bandeira, 83 · Coimbra 3000-351 · Portugal

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Videografia – Wagner Merije


26 abr

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CONHEÇA A VIDEOGRAFIA DO MERIJE

GET TO KNOW MERIJE’S VIDEOGRAPHY

Formado em Comunicação Social, com cursos de especialização na área audiovisual, Wagner Merije também se expressa através das imagens em movimento, criando trabalhos poéticos e marcantes.

Como realizador audiovisual (roteirista, diretor, câmera, compositor de trilhas sonoras) tem vários filmes e vídeos no currículo, tais como ‘A Última Ceia Antes da Invasão Francesa” (2025), ‘Diseurs – Identidade, Expressão e Tempo da Voz Poética” (2022), “Todos os caminhos levam a Coimbra” (2019), “Sweet São Paulo”, “Peopleware”, “Cada um é parte do coletivo”, “Coragem” e “Sambampler”, o documentário e série de TV “Beyond Ipanema”, o média-metragem “Histórias de um Celular” (em finalização) e o documentário “Raul de Souza – Daqui para a eternidade” (em produção). É colaborador do Festival Visual Brasil (Barcelona, Espanha)

Beyond Ipanema_festivais

Visual Brasil 2018

VIDEOGRAFIA AUTORAL

– A Última Ceia Antes da Invasão Francesa – Guião e Direção: Wagner Merije (2025)

– Diseurs – Identidade, Expressão e Tempo da Voz Poética” – Roteiro e Direção: Wagner Merije (2022)

– “Todos os caminhos levam a Coimbra” – Roteiro e Direção: Merije (2019)

-“O futuro é de quem sonha” – musicvideo, roteiro: Merije; direção: VJ Eletro-I-Man (2013)

-“Cada um é parte do coletivo” – musicvideo, roteiro, direção Merije (2013)

– “Feito durante o dia” – DVD – roteiro, produção, composições, interpretação Merije (2008-2012)

– “Calor (Très chaud) – roteiro, câmera, direção Merije (2012)

– “Peopleware” – videoclipe – roteiro, direção Merije (2011)

– “Coragem” – videoclipe – roteiro, câmera, direção Merije (2011)

– “Sweet São Paulo” – videoclipe – roteiro, direção Merije e Tulio Robles (2010/2011)

– “Dragão do Mar: filme-música” – mini-doc. mobile, – roteiro, câmera, direção Merije (2011)

– “Mob Revolution” – videomobile, roteiro, câmera, direção Merije (2010)

– “Metrópolis Ano Mil” – videomobile, roteiro, câmera, direção mobile Merije (2010)

– “Deus criou o beat” – musicvideo – produção: Merije; direção: Igor Amin (2010)

– DVD Série – MVMob – Minha Vida Mobile (2009 – 2013)

– “Rap Babel” – videomobile – roteiro, câmera, direção Merije (2009)

– “Coletivo Universal ao vivo na Paulista” – Rumos Itaú Cultural – DVD – roteiro, produção, composições, interpretação Merije (2008-2010)

– “Mil Maravilhas” – videoclipe – roteiro, produção, co-direção Merije; co-direção: Gustavo Pains (2005)

– “Sambampler” – videoclipe – roteiro, produção, co-direção Merije/Gustavo Pains (2005)

VIDEOGRAFIA COM OUTROS ARTISTAS

– “Ontem” – Artista: Van – musicvideo – roteiro, câmera, direção Merije (2015); roteiro, direção: Van, Daniel Guadalupe

– “Beyond Ipanema” – Série – Canal Brasil – composição musical Merije (2013); roteiro e direção: Guto Barra/Béco Dranoff

– “O Universo Musical de Raul de Souza” – direção artística Merije – DVD-CD, Selo Sesc, 2012 – Prêmio da Música Brasileira 2013

– “Beyond Ipanema” – Doc., longa – composição musical  Merije (2009)

– “Marku ao Vivo” – DVD – Itaú Cultural – roteiro, produção Merije (2008)


… …

O universo musical de Raul de Souza_capa

………..
Poster_MVMob_final sem marcas

DVD Feito durante o dia

DVD Feito durante o dia

coragem


Outros trabalhos / Other works – Playlists

Portifolio Wagner Merije

Trabalhos Experimentais Wagner Merije

Suprasensorial

The LoveCats

DJ Merije Suprasensorial

Raul de Souza – Embaixador da Música Universal

Sarau do Memorial

Coletivo Universal

Arte Eletrônica Musicada

Minha Vida Mobile

Bossa Eterna

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Baile Perfumado


15 fev

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24ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra apresenta

BAILE PERFUMADO

Um convite para ouvir grandes temas da MPB (Música Popular Brasileira) e pérolas de carnaval em DJsets especiais. Uma noite para sorrisos, danças e encontros.

An invitation to listen to great themes of MPB (Brazilian Popular Music) and carnival pearls in special DJsets. A night for smiles, dances and meetings.

 

04/03/2022 – Sexta-feira – A partir das 22h00

Salão Brazil – Coimbra, Portugal

 

 

CULTURA CULTO Sound System

Suprasensorial + Pedro D-Lita

Suprasensorial é um projeto de experimentação sonora guiado pelo multifacetado Wagner Merije. Suas músicas podem ser ouvidas em discos, filmes, programas de TV, exposições de arte e em outros ambientes. Já se apresentou em casas de concertos e festivais em países como Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, França, Espanha e Portugal. www.merije.com.br

Pedro D-Lita é produtor, brasileiro, autor e fundador do selo B•Mundo (Music Art Concept) e dos eventos “Samba Soul” e “Baile Bom! em Paris. Já produziu vários shows em Londres (O Rappa, Marcelo D2, Nação Zumbi) e é co-fundador do grupo Stereo Maracanã, com o qual fez turnês em diversos festivais no Brasil e na Europa: Humaitá pra Peixe (RJ-2003), Abril pro Rock (PE-2003), Popkomm (2008) em Berlim, e se apresentou em várias salas de concerto em Paris, Londres, Bruxelas e Amsterdã (2007 e 2008) . Lançamento do cd “Combatente” sob o selo “Maianga” YB, mixado em São Paulo. Masterização dirigida por Tom Coyne – Sterling Sound Studio em NY. Participação em coletâneas de música britânica Brazilian, “Brazilian Beats” e “Essential Brazilian Flavas”. www.bmundo.co.uk
@bmundolabel / @pedrodlita

Vídeo “Freestyle Love – Stereo Maracanã”: https://youtu.be/hCcqYCfJQqI

 

Entrada franca mediante reserva pelo e-mail: faleaquarela@gmail.com

Free admission upon reservation by email: faleaquarela@gmail.com 

 

Mais informações: www.aquarelabrasileira.com.br

faleaquarela@gmail.com

 

Arte: Heitor dos Prazeres

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O ser humano é um selvagem fugindo da educação


29 jun

Eles param um preto na beira da estrada na boca da noite, altas horas Eles cercam o preto que voltava para a casa E derrubam o preto na terra seca O preto é pacífico e não reage Foi pego de surpresa O preto cai de cara no chão duro Enquanto os três homens riem Um quarto homem acelera o carro e joga fumaça preta na cara do preto para delírio dos quatro homens que riem, riem muito Eles filmam a fumaça espessa atirada na cara do preto que ainda mais preto, atordoado e intoxicado parece completamente perdido Eles filmam tudo cada um com seu iphone novo e riem, riem, riem enquanto atacam o preto da estrada Será que estão bêbados? Será que são brancos? Será que são ricos? Me pergunto enquanto chutam o preto O que sei é que são infames! E cospem no preto E filmam tudo E compartilham nas redes sociais rindo, rindo muito Urinam na cara intoxicada do preto Cospem no preto Batem no preto E ainda dizem: Seu preto! Quem eles pensam que são? Quem lhes deu esse direito? O que eles têm na cabeça? Por que se comportam assim? Ainda dizem que não há racismo. Ah, isso é só brincadeira de menino O diabo tentou E eles caíram. Mentira! Mentira! O preto estava no caminho De homens maus e sem caráter. Assassinos! Covardes! Covardes! Quatro contra um indefeso Desamparado e sozinho Assaltado no meio do caminho Eles se acham superiores Eles têm sangue nas mãos Eles não se importam Eles têm advogados bons E dizem que não há racismo E riem, riem, riem Sabendo que farão de novo E seguirão impunes Tem sido assim há tantos séculos Tem sido assim com negros, indígenas, refugiados, mulheres Tem sido assim e o mundo é cego Me revolto, me debato Mas não sou o preto não Sou apenas um indignado em um mundo em que o ser humano é um “selvagem” fugindo da educação

29/06/2020, Coimbra, no Portugal que escravizou pretos, a partir de um vídeo visto no facebook, e depois de George Floyd e tantos outros trucidados pelas estradas escuras da vida bandida, no Brasil, na África e por aí afora De Wagner Merije (em construção)

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Nos salva


26 mar

Nos salva, poema visual de Wagner Merije

 

 

 

Nos salva, poema visual de Wagner Merije

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Psyché e Hamlet vão para Hodiohill


12 nov

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Psyché e Hamlet vão para Hodiohill, novo lançamento da Aquarela Brasileira Livros, é uma história de amor em meio ao caos

 

* Obra selecionada para o Prêmio Oceanos 2020

 

Psyché & Hamlet vão para Hodiohill, novo romance de Wagner Merije, conta a história de amor de duas almas sensíveis, P e H, que se conhecem num aeroporto, pouco antes de embarcarem rumo ao desconhecido. Mas os dois não seriam capazes de prever tudo que iriam viver em Hodiohill.

Em uma escrita ágil e inteligente, com pinceladas de humor, sentido de liberação e transfiguração, Psyché & Hamlet vão para Hodiohill convida leitores e leitoras para viverem uma história de amor carregada de aventura, suspense e grandes questionamentos existenciais.

Entre reviravoltas e situações insólitas e distópicas, o que está em jogo é o poder do amor e de que forma a Humanidade poderá salvar-se de inúmeros impasses.

O autor embaralha as fronteiras do gênero romance, mas por uma boa causa. Pelo olhar e vivências das personagens são abordados temas como a violência, o autoritarismo, o fanatismo religioso, o colonialismo, a xenofobia, o patriarcalismo, o machismo e padrões de relacionamentos afetivos.

Ao final de uma montanha russa carregada de adrenalina e fortes emoções, algumas perguntas ficam no ar, como: “de onde vem o ódio que tomou muitas vidas e países de assalto?”; “por quê perdemos tanto tempo com intrigas e guerras, quando a vida passa tão rápido e se esvai como uma chama?”

Psyché & Hamlet vão para Hodiohill é o segundo romance de Wagner Merije, autor de trabalhos diferentes e, ao mesmo tempo, em constante diálogo. Publicou os livros Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres (2017), Mexidinho (2017), Cidade em transe (2015), Viagem a Minas Gerais (2013), Torpedos (2012), Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013, e Turnê do Encantamento (2009). Além destas obras, participou de coletâneas, organizou, editou e prefaciou mais de duas dezenas de livros, entre os quais estão obras de Fernando Pessoa, Camões, Camilo Pessanha e João José Cochofel, e títulos como O garoto Regulus – Freireando a vida (2019), Coimbra em imagens (2019), Coimbra em palavras (2018), São Paulo em imagens (2017), São Paulo em palavras (2016), Trinta Anos-Luz – Poetas celebram 30 anos de Psiu Poético (2016) e Pelas periferias do Brasil vol. 6 (2016). É investigador na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo publicado ensaios e artigos sobre literaturas de língua portuguesa, inglesa e grega. Saiba mais em www.merije.com.br

 

DADOS DO LIVRO
Título: Psyché e Hamlet vão para Hodiohill
Autor: Wagner Merije
Editora: Aquarela Brasileira Livros
Gênero: Romance
Formato: 14 x 21 cm
Número de páginas: 164
ISBN: 978-85-92552-20-6
DL: 461950/19
Web: www.aquarelabrasileira.com.br/psyche-e-hamlet-vao-para-hodiohill
Encomendas: faleaquarela@gmail.com

 

LANÇAMENTOS/APRESENTAÇÕES
LISBOA/PT – 23/11/19 – sábado – das 16h30 às 18h30
Lugar Específico – Rua Actor Vale, nº 16 B

COIMBRA/PT – 26/11/19 – terça-feira – das 20h às 22h
Liquidâmbar – Praça da República nº 28 1º

PORTO/PT – 28/11/19 – quinta-feira – das 21h às 23h
Unicepe – Praça de Carlos Alberto, 128-A

SÃO PAULO/SP – 10/12/19 – terça-feira – das 19h às 21h
Casa de Portugal -Av. da Liberdade, 602 – Bairro da Liberdade

SÃO PAULO/SP – 14/12/19 – sábado – das 13h às 15h
O Autor na Praça – Espaço Plínio Marcos – Praça Benedito Calixto – Vila Madalena

BELO HORIZONTE/MG – 17/12/19 – terça-feira – das 19h às 21h
Livraria do Belas – Rua Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes

BELO HORIZONTE/MG – 28/01/20 – terça-feira – das 19h às 21h
Asa de Papel Café & Arte – Rua Piauí, 631 – Santa Efigênia

SÃO PAULO/SP – 04/02/20 – terça-feira – das 19h às 21h
Patuscada Livraria, Bar & Café – Rua Luís Murat, 40 – Vila Madalena

*Programação sujeita a mudanças

 

Acompanhem tudo por aqui:
www.aquarelabrasileira.com.br/psyche-e-hamlet-vao-para-hodiohill

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Além_música, literatura e arte na RUC


03 jan

Excelente entrevista com Wagner Merije sobre arte e música realizada pelo radialista e músico Vasco Otero, na RUC, Rádio Universitária de Coimbra, Portugal.

Uma conversa franca e inspirada sobre música, literatura, arte e encontros.

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Sounds, lights, images – Visual Brasil Barcelona


02 out

Barcelona fica ainda mais colorida quando chega o Visual Brasil.

Em 2018 o festival comemorou sua 16ª edição. Confira as imagens.

Barcelona is even more colorful when Visual Brasil arrives.

In 2018 the festival celebrated its 16th edition. Check out the pictures.


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Merije

Vlog do Wagner Merije


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