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Vento leve, vento cru_Gentle wind, cruel wind


28 fev

Leva-me, vento leve, mas não me leves inteiro.
Deixa ficar aqui os pés que ainda querem chão,
as mãos que ainda tateiam o escuro em busca de outra mão,
o coração que insiste em ser órgão, não metáfora.

Cabeça e tronco separados — essa é a invenção moderna:
a cabeça voando em direção aos lucros,
o tronco arrastado pelas dívidas,
e entre eles, um vão onde a alma deveria estar
mas está alugada, hipotecada, vendida em prestações
a juros compostos e consciência pesada.

Mente e alma, essa antiga dualidade barata —
como se a mente fosse o escritório e a alma o depósito,
como se uma pudesse funcionar sem a outra,
como se a contabilidade da vida coubesse em partidas dobradas.

Não é propriamente meu esse desequilíbrio.
Não fui eu quem separou o pensar do sentir,
quem fez do afeto um produto,
da alegria uma meta a ser atingida com metas,
da tristeza uma doença a ser medicada em três doses diárias.

Inventivamente inventaram isso em mim.
Com que fineza de navalha, com que precisão cirúrgica
me inseriram a culpa como um chip,
me programaram o desejo como um algoritmo,
me venderam a felicidade como um pacote de milhagem
que expira antes da viagem.

Oh, sábios detratores, doutores do rebaixamento,
vós que trabalhais para companhias excusas
— aquelas sem rosto, sem sede, sem vergonha —,
vós que fazeis do rebaixamento um ofício
e da mediocridade alheia vosso salário.

Conheço-vos bem.
Sois os mesmos que crucificaram o profeta e venderam a cruz como relíquia.
Os mesmos que silenciaram o poeta e depois lhe compraram os versos por metro.
Os mesmos que fizeram do sol uma lâmpada a ser paga no fim do mês.

Trabalhais, sim, trabalhais:
no turno da manhã, espalhais a notícia de que o bem é ingenuidade;
no turno da tarde, ensinais que o amor é negócio mal administrado;
no turno da noite, escreveis os relatórios que justificam
deixar os bons por baixo, sempre por baixo,
como carpete, como alicerce, como terra onde os palácios se erguem.

E vende-se, vende-se, vende-se:
vende-se logo um medicamento para a tristeza de existir,
vende-se a alma em kit de autoconhecimento,
vende-se flores no dia em que o amor é obrigatório,
vende-se caixões em parcelas que cabem no bolso,
vende-se documentos que provam que você é você
— por apenas trinta reais, promovemos seu esquecimento.

Tudo se vende, tudo tem preço:
o choro da criança que quer colo vira transtorno de apego,
a revolta do jovem que não aceita o mundo vira crise de identidade,
a exaustão do trabalhador vira síndrome,
a solidão do velho vira doença neurodegenerativa.

Há sempre um comprimido, sempre um laudo, sempre um diagnóstico.
Há sempre uma empresa, sempre um lobby, sempre uma campanha.
Há sempre uma maneira de transformar a dor em lucro,
a vida em consumo,
a morte em oportunidade de negócio.

Mas eu, vento leve, eu te peço:
leva-me não para longe, mas para dentro.
Para o centro exato onde ainda não chegaram os vendedores.
Para o santuário íntimo que ainda não foi zoneado,
patenteado, leiloado, rateado entre acionistas.

Leva-me para aquele lugar onde a cabeça e o tronco ainda conversam,
onde a mente e a alma ainda se reconhecem como irmãs siamesas
— separá-las seria a morte de ambas.

E de lá, deste ponto cego do mercado,
desta bolha de ar no grande oceano das mercadorias,
deixa-me ver o mundo como ele é:
não como me vendem, não como me convencem,
mas como ele geme nas suas fundações
esperando que alguém, um dia,
recuse o medicamento e aceite a cura,
recuse a alma empacotada e aceite o vazio criador,
recuse as flores murchas do calendário
e plante no chão úmido da própria carne
a semente do que ainda pode ser.

Porque os bons estão por baixo, sim.
Mas é por baixo que as raízes crescem.
É por baixo que a terra fermenta.
É por baixo que o mundo, quando rui,
encontra o chão firme para recomeçar.

Vento leve, vento justo,
leva-me, sim.
Mas leva-me para o fundo.
Para o subsolo da existência.
Para onde os vendedores não descem
porque não há lucro, não há escala, não há retorno.

E de lá, deste aquário escuro e fértil,
deixa-me subir — não como produto,
não como alma à venda,
não como consumidor satisfeito —,
mas como testemunha.
Como aquele que viu o sistema por dentro
e preferiu o desequilíbrio sagrado
à equilíbrio morto dos que se vendem inteiros.

Leva-me, vento.
Mas deixa que eu volte.
Com os pés no chão,
com a cabeça nos ombros,
com a alma onde sempre esteve
— escondida, sim,
mas não à venda.

Um poema de Wagner Merije

Take me, gentle wind, but do not take me whole.
Leave here the feet that still want ground,
the hands that still grope the dark in search of another hand,
the heart that insists on being organ, not metaphor.

Head and trunk separated — that is the modern invention:
the head flying toward profits,
the trunk dragged by debts,
and between them, a void where the soul should be
but is rented, mortgaged, sold in installments
with compound interest and heavy conscience.

Mind and soul, that ancient cheap duality —
as if the mind were the office and the soul the warehouse,
as if one could function without the other,
as if life’s accounting fit into double-entry books.

This imbalance is not properly mine.
It was not I who separated thinking from feeling,
who made affection a product,
joy a goal to be achieved with goals,
sadness a disease to be medicated in three daily doses.

Inventively they invented this in me.
With what finesse of razor, with what surgical precision
they implanted guilt in me like a chip,
programmed desire in me like an algorithm,
sold me happiness like a mileage package
that expires before the journey.

Oh, wise detractors, doctors of debasement,
you who work for shady companies
— those without face, without headquarters, without shame —,
you who make debasement a profession
and others’ mediocrity your salary.

I know you well.
You are the same who crucified the prophet and sold the cross as a relic.
The same who silenced the poet and later bought his verses by the meter.
The same who made the sun a lightbulb to be paid at month’s end.

You work, yes, you work:
on the morning shift, you spread the news that good is naivety;
on the afternoon shift, you teach that love is poorly managed business;
on the night shift, you write the reports that justify
keeping the good ones down, always down,
like carpet, like foundation, like earth where palaces rise.

And they sell, they sell, they sell:
they quickly sell a medication for the sadness of existing,
they sell the soul in a self-knowledge kit,
they sell flowers on the day love is mandatory,
they sell coffins in installments that fit in the pocket,
they sell documents proving you are you
— for just thirty reais, we promote your forgetting.

Everything is sold, everything has a price:
the cry of the child who wants to be held becomes attachment disorder,
the revolt of the young who won’t accept the world becomes identity crisis,
the worker’s exhaustion becomes syndrome,
the old person’s loneliness becomes neurodegenerative disease.

There is always a pill, always a report, always a diagnosis.
There is always a company, always a lobby, always a campaign.
There is always a way to turn pain into profit,
life into consumption,
death into business opportunity.

But I, gentle wind, I ask you:
take me not far away, but inward.
To the exact center where the sellers have not yet arrived.
To the intimate sanctuary not yet zoned,
patented, auctioned, divided among shareholders.

Take me to that place where head and trunk still converse,
where mind and soul still recognize each other as Siamese twins
— to separate them would be the death of both.

And from there, from this blind spot of the market,
from this air bubble in the great ocean of commodities,
let me see the world as it is:
not as they sell it to me, not as they convince me,
but as it groans in its foundations
waiting for someone, someday,
to refuse the medication and accept the cure,
to refuse the packaged soul and accept the creative void,
to refuse the wilted flowers of the calendar
and plant in the moist soil of one’s own flesh
the seed of what may still be.

For the good ones are down below, yes.
But it is down below that roots grow.
It is down below that earth ferments.
It is down below that the world, when it crumbles,
finds firm ground to begin again.

Gentle wind, just wind,
take me, yes.
But take me to the depths.
To the basement of existence.
To where the sellers do not descend
because there is no profit, no scale, no return.

And from there, from this dark and fertile aquarium,
let me rise — not as product,
not as soul for sale,
not as satisfied consumer —,
but as witness.
As one who saw the system from within
and preferred the sacred imbalance
to the dead balance of those who sell themselves whole.

Take me, wind.
But let me return.
With feet on the ground,
with head upon shoulders,
with soul where it has always been
— hidden, yes,
but not for sale.

A poem by Wagner Merije

DESCRIÇÃO DA IMAGEM:

Uma figura humana fragmentada flutua em um céu tempestuoso de tons cinza e prata. O corpo está dividido em três partes principais que não se tocam: a cabeça, transformada em um balão aerostático inflado por notas de dinheiro que escapam como ar quente; o tronco, que pende pesadamente como um sino de igreja rachado, com um badalo em forma de comprimido batendo silenciosamente contra suas paredes internas; e as pernas, que permanecem fincadas em um chão árido onde flores murchas crescem de cabeça para baixo, suas raízes expostas ao céu.

Ao redor da cabeça-balão, pequenas figuras sem rosto — os detratores — flutuam em nuvens escuras, segurando contratos e prescrições médicas que se desenrolam como serpentinas fúnebres. Eles sorriem com dentes que são cápsulas de remédio.

Do tronco-sino, um som silencioso escapa em ondas concêntricas, cada onda carregando palavras: “alma”, “flores”, “caixões”, “documentos” — que se dissolvem no ar antes de alcançar o chão.

No horizonte, uma linha tênue de luz separa o céu tempestuoso de uma planície infinita onde milhares de figuras minúsculas, de cabeças baixas, caminham em direção a um ponto de venda que brilha como uma cidade de papel.

O estilo é de uma gravura expressionista alemã — contrastes dramáticos, linhas angulares, texturas granuladas — com a precisão surrealista de um sonho de Kafka dirigido por Bergman.

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O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm


28 jan

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.

A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.

E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.

Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.

Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.

A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?

Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.

Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.

O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.

Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.

A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.

Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM

This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.

The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.

And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.

They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.

They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.

The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?

Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.

I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.

The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.

So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.

The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.

A poem in process by Wagner Merije

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Um Furacão em Lisboa


13 maio

AQUARELA BRASILEIRA Livros orgulhosamente apresenta o novo romance de Wagner Merije, uma vibrante mistura de música, paixão, reinvenção e cultura pop na Lisboa contemporânea

Em seu novo romance, Um Furacão em Lisboa, o escritor e criador multimedia Wagner Merije transforma palavras em música, emoções em cinema, e Lisboa num palco onde arte, liberdade e desejo se encontram numa coreografia arrebatadora.

O livro, publicado pela Aquarela Brasileira Livros, é mais do que um romance: é uma experiência sensorial e emocional, que desafia as fronteiras entre realidade e ficção. De fundo está uma história de amor ambientada na capital de Portugal ao mesmo tempo em que o autor presta uma homenagem à cidade com um mergulho profundo em sua vida e sua geografia.

Inspirado em fatos reais e ambientado na Lisboa contemporânea, o romance oferece uma narrativa vibrante e provocadora, na qual arte, cultura pop, erotismo e reinvenção se entrelaçam de forma única. O narrador, Julian, é amigo íntimo de Madonna, e nos conduz pelos bastidores da presença da artista em Portugal — numa trama permeada por canções, afetos e descobertas.

Com narrativa fluida e atmosfera magnética, o autor constrói um retrato íntimo e simbólico de uma cidade em ebulição – Lisboa é a protagonista do enredo -, e de uma artista em metamorfose – Madonna, a Rainha do Pop.

Cada capítulo leva o nome de uma canção da Diva — criando uma playlist literária que embala o leitor por becos, palácios, palcos, silêncios e revelações. Madonna surge não como ícone inalcançável, mas como força vital: mulher, mito, musa, mãe e espelho de inquietações coletivas.

Um romance original e surpreendente que levanta reflexões sobre liberdade criativa, imigração, maternidade e o poder transformador da arte. Um Furacão em Lisboa é um tributo à liberdade de ser e criar, e um mergulho literário para quem acredita que a arte — como a vida — deve ser vivida em volume máximo. Pelas páginas do livro aparecem dezenas de personagens do mundo cultural, esportivo, político e da alta sociedade.

Com uma escrita pessoal e universal, embalada pela batida da Cultura Pop e pelo lirismo de quem conhece os bastidores da arte, Wagner Merije constrói um romance que é sinfonia — feita de palavras, memórias, paixão e descobertas.

SOBRE O AUTOR

Wagner Merije é um autor para quem a literatura é movimento, busca e revelação. Seu universo literário é tecido por pessoas, lugares e acontecimentos que, mesmo ancorados no real, vibram com intensidade ficcional. Com obras para todas as idades, o escritor desafia fronteiras geográficas e estilísticas, criando narrativas que dialogam com leitores em qualquer parte do mundo.

Doutor em Letras pela Universidade de Coimbra, com raízes no Brasil e nacionalidade portuguesa, Wagner Merije é também jornalista, gestor cultural e criador multimédia. Seu trabalho combina profundidade intelectual e sensibilidade artística, resultando numa escrita ao mesmo tempo provocadora e generosa — daquelas que permanecem ecoando muito depois da última página. Saiba mais em: www.merije.com.br

DADOS DO LIVRO

Título: Um Furacão em Lisboa

Autor: Wagner Merije

Editora: Aquarela Brasileira Livros

Gênero: Romance

Medidas: 14 x 21 cm

Número de páginas: 176

Formato: Impresso e Digital

Público: Jovens e adultos, amantes da literatura contemporânea, da cultura pop e da música

Link direto: www.aquarelabrasileira.com.br/um-furacao-em-lisboa

Encomendas e entrevistas: faleaquarela@gmail.com

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Luz na Escuridão: Wagner Merije e o Grupo Galpão estudam José Saramago e o Ensaio sobre a Cegueira


20 jul

O fabuloso Grupo Galpão, uma das mais respeitadas companhias teatrais do Brasil, convidou o Doutor em Letras pela Universidade de Coimbra, Wagner Merije (também conhecido como Wagner Rodrigues Araújo), para ministrar uma aula especial, que foi intitulada Luz na Escuridão: Uma aula sobre José Saramago e o Ensaio sobre a Cegueira.

A aula foi realizada na sede do grupo, em Belo Horizonte, no dia 19 de julho de 2024, e teve como objetivo inspirar e apoiar os atores na preparação para uma nova montagem baseada na emblemática obra de José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira.

Nesta aula, Wagner Merije compartilhou insights sobre a profunda mensagem da obra de Saramago, discutindo suas complexas reflexões sobre a condição humana, a ética e o poder. Para Saramago, o fenômeno da “cegueira” representa muito mais do que a perda da visão; ele simboliza a falta de empatia e compreensão, uma metáfora universal que, infelizmente, permanece atual. Em sua exposição, Merije abordou não só o conteúdo literário, mas também o impacto de Saramago na literatura mundial e as possíveis ressonâncias da obra no contexto teatral.

O Grupo Galpão e sua trajetória no teatro popular e contemporâneo

Fundado em 1982, o Grupo Galpão se destaca pela sua capacidade de unir o teatro popular e o erudito, sendo pioneiro em peças que mesclam a tradição do teatro de rua com abordagens contemporâneas e palcos formais. Com sede em Belo Horizonte, o grupo desenvolveu uma linguagem artística plural, que transita entre o universal e o regional brasileiro, e que busca um contato direto e impactante com o público. Ao longo dos anos, o Galpão já se apresentou de norte a sul do Brasil e em vários festivais internacionais na América Latina, América do Norte e Europa.

O Grupo Galpão é composto por 12 atores que colaboram com diretores renomados, entre eles Fernando Linares, Paulinho Polika, Gabriel Villela, Cacá Carvalho e Paulo José, entre outros. Estes encontros com diversas vozes e direções enriqueceram a trajetória do grupo, forjando um estilo único que permite o diálogo constante entre diferentes tradições e inovações do teatro.

A filosofia de criação do Grupo Galpão

Além de produzir espetáculos impactantes, o Galpão mantém uma prática de reflexão ética e cultural, explorando o papel do ator e do teatro dentro do universo social. Esta abordagem reflete-se na sua prática de um teatro de grupo colaborativo, que valoriza o aprendizado contínuo e a criação coletiva. O convite a Wagner Merije para uma aula sobre Saramago reforça esta filosofia, demonstrando o compromisso do grupo em explorar temas literários profundos e relevantes, traduzindo-os para a linguagem teatral.

Para saber mais sobre o Grupo Galpão e acompanhar as próximas produções, visite o website oficial: www.grupogalpao.com.br

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Nereida Encontros Internacionais de Música e Poesia


16 maio

Wagner Merije participa do Nereida – Encontros Internacionais de Música e Poesia, com duas atuações: uma conversa sobre poesia e edição durante a Aquarela Sessions, e apresentação da dupla Ulysses & Orpheu, ao lado do poeta portugués, Hélder Grau Santos.

Vai ter música e poesia e a entrada é livre, em meio ao belo Jardim da Sereia, em Coimbra, Portugal.

Mais informações: faleaquarela@gmail.com

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Visões de Mundos – História vs Ficção


19 mar

O escritor e músico Hélder Grau Santos, junto com o escritor, Doutor em Letras e criador multimedia Wagner Merije, participam do projeto VISÕES DE MUNDOS – História vs Ficção.

No evento os autores apresentam seus livros mais recentes, CircumNatação (2023) e Sol do novo mundo – Fatos e curiosidades sobre a Independência do Brasil e outras guerras e revoluções que impactaram o mundo (2022), dialogam com outros criadores e apresentam uma pequena tertúlia com música e poesia.

A proposta é discutir as fronteiras da história e da ficção nos livros e na vida, apresentando relatos que passam por Portugal, Brasil, Tibet e outras regiões do planeta.

Data: 23/03/2024 – Sábado

Horário: 17:00h – 19:00h

Local: Samambaia – Rua da Voz do Operário, 13 – Lisboa – Portugal

Acesso: Livre

Informações e contatos: faleaquarela@gmail.com

Realização: Samambaia & Aquarela Brasileira

SOBRE OS AUTORES

Hélder Grau Santos, criador de heterónimos artísticos como Asa de Borboleta, Anthony Clown, Poeta G e The Grauº (entre outros), é treinador de natação, professor do ensino básico, músico e escritor. Após um périplo de oito meses pela região dos Himalaias, trouxe plantado nos sonhos este livro, narrado pela voz etérea da nadadora mais teimosa de todos os tempos: Asa de Borboleta! É autor de CircumNatação (2023), O Livro das Canções (2021), Os Segundos Nomes (2020), dentre outras publicações. www.aquarelabrasileira.com.br/circum_natacao

Wagner Merije é Doutor em Letras pela Universidade de Coimbra (Portugal). Atua na área de Humanidades, com ênfase nos Estudos Literários, Culturais e Interartísticos. Também é jornalista, educador, escritor, editor e gestor cultural. É autor de Sol do novo mundo – Fatos e curiosidades sobre a Independência do Brasil e outras guerras e revoluções que impactaram o mundo (2022), Conhece-te a ti mesmo – Pensamentos e práticas à procura de novas primaveras (2021), Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres (2017), Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria Educação, dentre outros, além de artigos sobre suas áreas de atuação. Editou obras de Fernando Pessoa, Camões, Antero de Quental, Florbela Espanca, Camilo Castelo Branco, Mário de Sá-Carneiro, Camilo Pessanha, Pêro Vaz de Caminha, dentre outras. www.merije.com.br

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Vozes Encantadas de Saramago


15 fev

VOZES ENCANTADAS DE SARAMAGO_arte Penacova

“Vozes Encantadas de Saramago” é um espetáculo lúdico inspirado nos livros “A Maior Flor do Mundo” e “O Conto da Ilha Desconhecida”, interpretado com vozes, sons e imagens a espraiar o encanto das palavras de José Saramago. É inspirador e cativante para todas as idades, especialmente para todos aqueles que mantêm o coração de criança.

Concepção e apresentação Wagner Merije

Local: Auditório Municipal de Penacova
Data: 08/03/2024 – Sexta-feira
Horário: 10:00h
Acesso livre

Informações e contactos: aquarelabrasileira.com.br

 

SOBRE O AUTOR

Wagner Merije (Wagner Rodrigues Araújo) é Doutor em Letras pela Universidade de Coimbra (Portugal). Atua na área de Humanidades, com ênfase nos Estudos Literários, Culturais e Interartísticos. Se dedica ao estudo da distopia e da utopia, das obras de José Saramago e de Ignácio de Loyola Brandão, e da poesia em língua portuguesa.

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Gira Gira Mundo


11 nov

A Aquarela Brasileira Multimedia orgulhosamente apresenta um programa mui divertido como um teatro de variedades.

 Gira Gira Mundo_divulgação_1280

Gira Gira Mundo é um projeto multimedia que une música, literatura e imagens numa celebração ao encontro de pessoas de diferentes nacionalidades que co-criam em Coimbra.

 

 

Programa

Audiovisuais

The Body Poets – Grocery Store

The Wikidrummer

Japanese Collective Electronicos Fantasticos

Say She She – Questions

Suprasensorial – Deus criou o beat

The Cat Tale

Circum-Natação, o teaser

 

Literatura

 Apresentação do livro Circum-Natação, com presença do autor Hélder Grau Santos (Asa de Borboleta)

Poemas com Jazz com Rita Gomes e Sónia Gonçalves

 

Música

Blarmino

Dj Suprasensorial

 

Palavras pela Paz

 

 Data:16/11/2023 – Quinta-feira

Horário: a partir das 21:00 horas

Local: Liquidâmbar – Praça da República nº 28 1º – Coimbra – Portugal

Entrada: Livre

Entidade Organizadora: Aquarela Brasileira

Informações: faleaquarela@gmail.com

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Wagner Merije faz conferência no Folio 2023_Festival Literário Internacional de Óbidos


14 out
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O escritor, editor, jornalista e investigador da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Wagner Merije, é um dos convidados do Folio 2023, Festival Literário Internacional de Óbidos, Portugal.
No Castelo de Óbidos, em Portugal, no dia 14/10/2023, dentro da programação do Folio Educa, Wagner Merije faz uma conferência sobre os escritores José Saramago e Ignácio de Loyola Brandão.
O evento acontece na Óbidos Chocolate House e tem entrada livre.

17h00 \\\ FOLIO EDUCA

Conferência: José Saramago e Ignácio de Loyola Brandão: Lições do precipício – Uma conversa sobre utopia e distopia
Saiba mais aqui em 14 Outubro 2023 | Folio Festival

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Sons Saberes e Sabores da Lusofonia 2023


18 jun

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O IV Festival Sons, Saberes e Sabores da Lusofonia vai decorrer nos dias 23, 24 e 25 de junho e vai juntar no Parque Manuel Braga, em Coimbra, Portugal, a cultura e gastronomia dos países de língua oficial portuguesa.

Há três espaços temáticos a visitar: a Tenda dos Sabores, onde vai ser possível provar iguarias de cada comunidade; a Tenda dos Sons, onde vai haver música e dança típicas das comunidades; e a Tenda dos Saberes, no Museu da Água, onde vão ser apresentados livros e promovidas conversas com os autores. O escritor e editor Wagner Merije será um dos mediadores.

O festival é organizado pela União de Freguesias de Coimbra e pela Câmara Municipal de Coimbra.

 

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São três dias dedicados à cultura e à gastronomia dos países oficiais de língua portuguesa. O festival vai decorrer na margem direita do rio Mondego, no Parque Manuel Braga, onde vão estar instaladas várias tendas temáticas: dos Sabores, onde vai ser possível provar iguarias de cada comunidade, dos Sons, um palco aberto à dança e à música, incluindo as canções de além-mar; e dos Saberes, onde vão ser divulgados e apresentados livros e promovidas conversas com os autores.

O festival começa na sexta-feira, dia 23 de junho, às 18h00 e, nesse dia, prolonga-se até às 24h00. O destaque do dia vai para a gastronomia de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Às 18h15, vai ter lugar o primeiro momento musical na Tenda dos Sons, com Pedro & Mel, acompanhados por Felipe Barão (Brasil). Já às 18h45, no Museu da Água, vai ser inaugurada a exposição “Línguas em Português”, que reúne trabalhos de alunos do Colégio Bissaya Barreto. Vai haver lugar, ainda, para uma conversa com o escritor angolano João Melo, sobre a obra “Será Este Livro Um Romance?”, apresentada por Pires Laranjeira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A conversa vai ser moderada por Rui Amado e Wagner Merije. Às 21h30, Nelson Saron Band, de Angola, vai encher a Tenda dos Sons.

 

No sábado, dia 24 de junho, o festival começa às 12h30 e termina às 24h00. Do programa de sábado, destaque para um desfile de moda de São Tomé e Príncipe, às 15h30, e a atuação do grupo cabo-verdiano Judepina & Banda, às 16h00. Às 17h00, no Museu da Água, vai ter lugar uma conversa com os escritores Zetho Cunha Gonçalves (Angola), Ronaldo Cagiano (Brasil) e Jaime Rocha (Portugal), com moderação de Rui Amado e Wagner Merije. Às 17h30, atua a QUARENTUNA e, a partir das 18h15, na Tenda dos Sabores, vai decorrer um momento de degustação, com versos Vira-Latas, com o Colectivo BALEIA (Brasil). Seguem-se concertos musicais, com o Coro das Mulheres da Fábrica (Portugal), o Grupo de Danças Tradicionais (Moçambique) e Pantera Mirex-g “King of Swag” (Moçambique).

 

No último dia, domingo, o festival decorre das 12h30 às 19h00. O dia é preenchido com momentos de degustação, música e conversas com escritores. Neste último campo, destaque para uma conversa com os escritores Olinda Beja (São Tomé e Príncipe), Aurelino Costa e Rosa Fonseca (Portugal), com acompanhamento musical de Hector Costa e moderação de Rui Amado e Wagner Merije. O encerramento do festival vai ter música e dança, com as Batucadeiras “Ramedi Terra Vitória” (Cabo Verde) e a Tribo da Dança.

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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