Cidade em transe o livro

22 jun

capa_cidadeemtranse_merije_final_recortada

Galeria de imagens Cidade em transe

 

“Nesse Universo de transe, agora pelos olhos do mineiro Merije e não do baiano Glauber,  viajamos por uma ficção que poderia ser realidade (ou uma realidade que poderia ser ficção?) em um labirinto confuso de prédios, carros e batidas – policiais, de automóveis, de botecos e de rap – onde uma geração que teve como oráculo a cultura hip hop precisa acalmar o jogo e tentar re-colocar as peças em seus lugares. Entre pressões e re-pressões, o tempo é o mesmo mas parece outro, mais curto, é uma bomba prestes a estourar e tudo pode acontecer…” – Emicida – músico, compositor, que prefere ser apresentado como sonhador

“A cidade em transe de Wagner  Merije emerge nesse livro inesperadamente como um desorientado Godzilla do Tâmisa ameaçando o equilíbrio, fazendo a trilha para o tumulto e o caos, como o primeiro tiro, a primeira bomba ou o último beijo com seus Mc´s, grafiteiros e incorrigíveis românticos que apesar de todos os revezes e batalhas inglórias, ainda não desistiram da ultrapassada idéia de que é sempre possível esperar pelo “dia depois da guerra”. – Mário Bortolotto – escritor, ator, diretor do grupo Cemitério de Automóveis e vocalista e compositor da banda Saco de Ratos

“Cidade em transe” é um romance intenso, emocionante e surpreendente. A cidade de todos os brasileiros, São Paulo, é cenário de batalhas da polícia com a população, de jogos políticos e também de encontros transformadores. Em outras palavras, a cidade e suas manifestações sociais são tomadas como eixo da narrativa. O que era para ser mais um show de música acaba se transformando em uma guerra. E, em meio à violência e o caos em que a cidade mergulha, uma turma de jovens luta pela liberdade e pelo direito de fazer arte na grande metrópole brasileira.

“Cidade em transe” conta histórias de pessoas buscando e encontrando novos caminhos para suas vidas. Cada um é sujeito de sua própria história. Mistura fatos reais com ficção para retratar a cidade de São Paulo de forma crua, mas lírica, com sua diversidade de gente, suas riquezas e, principalmente, a violência que faz parte do cotidiano de quem nela vive. Respire fundo e mergulhe nessa aventura, no tempo real e no universo virtual.

É preciso ser forte e flexível para sobreviver na cidade que mais mata jovens e sonhos. Só mesmo a amizade, o amor e arte podem salvar quem luta por dignidade. Há um ditado antigo dos indianos que diz: “Quando o equilíbrio é rompido, mexe-se com as bases do civilizado. E o que era civilização pode tornar-se selva.” A cidade está em transe e os efeitos recaem sobre todos. Fique atento!

O livro “Cidade em transe” é recomendado para quem cultiva a adrenalina, o companheirismo, o amor, a poesia, a criatividade e o bom humor. Wagner Merije mostra sua versatilidade e sua verve de bom criador de histórias em um romance de fôlego, de intensos movimentos, ricos personagens e intricada trama.

A arte da capa é de Paulica Santos, a mesma do livro “Mobimento” e também responsável pelo design dos últimos trabalhos de Lenine. O prefácio é do rapper Emicida, a apresentação é do escritor, diretor, ator e músico Mário Bortolotto, e a arte do miolo é de Rômulo Garcias.

…… SOBRE O AUTOR ……

Cada um pode viver vários personagens e Wagner Merije recorre ao jornalista, ao poeta, ao músico e ao fotógrafo que tem dentro dele para contar essa história. Natural de Belo Horizonte/MG, na selva de concreto da paulicéia desvairada o escritor plantou raízes. Inovador, intelectualmente inquieto, Merije tem trabalhos lançados no Brasil e no exterior, parcerias com grandes artistas e alguns prêmios na bagagem. Escreve para adultos, jovens e crianças e publicou diversos livros, incluindo O Cotovelo Kovid (2020), Psyche & Hamlet vão para Hodiohill (2019), Astros e Estrelas – Memórias de um jovem jornalista em Londres (2017), Cidade em transe (2015), Viagem a Minas Gerais (2012),  Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria Educação, Torpedos (2011), Turnê do Encantamento (2009), dentre outros. Organizou e editou dezenas de livros, entre os quais estão obras de Fernando Pessoa, Luís Vaz de Camões, Florbela Espanca, Mário Sá-Carneiro, Camilo Pessanha, João José Cochofel, e títulos como Propostas Novas para Novos Mundos, Coimbra em palavras, Coimbra em imagens, São Paulo em palavras, São Paulo em imagens, Pelas periferias do Brasil: vol. VI, dentre outros. É compositor e produtor musical e trabalhou como jornalista, apresentador e roteirista para veículos no Brasil e no exterior. Criou o projeto MVMob – Minha Vida Mobile. Pai da Dora, ele adora viajar.

 

virada cultural 2007

…….. OPINIÃO DOS LEITORES ……..

“Acho muito interessante o ponto de partida ser na Virada Cultural, Praça da Sé, show de rap, confronto com polícia, manipulação da mídia… É o que vivemos   socialmente e eu gosto de uma literatura que vai nessas questões. É bem São Paulo também, seus lugares, os diferentes grupos sociais… Enfim, acho ótimo e muito oportuno. Vejo o trabalho de um artista antenado com seu tempo e espaço.” – Ricardo Ribeiro – ator, contador de histórias, escritor

“É uma crônica atualíssima… um raio x sobre estes novos tempos”.
Rômulo Garcias – artista visual, escritor, designer

“Cidade em transe destaca-se pelo domínio linguístico do autor, que transita com facilidade do padrão culto ao coloquial, deste aos dialetos e jargões, utilizando também linguagem tecnológica atualizada, um dos índices de modernidade do romance. Ainda no plano da linguagem encontram-se, incorporados ao corpus, verbetes que estabelecem um jogo de polifonia e intertextualidade com o tema da cidade e suas questões, tratado sob o eixo do espaço narrativo – opção complexa e interessante, na organização da obra. As personagens, algumas mais planas, outras de perfil psicológico mais aprofundado são marcantes e tendem mesmo a “roubar” a cena da cidade/espaço em certos momentos. Deve-se ainda destacar a veiculação de valores bastante positivos, principalmente quando se pensa que Cidade em transe tem potencial para atingir um público jovem, tão carente de boas palavras e exemplos.” – Marisa Simons – Doutora em Teoria Literária

“Acabo de terminar a leitura do seu livro, e não podia deixar de lhe enviar um email lhe parabenizando! UOOOOUULL!!! que livro man! Confesso que fiquei um pouco impaciente no começo, ansioso pelo apogeu da trama (pela prévia que você deu no Sarau Suburbano Convicto), estranhei um pouco os nomes dos personagens… mas no decorrer fui me familiarizando. Você descreve as cenas com excelência, tem uma linguagem poética bem peculiar, bem singular.
Cidade em Transe é um livro contemporâneo, dinâmico, emocionante, versátil. Vai do fundão de SP à rua Augusta pincelando fatos ocorridos, levantando questionamentos e criticas que são importantes serem lembradas. “A arte diz o indizível” (pág 63). Cidade em transe é uma obra de arte, e consegue diz muitas coisas, não dó diz, grita, berra, e as vezes sussurra, fala mansinho no pé do ouvido. “Quando o equilíbrio é rompido, mexe-se com as bases do civilizado.” E com certeza após a leitura de Cidade em Transe, minhas bases foram alteradas. Parabéns mais uma vez.” – Cleyton Mendes – poeta da periferia de São Paulo, carteiro, estudante de Comunicação Social, filho de merendeira e pedreiro

 

 

…… DADOS DO LIVRO ……

Autor: Wagner Merije
Editora: Aquarela Brasileira Livros
Número de páginas: 252
Gênero: Romance
Prefácio: Emicida/Mário Bortolotto
Gênero: Romance
Formato: 14×21 cm
ISBN: 978-85-918440-0-5
Encomendas: faleaquarela@gmail.com

 

……… AGENDA DE LANÇAMENTO ………

2016

Fevereiro
São Paulo/SP – Sesc Consolação – Contextos Literários – 15/02

Março
São Paulo/SP – Celebração dos 30 anos do Psiu Poético – Casa das Rosas Espaço Haroldo de Campos – 02/03

São Paulo/SP – Patuscada Bar (Vila Madalena) – 03/03

2015

Junho
São Paulo/SP – Famoso Bar do Justo (Santana)- 28/06

Julho
Paraty/RJ – OFF Flip – 02/07
Bonito/MS – Feira Literária de Bonito – 08 a 11/07
São Paulo/SP – Sarau da Cooperifa

Agosto
São Paulo/SP – Suburbano Convicto – 11/08, 19h30 às 20h

Setembro
São Paulo/SP – Espaço Cultural Alberico Rodrigues – Pça Benedito Calixto, Pinheiros

Outubro
Montes Claros/MG – 29º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético – 9 a 11/10

Caxias do Sul/RS – 31ª Feira do Livro de Caxias do Sul – 17/10

Novembro
São Paulo/SP – Casa das Rosas – 04/11, das 19h às 21h30

São Paulo/SP – Biblioteca Mário de Andrade – Feira Miolo(s) – 07/11, das 10h às 18h

 

……… CONTATOS COM O AUTOR, ENTREVISTAS, ENCOMENDAS ………

E-mail: faleaquarela@gmail.com

 

…… VEJA IMAGENS DE ALGUNS LANÇAMENTOS ……

Cidade em transe na Feira Miolo(s)

Cidade em transe na Casa das Rosas

Cidade em transe no Psiu Poético

Cidade em transe na FliBonito

Cidade em transe na Feira do Livro de Caxias do Sul

Cidade em transe no Famoso Bar do Justo

Cidade em transe na Flip (Paraty)

Cidade em transe na Suburbano Convicto

Cidade em transe na Benedito Calixto

……

….. FORMANDO NOVOS LEITORES DESDE CEDO …..

Dora lendo Cidade em transe_27062015

 

…

……… UMA TOUR POR LUGARES-CHAVES DO ENREDO ………..

Centro Histórico, Praça da Sé, Praça da República, Copam, Biblioteca Mário de Andrade, Viaduto do Chá, Rua Augusta, Sumaré, Aclimação, Brasilândia, Cidade Tiradentes

 

É preciso ser forte e flexível para sobreviver na cidade que mais mata jovens e sonhos. Só mesmo a amizade, o amor e arte podem salvar quem luta por dignidade. Há um ditado antigo dos indianos que diz: “Quando o equilíbrio é rompido, mexe-se com as bases do civilizado. E o que era civilização pode tornar-se selva.” A cidade está em transe e os efeitos recaem sobre todos. Fique atento!

 

……… SELVA DE CONCRETO E AÇO ………

“Um presente enorme assalta o passado.
Uma cidade é aquilo que dela se resolveu ver ou lembrar.
Não é que a gente se lembre dela,
é uma parte misteriosa e calada da cidade que se lembra da gente,
mas finge que não, que não é com ela, que não sabe
de nada de nós.” – Páginas 225-226

…

….. NO EMARANHADO DA CIDADE QUE NUNCA DORME …..
Quase oito anos depois, o livro tem início na Virada Cultural de 2007, em São Paulo. E o que rola depois é mais violência seguida de reistência!
No mais recente disco, “Cores e Valores” (2014), Edi Rock e os Racionais MC’s falam do episódio que ficou conhecido como “A guerra da Sé”, episódio central no enredo de “Cidade em transe”.

…

…… CIDADE EM TRANSE, VIRADA CULTURAL e EMICIDA ……
O enredo do meu novo livro tem início na Virada Cultural de 2007 na Praça da Sé, em São Paulo. Durante a Virada Cultural 2015 estive lá no Centro de São Paulo lançando simbolicamente o livro durante o show do grande Emicida, que foi quem fez o prefácio do livro. E o Emicida arrebentou, musicalmente e politicamente falando. Leia a matéria neste link: www.revistaforum.com.br/2015/06/o-discurso-politico-de-emicida-na-virada-cultural
É preciso estar atento com as forças conservadoras do mal.

Virada Cultural SP_Emicida_21062015_Foto: Merije

Virada Cultural SP_Emicida_21062015_Foto: Merije

…

… CIDADE EM TRANSE NO UNIVERSO DE RAUL DE SOUZA …

O HOMEM, O MITO Raul de Souza, trombonista reconhecido em todo o mundo, um dos pais da Bossa Nova e do Samba Jazz, lendo Cidade em transe

Foto: Merije

Foto: Merije

Confira outras fotos aqui

… …

NEM CHÃO NEM CÉU

Share

Obra-prima

22 jun

Quando a palavra
encontra rima
Uma estrofe pode virar
obra-prima

(Wagner Merije, do livro “Torpedos”)

Foto: Merije

Foto: Merije

Share

Mago do Subúrbio

17 jun

Mago do Subúrbio foi uma alcunha que usei por uma temporada de DJing na Praça Roosevelt, em São Paulo, na extinta boate Cube.

O som era Dub e ao meu lado estava o DJ Negaton, parceiro de loucuras.

 

Fotos para a memória

Share

Brasil Street Art – Racionais & Kobra

04 jun

Essa dobradinha Racionais MC’s e Kobra é sensacional!

Salve salve todos os artistas de rua! Viva a arte de rua brasileira!

Share

Lançamento do 57º Prêmio Jabuti

02 jun

O lançamento do 57º Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro, aconteceu dia 1º de junho, no Auditório Ernesto Igel, do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), no Itaim Bibi, em São Paulo.

No evento que contou com a presença de editores, escritores, jornalistas, profissionais do livro, presidentes e representantes de entidades e autoridades, foi anunciado que as inscrições para o Prêmio Jabuti 2015 estão abertas e seguem até 31 de julho.

Wagner Merije, escritor e editor, esteve presente.

jabuti-2015-68

 

 

 

 

 

Marisa Lajolo, curadora do Prêmio Jabuti, contou as novidades para a edição de 2015. Foram inseridas duas novas categorias: Adaptação e Infantil Digital. A primeira consiste em obras adaptadas, por meio de nova redação ou por transformação de textos em imagens, incluindo as histórias em quadrinhos. Já a segunda abrange conteúdos para o público infantil combinados a elementos multimídia interativos. Além disso, as categorias Arquitetura e Urbanismo e Artes e Fotografia foram unificadas, contemplando obras compostas por pesquisas, ensaios e textos profissionais relacionados a tais temas.

Para o presidente da CBL, Luís Antonio Torelli, as mudanças na edição de 2015 têm como propósito manter a premiação atualizada. Inclusive, essa é a base da nossa gestão: ‘mais livros em todos os sentidos’” afirma. “Para continuar sendo referência e ter reconhecimento, devemos atualizar os nossos critérios de avaliação. Afinal, temos mais de 50 anos de história”.

 

Share

Adorei te conhecer

22 maio

Dora_1 ano

 

 

Desde o primeiro dia que te vi

sabia que você era linda

por dentro e por fora

Adorei te conhecer. Você existir

é sonho que não finda

é começo de uma eterna aurora

Seu espírito, sua vibração

sua força, minha inspiração

sua boca, seus olhos brilhantes

sua graça e alegria contagiantes

não param de me encantar

Suas caras de curiosidade

seu amor de verdade

sua farra, sua alegria

natural simpatia

é puro poder de amar

Beijar você é como beijar as estrelas

estar com você é como estar no céu

Eu quero muito mesmo vê-la

eternamente ao lado meu

 

 

Um poema em elaboração para a pequena super fofa Dora, de Wagner Merije

 

Arte-montagem de fotos: Patricia Sbroio Martins

 

Share

Um dia de tigre

18 maio

Na selva
a fome se chama realidade
e o instinto é de matar a fome
Respiro fundo
sigo meu rumo sem saber para onde
sem saber nada de verdade
Animal irracional que devo ser
não penso, ataco
reivindico e me dão o título
de príncipe dos ataques
Dentes afiados mirando o outro
vermelho ouro líquido
Apresso-me, é chegada a hora
de saciar meus desejos
se assim os tenho
se assim mereço
Homem-tigre

 

Poema em elaboração de Wagner Merije

tiger Merije

Share

Retrato do artista quando coisa

14 maio

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

(Manoel de Barros)

manoel-610x350

Share

Negrume

13 maio

Sou negro
Mas não sou escravo
Ando trôpego
Mas não sou cambaio
Chibata, castigo pesado
Não vem pro meu lado
Sou negro
Mas não sou escuridão, sombra, negror
Longe de mim
Isso de cerração, trevas
Tristeza, melancolia
Sou lume
Perfume
Cardume
Cume
Volume
Pretume
Sou negro sim senhor
Mas sou livre

Poema do livro “Viagem a Minas Gerais” – Wagner Merije

corrente

A escravidão ainda não acabou!

Share

Análise do livro Viagem a Minas Gerais

12 maio

Em outubro de 2014, por ocasião do 28º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, a Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros/MG) convocou alguns de seus alunos do curso de Letras para analisar obras dos poetas que seriam homenageados, entre eles Wagner Merije.
Sob orientação da professora Telma Borges o estudante, poeta e músico Cícero Neto escolheu o livro “Viagem a Minas Gerais”, e fez uma excelente análise.

Cicero Neto recita Viagem a Minas Gerais_Psiu Poético

“Wagner Merije é escritor, jornalista, compositor, e videasta. Reside atualmente em São Paulo, onde está envolvido como projetos multimídia ligados à literatura, música, vídeo, fotografia e arte-educação. Não é por acaso que sua arte é associada a essa interatividade e é conhecida como suprasensorial, despertando a atenção e interesse de crianças, jovens e adultos. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Merije têm trabalhos no Brasil e exterior.
É autor dos livros de poesia Viagem a Minas Gerais (2013), Torpedos (2012), Turnê do Encantamento (2009) e Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012), que trata da apropriação do celular na educação e comunicação e foi finalista do Prêmio Jabuti 2013 na categoria “Educação”. Esses trabalhos foram lançados em diversos eventos, como Bienal do Livro de São Paulo, Balada Literária (SP), Casa das Rosas (SP), WebCurrículo (SP), Psiu Poético (MG), entre outros, e podem ser encontrados em livrarias e espaços culturais e educativos.
Merije também é criador e curador de eventos literários, como “Sarau Suprasensorial”, “Sarau do Memorial Minas Gerais-Vale”, “Sumário Poético” e “Bienal de Poesia de Minas Gerais”, e já participou dos grupos de poesia performática “Tripa de Mico Estrela” e “Panela de Expressão”. Por dois anos foi titular da coluna “Bom de Ler”, na revista BHS, com dicas de leitura.
Como jornalista, trabalhou para veículos no Brasil (Revista Palavra, Rede Minas, TV Horizonte, TV SENAC, O Tempo, Vivo Music Tones, Rádio Inconfidência, Savassi FM) e no exterior (Folha de São Paulo/caderno Folha Ilustrada, Euro Brasil Press, ambos em Londres) e é colaborador de revistas, jornais e sites.
Em paralelo, junto e interfaceando com a literatura, Merije se lança em constantes novas aventuras, pois acredita que toda experiência alimenta a escrita.
Na música lançou os discos autorais “Coletivo Universal” (2004), “Peopleware” (2009), “Se você perder a voz” (2011), “Suprasensorial” (2012). Nele, é proposto a mistura de nossos ritmos com a participação de trinta e dois músicos, entre eles, um dos mestres do trombone brasileiro Raul de Souza, “Liganóis” (2013), o DVD “Feito Durante o Dia” (2013), entre outros trabalhos. (fazer uma associação ao nome artístico “Merije” que é feito durante o dia).
Como roteirista e diretor audiovisual têm vários trabalhos exibidos na internet, em canais de TV e festivais de cinema.
No campo das iniciativas sociais, é idealizador e gestor do projeto cultural e educativo Minha Vida Mobile – MVMob- www.mvmob.com.br, que tem o objetivo de capacitar estudantes e educadores para produzir conteúdo audiovisual com celulares, fazendo do telefone um aliado no processo educacional.

Este trabalho objetiva apresentar o livro Viagem a Minas Gerais, do escritor, educador, jornalista, compositor, poeta e videasta Wagner Merije, na perspectiva de uma etnografia poética. Ao fazer sua travessia pelo estado de Minas, o autor dialoga com as línguas, religiões, tradições, que são transmitidas pelas gerações. Nessa perspectiva, acreditamos que mesmo sendo frutos da formação de várias etnias, conseguimos encontrar um ponto, ou alguns pontos em comum em na formação de povo mineiro, atestando assim nossa mineiridade.
Em Viagem a Minas Gerais, Merije faz uma epopéia contemporânea sobre nossos múltiplos Gerais, nossa identidade única de ser mineiro, povo desconfiado, de fala pouca e olhar sucinto. Com esmero aborda nossas raízes cavadas por diversas tribos e quilombos, facetas que nos compõem e nos faz ser assim, resistentes e bravos como o cerrado que nos envolve. Traz à tona a importância das marcas deixadas pelos nossos ancestrais: a língua, culinária, folclore e religiões. O livro é composto por setenta e oito poemas e o autor, em sua epopéia, atravessa mais de 220 municípios mineiros.
Nossas Minas são muitas e os Gerais vastos: geografia, divisas, fauna, flora, tudo em Minas parece querer falar. Um falar pouco, de voz macia e lenta, e já diziam que o relógio aqui anda mais lento mesmo, numa toada de carro de boi, num fim de tarde que se esvai junto com o cigarro de palha do matuto. Tudo aqui vira poesia, tudo aqui dá prosa na beirada do fogão, e de lá pro terreiro, onde se afina a viola, enquanto isso conta-se um causo, pronto, é folia de reis, é cantoria de fazer inveja, é festa de mineiro.
Índios e negros, com suas tribos e seus quilombos, abriram picadas nesse mundo sem fim, deixando aqui, de forma indelével, com todo seu sofrimento e sangue derramado, uma força desmedida que reverbera de forma aguda na alma do ser mineiro. Essa mesma força, e uso aqui uma expressão criada pelo poeta Merije: “caldo da cultura que eu tanto gosto”, foi o caldo grosso que nos dá um tempero e um sabor sui generis.
Em Viagem a Minas Gerais percebemos a presença de uma etnografia poética suscitada por Wagner Merije, que cumpre, como bom poeta que é, além de tantos outros compromissos com a poesia, o de ser, como diria Ezra Pound, a antena da raça. Antena essa que nos faz enxergar o valor dessas etnias várias em nossa formação, reconhecendo-as e assim, nos fazendo sujeitos entendedores de nosso processo de formação, auxiliando e iluminando essa relação com o outro, com Minas, com o mundo.
João Rosa em Grande Sertão: veredas, dizia que “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe pra gente é no meio da travessia”. É isso que o autor propõe. De forma audaciosa se embrenha e se move por entre nossas montanhas e cerrados, veredas e sertões, rios e cascatas, degustando o aprazível sabor de nossas quitandas, nossa gastronomia sagrada, num trabalho mágico de travessia poética, nesses vastos cantos de um mundo à parte chamado Minas. Essa obra sugere ao coração o orgulho em ser mineiro.

Consideremos o poema abaixo:

Sentimentos de Minas

Quem conhece Minas
Adquire mesmo sem perceber
Nova cor na retina
Uma emoção algo difícil de dizer

E de repente arde
E vem e fica
Uma latente saudade
Nostalgia física

Nunca mais esquecerás
Tua vida será antes e depois dessas esquinas
Fica no peito, batendo
Um sentimento de Minas

Percebemos como é impactante e transformador esse encontro, por toda carga emblemática que Minas representa. Quem a conhece nunca mais será o mesmo. O uso de metáforas, como por exemplo, “nova cor na retina”, acentua ainda mais o caráter desse encontro tornando-o inesquecível. Minas se transforma num sentimento, algo abstrato e forte, que fica e não vai embora, é incorporado à alma do sujeito, a saudade incomoda, palpita, faz lembrar sempre. Outro ponto a salientar é o fato de aqui em Minas, as esquinas assumem outra identidade, elas possuem outro valor, não são esquinas comuns. O nosso Clube da Esquina, de Beto Guedes, Toninho Horta, Lô Borges, Milton Nascimento, Fernando Brant entre outros, as tornaram mágicas através de harmonias extremamente sofisticadas e letras encantatórias de uma inventividade peculiar, numa construção musical esmerada, que toca a alma sem muito esforço.
Citamos agora, esse poema que demonstra o relacionamento intrínseco que a culinária assume na vida do mineiro:

República do pão de queijo

O cheiro do pão de queijo
Assando
Pode não iniciar uma revolução
Mas deixa o mineiro
De prontidão
Preparado para qualquer guerra
O pão de queijo, uma das iguarias mais emblemáticas da gastronomia mineira (especula-se que a receita exista desde o século XVIII), está representado no poema como uma fonte suprema de energia e disposição (o que o espinafre, por exemplo, representaria pro Popeye) e através dessa energia, se enfrentaria qualquer situação, até mesmo uma guerra. Dessa forma temos um elemento de nossa cultura gastronômica reafirmando nossa mineiridade.

No poema “Tribos de Minas”, Merije utiliza o nome das doze etnias indígenas espalhadas em territórios diferentes dentro do nosso estado, bem como expressões que nomeiam cidades, ruas entre outros lugares, nosso vocabulário. O poeta (re) afirma a profunda participação da cultura indígena em nossa formação, em nosso patrimônio, ao mesmo tempo que como diria Suassuna; “fala do povo para povo”.
Segundo Donizete Rodrigues em seu trabalho “Patrimônio cultural, Memória social e Identidade: uma abordagem antropológica”, património é o conjunto de bens, materiais e imateriais, que são considerados de interesse coletivo, suficientemente relevantes para a perpetuação no tempo. O património faz recordar o passado; é uma manifestação, um testemunho, uma invocação, ou melhor, uma convocação do passado. Tem, portanto, a função de (re) memorar acontecimentos mais importantes.
Na primeira estrofe há uma pergunta de extrema reflexão: “cadê os índios de Minas?” Diante do questionamento, tenta-se encontrar uma justificativa:

Foram pescar e nunca mais voltaram?
Migraram pelo território?
Ou viraram peça de museu?
Cadê? Cadê?

Chega-se a triste conclusão: “Parecem longe, LONGE”. O poema sugere dessa forma uma parcial extinção das tribos que aqui existiram. O que era abundância, hoje se tornou raro. Suscita uma análise crítica sobre nossos antepassados indígenas, colocando em xeque toda estrutura de tratamento para com eles.
Mais abaixo, o eu lírico nos diz:
E de repente percebo que estamos
Em toda parte

Outra (re) afirmação de que a cultura indígena está entranhada em nós, em nossos hábitos, em nossa memória. Estão em todo lugar, nos rodeia de toda forma, são nossos antepassados vivos, lúcidos. Passaram, sofreram, mas deixaram sua cultura.
Finalizando, me apoio no movimento antropofágico de Oswald de Andrade, inaugurado na semana de arte moderna de 1922, o qual era composto por duas vertentes. A primeira se voltava para a produção nacional, ou seja, a cultura indígena, liberação dos instintos e valorização da inocência. A segunda era baseada na proposta de não rejeitar, não refutar o que era oriundo da Europa ou de outros países. Sendo assim, usamos num contexto filosófico o termo alteridade, ou seja, eu respeito, digiro, devoro, me aproprio, me construo na cultura do outro, e assim, me faço humano. Nessa medida, trabalha-se o processo de aceitação do indivíduo, tornando mais aprazível as relações com o próximo, consigo mesmo e com o mundo.
Essa relação fica clara na estrofe abaixo:

Índia Minas
Somos índios em alma, práticas e palavras
Piracema, Pirapora, Piumhi
Sapucaí-Mirim, Paraopeba
A cultura é viva
Mesmo os que já se foram estão vivos
Na memória, o dia-a-dia
Jaboticatubas, Janaúba, Januária

Merije deixa claro que somos frutos de negros, índios, mulatos, caboclos, mamelucos, somos miscigenação, somos caldo da cultura desse povo que nos forma, que nos faz ser assim, unicamente mineiros, unicamente humanos.

Tribos de Minas

Macro-jê
Caiapós, Tupys, Guaranys, Krebaks, Botocudos
Cadê os índios de Minas?
Foram pescar e nunca mais voltaram?
Migraram pelo território?
Ou viraram peça de museu?
Cadê? Cadê?
Parecem longe, LONGE

Chamo, CHAMO por NÓS
Acaiaca, Aimorés, Açucena, Abaeté
Aiuruoca, Almenara, Araçuaí, Araguari
Bambuí, Botumirim
E de repente percebo que estamos
Em toda parte
Jequitinhonha, Joaíma, Juatuba
Machacalis, Manhuaçu, Manhumirim

Minas tem o corpo de índia
A cultura indígena está entranhada
No corpo de Minas
Itabira, Itabirito, Itaúna
Itajubá, Itambé do Mato Dentro
Itapecerica, Igarapé

Minas é uma Indianápolis
Basta ouvir seus sons
Guanhães, Guaraciaba
Guarará, Guaxupé, Gurinhatã

UM TROVÃO . . .
É TUPÃ!!!

Na pajelança os espíritos vão dançar
Junto com Iara e Oxossi também
Resiste Bugre, criado nas Braúnas
Nos Buritis, no Buritizeiro
Irmãos de Caeté, Carapós e puris
Das bandas de Camanducaia, Cambuí
Cambuquira e Carandaí

Índia Minas,
Somos índios em alma, práticas e palavras
Piracema, Pirapora, Piumhi
Sapucaí-Mirim, Paraopeba
A cultura é viva
Mesmo os que já se foram estão vivos
Na memória, no dia-a-dia
Jaboticatubas, Janaúba, Januária

O TROVÃO . . .
É TUPÃ QUE PERGUNTA . . .
E a pergunta ecoa:
Cadê os índios de Minas?
Cadê eu?
Cadê você, irmão brasileiro?
Inimutaba, Ipanema, Ipatinga
Ubá, Ubaporanga, Unaí

Cadê?
ARANÃ, CAXIXÓ, MAXAKALI, PANKARARU
PATAXÓ, MOKURIÑ, XUKURU-KARIRI
XAKRIABÁ, CAFÚ-AWA-ARACHÁS”

Por Cicero Neto – Departamento de Letras – Unimontes

Fica a dica de leitura: “Viagem a Minas Gerais”.
Acompanhe a trajetória do livro aqui: www.merije.com.br/diario/viagem-a-minas-gerais-o-livro

Cicero Neto lê Viagem a Minas Gerais_Psiu Poético_10102014

Share

Merije

Vlog do Wagner Merije


Translate »