agosto, 2026

O Livro como Campo de Batalha: meu novo artigo no Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra


27 ago

É com grande satisfação que partilho a publicação do meu mais recente artigo, “Cartografia dos Poder(es): O Livro como Território de Disputa no Universo Lusófono”, no volume 55 (2025) do Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

A convocatória para este volume, subordinada ao tema «História do Livro e da Edição: objetos, problemas e rumos», sob a coordenação do Professor Nuno Medeiros, proporcionou o espaço perfeito para desenvolver uma reflexão que há muito me acompanha: a de que o livro é muito mais do que um objeto cultural ou uma mercadoria. Ele é, antes de tudo, um campo de poder.

O que o artigo propõe

Neste trabalho, investigo a interseção entre livro e poder(es) ao longo da história da edição lusófona. A pergunta que orienta a pesquisa é: como estruturas económicas, estratégias editoriais e escolhas simbólicas moldaram não apenas o que lemos, mas como lemos?

A análise articula o paradigma do “livro como negócio” — com a sua lógica de concentração, lucro e padronização — com a sua dimensão de agente de resistência cultural. Examino casos concretos de controvérsias editoriais, censura, a formação do mercado e a circulação de ideias críticas, sempre com um olhar atento ao universo lusófono.

Um olhar interdisciplinar sobre o livro e o poder

Através de uma abordagem que combina história editorial, sociologia da literatura e teoria cultural, procurei revelar os mecanismos subtis de poder incorporados no objeto-livro, desde o mecenato régio e a censura inquisitorial até à concentração dos conglomerados editoriais contemporâneos e ao domínio das plataformas digitais.

A conclusão a que chego é que, no espaço lusófono, o livro deve ser compreendido como um território em disputa permanente, atravessado por interesses políticos, económicos e ideológicos, mas também como um lugar de invenção cultural e de resistência.

Acesso e leitura

O artigo está disponível em acesso aberto e pode ser lido na íntegra através do link:
 https://impactum-journals.uc.pt/bbguc/article/view/17162

A publicação completa deste volume do Boletim também pode ser acedida em:
 https://impactum-journals.uc.pt/bbguc/issue/view/1071/525

Agradeço desde já a todos os que se interessarem pelo tema. A reflexão sobre o livro e o poder é, a meu ver, uma reflexão sobre o futuro das nossas sociedades e da memória coletiva.

Fico à disposição para diálogos e comentários. Boas leituras!

Wagner Merije (Wagner Rodrigues Araújo)
PHD (Doutor) em Letras pela Universidade de Coimbra

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Saudade em Palavras: O livro que a língua portuguesa esperava


26 ago

Uma antologia sobre o que a língua portuguesa insiste em nomear sem nunca encerrar

Este livro não é um dicionário. Não é um tratado. É uma reunião de aproximações — uma liturgia leiga do que fica. Palavras que tentam tocar o intocável. Textos que, em vez de explicar a saudade, a rodeiam, a sentem, a deixam respirar.

Saudade em Palavras é uma antologia que se propõe a dar forma ao que, por natureza, resiste à forma. Reúne ensaios, poemas, contos, memórias e imagens que revelam a saudade como uma presença que se faz ausência, como o amor que continua depois da perda.

Para este exercício de traduzir o intraduzível, foram reunidas vozes plurais de Portugal, Brasil, Angola, Chile e Itália: Marcia Langfeldt, Rita Gomes, Rômulo Garcias, João Diniz, Hélder Grau Santos, InVerso (Neno del Castillo/Sonia Salcedo), Filomena Ferreira, Rita Pereira, Clotilde Bernal, Tiago de Souza, Letícia Junqueira, Sónia Gonçalves Nunes, Maria Camarão, Maria João Pereira, Filipa Laranjeira, Giacomo Gregori, José Luis Alves, António Costa Pereira, Sara Oportus, Ssel Marquesa Selvagem e Wagner Merije. Reforçam o time vozes consagradas como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, William Shakespeare, Charles Baudelaire, Sarah Orne Jewett e Camilo Castelo Branco.

Abre o livro um breviário poético que percorre a saudade na filosofia, na ciência, na literatura e nas palavras de outras culturas: o hüzün turco, o dor romeno, o hiraeth galês, o mono no aware japonês. Seguem-se histórias de avós que se tornam mitos familiares, de infâncias que sobrevivem na memória, de amores que insistem em habitar o presente. Cada texto é uma aproximação — uma tentativa de desenhar o vento.

A neurociência confirma o que os poetas sempre souberam: a saudade ativa no cérebro as mesmas regiões associadas à dor física e à memória emocional. Sentimo-la como sentimos fome — uma fome de presença.

De Fernando Pessoa a Marcel Proust, de Siri Hustvedt a José Saramago, esta obra recorda-nos que a saudade é, afinal, a forma mais verdadeira de amor — porque só se sente falta do que realmente importa. Só se chora o que se amou. Só se guarda o que não se quer perder.

Coleção Em Palavras

Este livro integra a Coleção Em Palavras, um espaço editorial que reúne autores de diferentes histórias, nacionalidades e gerações. O propósito da coleção é celebrar a diversidade de sensibilidades, abrindo caminho para novas ideias e novos diálogos. Cada livro é um convite a olhar o mundo com outros olhos.

Títulos da coleção: São Paulo em PalavrasSão Luís em PalavrasCoimbra em PalavrasSaudade em Palavras. Em breve: Lisboa em PalavrasFutebol em Palavras.

Sobre o organizador

Wagner Merije é PhD em Letras pela Universidade de Coimbra, jornalista, escritor e editor. Fundador da Aquarela Brasileira Livros, dedica-se à Curadoria de Legado — transformar trajetórias, memórias e sentimentos em livros que ficam. Organizou esta antologia com a convicção de que a saudade, mais do que um sentimento, é um território a ser explorado e partilhado.

Dados do livro

Título: Saudade em Palavras
Autores: Diversos
Editora: Aquarela Brasileira Livros
Género: Ensaios, Contos, Poemas, Memórias, Afeto
Formato: 14×21 cm
Número de páginas: 108
Web: www.aquarelabrasileira.com.br/saudade-em-palavras
Encomendas: faleaquarela@gmail.com

Aquarela Brasileira Livros

Curadoria de Legado

Não é só sobre contar histórias. É sobre eternizá-las.

Brasil — Portugal

www.aquarelabrasileira.com.br/ab-books

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