QUER OUVIR UMA RÁDIO COM UMA SELEÇÃO DE MÚSICAS BOAS, CRIATIVAS E EDUCATIVAS?
Minha dica é a RÁDIO ESCOLADA – ouça aqui ó

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FORA DO ALCANCE DA MEMÓRIA
O poeta mineiro Fabrício Marques apresenta poemas de seus três livros: A fera incompletude (finalista dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom em 2012), Meu pequeno fim e Samplers. Ele será acompanhado pelo músico Olavo Barbi (Oleives), que tocará composições assinadas pelos dois.
Curadoria: Wagner Merije
31 MAI 2014
Horário: 11h e 13h
Local: Casa da Ópera
Participação especial: Olavo Barbi
Entrada gratuita, sujeita a lotação.
Retirada de senhas uma hora antes das apresentações.
Após o sarau, escambo de livros no Espaço Ler + Ver
EU VOU TE CONTAR UMA HISTÓRIA…





Todo ano é importante no calendário solar
Mas alguns marcam mais as nossas vidas
Não sei se pelas experiências vividas, as crianças nascidas
Ou pelas perdas, pelas estrelas desencarnadas a brilhar
Já se passaram milianos
O mundo segue sempre a sua rota
Mas um ano continua pulsando
Mil novecentos e noventa e quatro sempre volta
Foi o ano em que morreram Kurt Cobain, Giulietta Masina
Ayrton Senna, Burle Marx, Mussum, Tom Jobim
(Entre outros entes queridos)
E meu pai
Quando meu pai morreu naquele novembro de 1994
O Sepultura
Subiu ao palco no Parque da Gameleira
Fogos estouraram no ar
E eu não ouvi mais nada, só uma barulho intenso
Chaos A.D
E logo depois vieram os Ramones
Pet Sematary
Heavy metal né!?
É punk!
Aquela seria a última vez que os irmãos Cavalera
Se apresentariam juntos na cidade em que nasceram
Uma briga na Sepultura levou Max a deixá-la em 1996
Soulfly
1994 foi um ano de morte
E eu tenho sorte
De estar vivo
Muito vivo
Por Wagner Merije (em processo / work in process)
Quem vem das periferias do Brasil sabe
Negro ou branco, não importa a cor
Você tem que ralar muito
Para chegar a doutor
Quem vem das periferias do Brasil tem que lutar
Por cada dia, por cada oportunidade
Arte, futebol ou crime, o que esperar
De uma abolição que não aconteceu de verdade?
Quem vem das periferias do Brasil
Tem um pé na senzala
Na periferia é lei da bala
Quem cumpre as ordens do feitor é o fuzil
Amarildos, Claudias da Silva, Pixotes
Viemos e vivemos todos em senzalas e celas
Somos filhos bastardos das maracutaias e dos golpes
E da violência eternizada contra a favela
Por Wagner Merije

13 de maio
O dia da falsa abolição da escravatura no Brasil

Foto: Merije
Há muito tempo que eu ouço
O som da senzala
Som de corpo, som de vida, som de alma…
Tem os cantos de dor, a batida do tambor e a lei da bala
Senzala que apenas mudou de endereço, senzala
Hoje tem um beco na porta da sala
Há muito tempo que eu só durmo
Com o som da senzala
Há muito tempo que eu ouço
O som da senzala
Respeito por essas pessoas
Que tocam as suas vidas com muita música
Música que soa
Profunda como toda história vivida
Senzala que apenas mudou de endereço, senzala
Hoje tem um beco na frente da sala
Há muito tempo que eu durmo
Com o som da senzala
Há muito tempo que eu ouço
O som da senzala
Tem os cantos de dor, a batida do tambor e a lei da bala
……
Extraído do livro “Viagem a Minas Gerais”, de Wagner Merije
Saiba como comprar o livro aqui
Fotografar para eternizar. O olho da câmera faz um corte no tempo!
Fotos: Wagner Merije

Ele é o cara! Raul de Souza, um dos maiores músicos do mundo!
Nessa matéria ele fala de seus projetos para esse ano em que comemora 60 anos de carreira e 80 de vida.
Tem um depoimento do Wagner Merije, sobre os projetos em que está envolvido com Raul de Souza.
Leia na íntegra aqui
Um cantor como Jair Rodrigues a gente não esquece, não se despede.
Porque sua música vai estar para sempre aí!
Para um cara como Jair Rodrigues a gente agradece!
Bom trem para as estrelas, professor!
Na foto: Elis e o suingue de JR

Quem viaja sem saber
O que esperar
Da cidade que encontrará
Ao final do caminho?
Quem viaja sem saber?
Aonde quer chegar? Aonde vai chegar?
Cada pessoa tem uma cidade em mente
Feita exclusivamente de diferenças
Uma cidade sem figuras e sem forma
Preenchida pelas cidades particulares
Empurre as fronteiras da imaginação
Para além de qualquer saara
A cidade não conta o seu passado
Ela o contém como as linhas da mão
Escrito nos ângulos das ruas, nas grades
Nas janelas, nas antenas e nos corrimãos
Quem viaja sem saber
O que esperar
Da cidade que encontrará
Ao final do caminho?
No centro da minha cidade imaginária
Você será circundado por desejos
Que se despertam simultaneamente
A cidade aparecerá como um todo
Nenhum desejo será desperdiçado
Lá se gozará de tudo o que não se goza
Em outros lugares
Lá vamos nos ocupar desse desejo
E nos satisfazer
Do livro “Viagem a Minas Gerais”
Vlog do Wagner Merije