O aviso romântico da tempestade_The romantic warning of the storm

28 jan

Não é mais o vento que conhecemos – aquele que balançava a rede e trazia cheiro de mangueira madura.
É outra coisa agora.
Algo que se levanta das entranhas do tempo com dentes de aço e um rugido de planeta partido.
Cento e quarenta, cento e sessenta quilômetros por hora – números que não dizem nada até você ver a árvore de cem anos se curvar como uma vara verde,
até você ouvir o telhado cantar sua canção de despedida em dó menor,
até você sentir a casa respirar, expandir, tremer nas juntas como um animal assustado.

A madrugada será varrida.
Não limpa, não purificada – varrida.
Como quem apaga um quadro com a manga, como quem joga fora uma história mal contada.
O que vier depois não será a mesma madrugada. Será outra. Com cicatrizes no ar, com memória de destruição nos galhos quebrados.

E a chuva – ah, a chuva!
Não é a chuva dos poetas, aquela que cai mansinha para rimar com saudade.
É uma chuva fria, forte, vertical como uma sentença.
Cai com vontade de furar o solo, de atingir o centro da terra, de lavar até os ossos dos mortos.
Cai como se fosse a última. Como se soubesse que depois dela só haverá silêncio ou fogo.

Eles ativaram o Plano de Emergência.
Gosto dessa palavra: emergência. Do latim emergere – “sair das águas”, “vir à tona”.
É disso que se trata: de emergir. De deixar de ser o que estávamos para ser o que sobreviver.
Há protocolos, papéis carimbados, sirenes com vozes gravadas.
Há homens sérios em salas com mapas e telas piscantes.
Há uma logística do fim do mundo, meticulosa e burocrática.
Até o apocalipse tem sua papelada.

Fecharam as escolas.
As carteiras vazias esperam.
O quadro-negro guarda a última equação não resolvida.
No corredor, um lanche esquecido embrulhado em papel filme.
As crianças estão em casa, ouvindo o barulho do mundo desabar e pensando, com a lógica feroz dos pequenos:
“Se fecharam a escola, deve ser sério mesmo.
Os adultos só fecham a escola para coisas muito importantes ou muito perigosas.”
E esta tempestade é ambas.

A ordem é: protejam-se!
Mas como nos protegemos do que vem de dentro e de fora ao mesmo tempo?
Como erguemos muros contra o vento que já habita nossos pulmões?
Como fechamos janelas para a chuva que já corre em nossas veias?

Protejam-se.
Enfiem-se nos porões da carne.
Fechem as portas dos ossos.
Tape os ouvidos com a cera das memórias boas.
Ajoelhem-se no chão mais firme que encontrarem – que pode ser um amor antigo, uma palavra guardada, a mão de um filho no escuro.
Porque o vento de cento e sessenta por hora não quer apenas derrubar árvores.
Quer derrubar certezas.
A chuva forte não quer apenas inundar ruas.
Quer inundar os porões da alma onde guardamos o que não queremos ver.

Eu lhes digo: esta tempestade é romântica.
Sim, romântica no sentido mais obscuro e verdadeiro.
Ela não vem apenas para destruir, mas para revelar.
Para mostrar que debaixo do asfalto há terra.
Debaixo da calma há pânico.
Debaixo da vida há morte, e debaixo da morte há mais vida, brava e teimosa.

O vento escreve cartas de amor furiosas nas paredes.
A chuva canta uma ópera sobre tudo que já perdemos.
E no centro do furacão, há um olho – um silêncio redondo e perfeito onde tudo para.
É ali, no olho da tempestade, que você se lembra do seu próprio nome.
Que você vê, claramente, o que importa e o que é apenas vento passando.

Então protejam-se, sim.
Mas protejam também a chama frágil que há em vocês.
Aquela que treme, mas não se apaga.
Porque depois que os ventos de cento e sessenta passarem,
depois que a chuva forte tiver dito tudo o que tinha a dizer,
alguém terá que acordar e olhar o mundo, esteja como estiver.
Alguém provavelmente terá que começar de novo.
E esse alguém, com as mãos sujas de entulho e os olhos cheios de uma luz estranha,
será você.

A tempestade é um aviso.
O aviso é romântico.
E o romance é isto: a promessa louca e lúcida de que mesmo depois do fim,
há um início que vale a pena ser vivido.
Com os pés na lama, com o coração batendo forte, com a coragem frágil e invencível
de quem sobreviveu ao vento e descobriu que, no fundo,
é feito da mesma matéria das tempestades.

Um poema em processo de Wagner Merije

THE ROMANTIC WARNING OF THE STORM

This is no longer the wind we knew – the one that rocked the hammock and carried the scent of ripe mango trees.
It is something else now.
Something that rises from the bowels of time with steel teeth and the roar of a cracked planet.
One hundred and forty, one hundred and sixty kilometres per hour – numbers that mean nothing until you see the hundred-year-old tree bend like a green twig,
until you hear the roof sing its farewell in C minor,
until you feel the house breathe, expand, tremble at the joints like a frightened animal.

The dawn will be swept away.
Not cleaned, not purified – swept.
Like someone wiping a canvas with a sleeve, like someone discarding a poorly told story.
What comes after will not be the same dawn. It will be another. With scars in the air, with the memory of destruction in the broken branches.

And the rain – ah, the rain!
It is not the rain of poets, the kind that falls gently to rhyme with longing.
It is a cold, hard rain, vertical as a sentence.
It falls with the desire to pierce the soil, to reach the centre of the earth, to wash even the bones of the dead.
It falls as if it were the last. As if it knew that after it there will be only silence or fire.

They have activated the Emergency Plan.
I like that word: emergency. From the Latin emergere – “to rise from the waters”, “to come to the surface”.
That is what this is about: to emerge. To cease being what we were and become what survives.
There are protocols, stamped papers, sirens with recorded voices.
There are serious men in rooms with flickering maps and screens.
There is a logistics for the end of the world, meticulous and bureaucratic.
Even the apocalypse has its paperwork.

They have closed the schools.
The empty desks wait.
The blackboard holds the last unsolved equation.
In the corridor, a forgotten lunch wrapped in cling film.
The children are at home, listening to the sound of the world collapsing and thinking, with the fierce logic of the small:
“If they closed the school, it must be serious indeed.
Adults only close the school for things very important or very dangerous.”
And this storm is both.

The order is: protect yourselves!
But how do we protect ourselves from what comes from within and without at the same time?
How do we raise walls against the wind that already inhabits our lungs?
How do we close windows to the rain that already runs in our veins?

Protect yourselves.
Bury yourselves in the cellars of the flesh.
Close the doors of your bones.
Plug your ears with the wax of good memories.
Kneel on the firmest ground you can find – which may be an old love, a word kept safe, the hand of a child in the dark.
Because the wind of one hundred and sixty per hour does not want only to topple trees.
It wants to topple certainties.
The hard rain does not want only to flood streets.
It wants to flood the cellars of the soul where we keep what we do not wish to see.

I tell you: this storm is romantic.
Yes, romantic in the most obscure and true sense.
It does not come only to destroy, but to reveal.
To show that beneath the asphalt there is earth.
Beneath the calm there is panic.
Beneath life there is death, and beneath death there is more life, brave and stubborn.

The wind writes furious love letters on the walls.
The rain sings an opera about all we have lost.
And at the centre of the hurricane, there is an eye – a round and perfect silence where everything stops.
It is there, in the eye of the storm, that you remember your own name.
That you see, clearly, what matters and what is merely passing wind.

So protect yourselves, yes.
But protect also the fragile flame that is within you.
The one that trembles, but does not go out.
Because after the winds of one hundred and sixty have passed,
after the hard rain has said all it had to say,
someone will have to wake and look upon the world, whatever its state.
Someone will likely have to begin again.
And that someone, with hands dirty from rubble and eyes full of a strange light,
will be you.

The storm is a warning.
The warning is romantic.
And the romance is this: the mad and lucid promise that even after the end,
there is a beginning worth living.
With feet in the mud, with the heart beating strong, with the fragile and invincible courage
of one who survived the wind and discovered that, at bottom,
they are made of the same substance as the storms.

A poem in process by Wagner Merije

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Brincar de guerra sem conhecer as consequências_Playing at war without knowing the consequences

16 jan

Quem ousa enganar o cérebro, óh divina máquina de sangue e sinapse?

Quem tenta subornar a razão com o ouro barato da propaganda?

Eu vi os auto-aclamados senhores da guerra brincando de xadrez com continentes,

suas mãos limpas, seus ternos impecáveis, seus sorrisos refrigerados.

Nunca uma bomba lhes rasgou o telhado da infância.

Nunca a sirene lhes partiu o jantar ao meio.

Eles negociam vidas em telas de cristal líquido,

enquanto tomam café gourmet em copos de cerâmica cara.

Ah, nação blindada por dois oceanos de ilusão!

Teu solo nunca gemeu sob as botas do invasor.

Tuas cidades nunca foram um palco de escombros e gemidos.

Tuas mães nunca tiveram de escolher qual filho esconder nos esgotos.

Tuas guerras são exportadas, como Coca-Cola e blue jeans,

brinquedos letais para testar em quintais alheios.

Enquanto isso, do outro lado do espelho do mundo,

existem nações que são cemitérios com bandeiras.

Povos que carregam a memória nas cicatrizes da terra,

no sabor do pão que ainda sabe a pólvora e lágrima.

Lugares onde cada avô é um livro de história ambulante,

cada rua tem um nome que é um epitáfio,

cada riso contém a sombra de um choro engolido.

Esses sabem.

Sabem que a guerra cheira a carne queimada e concreto esfarelado.

Sabem que a tecnologia é uma deusa caprichosa que falha

quando a neve cai e o óleo congela.

Sabem que o heroísmo não tem soundtrack épico,

apenas o silêncio aterrador entre uma explosão e a próxima.

Mas vocês, óh doutores do apocalipse de escritório,

formados em manuais e mentiras,

criados no seio da indústria do entretenimento violento,

acham que a guerra é um videogame com direito a replay.

Seus generais de salão, polidos em academias de retórica,

seriam postos de escanteio num campo real,

onde a estratégia se escreve com sangue no barro,

não com tinta em relatórios de PowerPoint.

Que arrogância cósmica, achar-se invencível!

Que temeridade de criança com um fósforo numa fábrica de pólvora!

O perigo não está no poderio, mas na ignorância revestida de confiança,

Está na elite que joga poker com ogivas nucleares

pensando que o blefe é uma tática eterna.

Ouçam o aviso que vem dos escombros da História:

o primeiro míssil que cruzar o oceano de volta

não será interceptado por um filme de Hollywood.

O fogo que vocês ateiam com tanta leviandade

não respeitará portões de comunidades fechadas.

A realidade não faz distinção entre o belicista e seu filho.

Entre o estrategista e sua mansão à beira-mar.

No dia em que o inferno descer do céu que vocês poluem,

não haverá tempo para discursos patrióticos.

Apenas o estrondo final, convertendo impérios em estacionamentos,

metrópoles em urnas de concreto, sonhos em cinza radioativa.

Pois essa é a verdadeira consequência da brincadeira de quem nunca chorou uma guerra:

vocês não temem a morte porque nunca a viram de perto.

Mas ela virá.

E quando vier, não trará bandeiras, nem glória, nem hashtags.

Trará apenas o silêncio absoluto,

e o último pensamento de uma civilização que,

no auge de seu poder,

aprendeu tarde demais o significado da palavra

dor.

Um poema em processo de Wagner Merije

PLAYING AT WAR WITHOUT KNOWING THE CONSEQUENCES

Who dares deceive the brain, oh divine machine of blood and synapse?

Who tries to bribe reason with the cheap gold of propaganda?

I have seen the self-styled warlords playing chess with continents,

their hands clean, their suits impeccable, their smiles refrigerated.

Never has a bomb torn open the roof of their childhood.

Never has a siren split their supper in two.

They trade lives on liquid crystal screens,

while sipping gourmet coffee from costly ceramic cups.

Ah, nation armoured by two oceans of illusion!

Your soil has never groaned beneath an invader’s boot.

Your cities have never been a stage of rubble and moans.

Your mothers have never had to choose which child to hide in the sewers.

Your wars are exported, like Coca-Cola and blue jeans,

lethal toys to test in other people’s backyards.

Meanwhile, on the other side of the world’s mirror,

there are nations that are cemeteries with flags.

Peoples who carry memory in the scars of the land,

in the taste of bread that still recalls gunpowder and tears.

Places where every grandfather is a walking history book,

every street bears a name that is an epitaph,

every laugh holds the shadow of a swallowed sob.

They know.

They know war smells of burnt flesh and crumbled concrete.

They know technology is a capricious goddess who fails

when snow falls and oil freezes.

They know heroism has no epic soundtrack,

only the terrifying silence between one explosion and the next.

But you, oh desk-bound doctors of the apocalypse,

trained in manuals and lies,

raised in the bosom of the violent entertainment industry,

you think war is a videogame with a replay option.

Your parlour generals, polished in rhetoric academies,

would be sidelined on a real field,

where strategy is written with blood in the mud,

not with ink in PowerPoint reports.

What cosmic arrogance, to believe yourselves invincible!

What recklessness of a child with a match in a powder keg!

The danger lies not in might, but in ignorance clad in confidence,

It lies in the elite playing poker with nuclear warheads

thinking bluff is an eternal tactic.

Hear the warning that comes from the rubble of History:

the first missile to cross the ocean in return

will not be intercepted by a Hollywood film.

The fire you light with such levity

will not respect gated community gates.

Reality makes no distinction between the warmonger and his child.

Between the strategist and his seafront mansion.

On the day hell descends from the sky you pollute,

there will be no time for patriotic speeches.

Only the final roar, converting empires into car parks,

metropolises into concrete urns, dreams into radioactive ash.

For this is the true consequence of playing games when you have never wept a war:

you do not fear death because you have never seen it up close.

But it will come.

And when it comes, it will bring no flags, nor glory, nor hashtags.

It will bring only absolute silence,

and the final thought of a civilisation that,

at the height of its power,

learned too late the meaning of the word

pain.

A poem in process by Wagner Merije

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Ulysses & Orpheu na celebração Unt1tled #Format — uma viagem artística entre gesto, matéria e manifesto

04 dez

Coimbra prepara-se para uma das celebrações estéticas mais inesperadas, mais exuberantes e mais deliciosamente barrocas do calendário artístico de 2025. A Galeria ESTALEIRO, o Movimento Analogic Pixel e o artista Pedro Góis abrem as portas — e todos os sentidos — para a inauguração da exposição Unt1tled #Format, um território onde o gesto manual desafia a velocidade do digital e onde cada traço recupera a respiração da matéria.

Entre o mistério do programa, as coordenadas semi-cósmicas do evento e a promessa de uma experiência que pode “descambar” numa festa épica, há uma certeza luminosa: a presença do duo Ulysses & Orpheu, formado por Hélder Grau Santos e Wagner Merije.

Convidados para atuar num dos momentos centrais da programação, Ulysses & Orpheu levam a palco uma combinação intensa de poesia, manifesto e música, entrelaçando palavra e sonoridade num registo experimental que dialoga com o universo visual de Pedro Góis. A sua performance adiciona emoção, ritmo e reflexão a um encontro pensado para celebrar o poder do gesto, da arte e da criação coletiva.

O público pode esperar vibração, risco, surpresa e aquele toque de celebração poética que o duo vem afinando ao longo dos anos em apresentações multidisciplinares pelo Brasil e por Portugal.

Data: Sábado, 06 de dezembro de 2025

Coimbra, Portugal

Horário:
16:31 — Inauguração / Vernissage
21:21 — Encerramento
21:31 — Jantar-Comemoração
Local: Coimbra, Portugal

Um evento para quem procura arte com pulsação própria e um encontro raro entre criadores que fazem do inesperado uma forma de beleza.

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O Vinho Como Obra de Arte

01 dez

O Centro Cultural Penedo da Saudade inaugura a 18 de novembro, pelas 18h00, a exposição “O Vinho como Obra de Arte”, da autoria de Wagner Merije.

E para celebrar a ocasião está prevista prova de vinhos da marca Rosé Quadrivium da Fundação ADFP.

Desde os tempos mais antigos, o vinho acompanha a humanidade como símbolo de celebração, espiritualidade e partilha. Há mais de 8.000 anos, nas encostas da Geórgia, na região do Cáucaso, já se cultivavam vinhas para transformar as uvas em bebida. No Egipto, o vinho foi associado a rituais sagrados; na Grécia Antiga, Dioniso tornou-se o deus da embriaguez criativa; em Roma, o néctar corria nos banquetes que exaltavam o prazer e a abundância. Ao longo da Idade Média, os mosteiros preservaram o cultivo da vinha, elevando o vinho à condição de metáfora do sagrado. Hoje, o vinho é cultura, arte e identidade de povos inteiros.

A exposição “O Vinho como Obra de Arte” é uma homenagem a este percurso milenar e a todos aqueles que transformam a uva em poesia líquida. Aqui, as garrafas deixam de ser apenas recipientes: tornam-se protagonistas visuais, reimaginadas por Wagner Merije como esculturas pictóricas adornadas com flores monumentais, rostos enigmáticos e paisagens sensoriais. Cada obra abre uma janela para um diálogo entre tradição e contemporaneidade, evocando a intensidade cromática de Van Gogh, as formas reinventadas de Picasso e a minúcia de David Bailly.

As imagens são apresentadas em diferentes suportes e acompanhadas por frases poéticas sobre o vinho em português, inglês, espanhol e francês, ampliando o diálogo entre culturas e sensibilidades.

Este é um universo onde o vinho é transformado em arte — com sofisticação, emoção e inovação estética. Nas palavras do criador: “Imagens que bebem da essência do vinho, revelando histórias entre tintos, brancos e olhares. Um brinde à arte que enche a taça da vida.”

Sobre o CCPS

O Centro Cultural Penedo da Saudade foi criado em 2019, no âmbito do projeto cultural do Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal. Conta com uma programação diversificada, com destaque para exposições, concertos, palestras, filmes, peças de teatro e oficinas temáticas.

Visitas podem ser feitas de terça-feira a sexta-feira, das 15h00 às 20h00, e ao fim-de-semana das 15h00 às 19h00, com entrada livre.

Sobre a prova de vinhos

A sessão inclui uma prova de vinhos da marca Rosé Quadrivium da Fundação ADFP, um vinho que simboliza arte, solidariedade e território. O vinho Rosé Quadrivium foi criado pelo enólogo convidado Igor Lima no âmbito da II Residência Artística de Enólogos da Fundação ADFP. A residência teve como objetivo promover a criatividade, a partilha de conhecimento e a valorização do vinho como expressão cultural e social, unindo enólogos de diferentes origens ao projeto inclusivo da Fundação.

Sobre o criador da exposição

Wagner Merije é um artista multimédia com cidadania brasileira e portuguesa, cujas criações transcendem fronteiras e disciplinas. Doutorado em Letras pela Universidade de Coimbra, integra nas suas obras as artes visuais, a literatura, a música, o cinema, a fotografia, a dança e o teatro, criando experiências sensoriais que desafiam os limites tradicionais da arte.

Ao longo da sua trajetória, Merije participou em exposições e projectos culturais em diversos países — incluindo o Brasil, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Formosa e outros — destacando-se no panorama da arte contemporânea. As suas criações encontram-se em colecções particulares e têm sido reconhecidas pela capacidade de provocar reflexão e emoção.

Para além do trabalho artístico, Merije é escritor e editor de diversas obras literárias, incluindo títulos de sua autoria como Torpedos (2012), Mobimento – Educação e Comunicação Mobile (2012), finalista do Prémio Jabuti, Cidade em Transe (2015), Sol do Novo Mundo (2022) e Um Furacão em Lisboa (2025), entre outros. É também conhecido pelas suas colaborações em projectos colectivos como Coimbra em Palavras (2018), Coimbra em Imagens (2019) e São Paulo em Palavras (2017), que exploram as múltiplas facetas das cidades e das suas culturas.

Nas suas exposições, Merije transforma objectos do quotidiano em obras de arte imersivas, convidando o público a viver uma experiência sensorial única. A sua abordagem inovadora e sensível à estética e à emoção torna cada peça uma janela para novas percepções e interpretações.

Todas as obras estão disponíveis para aquisição.
Mais informações através do e-mail: artbloxtone@gmail.com

Conheça o trabalho visual do autor em Fotografia e arte de Wagner Merije

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Trovar a Liberdade — Um encontro criativo com o legado de Zeca Afonso

20 nov

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso propõe um mergulho sensível e vigoroso no universo de uma figura maior da música e da resistência em Portugal. O espetáculo recupera a força poética, a inquietação ética e a pulsação humana da sua obra, revelando a atualidade das suas palavras e melodias num tempo que continua a convocar a liberdade e o pensamento crítico.

Recorrendo a uma combinação de declamação, interpretação vocal e ambiente sonoro imersivo, Trovar a Liberdade com Zeca Afonso convida o público a escutar Zeca com novos ouvidos e a reencontrar, nos seus versos, a esperança e a coragem que atravessam gerações.

A direção artística e a composição da trilha sonora são assinadas por Wagner Merije, que constrói uma atmosfera contemporânea, íntima e emocionalmente envolvente, sustentando cada momento com sensibilidade e respeito pelo espírito original da obra de Zeca Afonso.

A interpretação de Fernando Franco, intensa e profundamente expressiva, dá corpo e voz aos poemas e canções, criando um espaço vivo de memória e reinvenção.

Trovar a Liberdade com Zeca Afonso é um tributo luminoso a um criador essencial, mas é também um convite à reflexão, ao encontro e ao gesto de manter viva a chama da liberdade — nas artes, na sociedade e na vida.

O espetáculo faz parte da programação do prestigiado Ciclo Orphika 2025 da Universidade de Coimbra.

Local: Liquidâmbar – Praça da República – Coimbra, Portugal
Data e horário: 25 de novembro de 2025 — 21h30
Entrada livre

Realização: Motivos Alternativos & Aquarela Brasileira

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Zeca Afonso entre Coimbra e Setúbal: um reencontro poético e musical

24 out

Entre as cidades de Coimbra e Setúbal, em Portugal, dois lugares que marcaram profundamente a vida e a arte de José Afonso, nasce um espetáculo que celebra o homem, o poeta e o símbolo da liberdade.

“Zeca Afonso entre Coimbra e Setúbal” é um projeto performativo que presta homenagem a uma das figuras mais inspiradoras da cultura portuguesa do século XX. Através de uma abordagem contemporânea e sensível, o espetáculo convida o público a revisitar o universo de Zeca, unindo música, palavra e emoção num diálogo vivo entre passado e presente.

Com declamação e interpretação vocal de Fernando Franco e composições musicais e arranjos de Wagner Merije, o espetáculo propõe uma leitura renovada da obra de Zeca Afonso, incluindo poemas pouco conhecidos e nunca musicados e até textos inéditos criados especialmente para esta homenagem.
Entre sons, versos e imagens, o público é conduzido por uma viagem afetiva que liga o fado de Coimbra — raiz da sua criação — à canção de intervenção e à liberdade cantada em Setúbal.

Zeca nasceu em Aveiro (1929), estudou e viveu longos anos em Coimbra, cidade onde ensaiava no Grémio Operário, poucos metros da sua casa na Rua da Ilha, junto à Sé Velha. Em Setúbal, onde viveu a partir de 1967, fundou o Círculo Cultural de Setúbal, importante centro de resistência e criação artística. Faleceu na mesma cidade, em 1987, e hoje é lembrado na Casa da Cultura de Setúbal, cujo auditório leva o seu nome — Sala José Afonso.

“O fado de Coimbra é a raiz de toda a música do Zeca”, afirmou Teresa Alegre Portugal — e é precisamente essa raiz que o espetáculo recupera, para transformar em flor e futuro.

Datas e locais
Sábado, 1 de novembro de 2025Casa da Cultura de Setúbal
Domingo, 2 de novembro de 2025Grémio Operário de Coimbra

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Wagner Merije homenageia Saramago no FOLIO 2025: 30 anos de Ensaio sobre a Cegueira — Fronteiras da Visão e da Esperança

07 out

O Festival Literário Internacional de Óbidos — FOLIO 2025 — volta a reunir grandes nomes da literatura mundial, investigadores, pensadores e artistas num dos mais prestigiados encontros de ideias do mundo lusófono em Portugal. Entre os participantes da edição deste ano está Wagner Merije, escritor, jornalista e investigador da obra de José Saramago, que apresentará a comunicação 30 anos de Ensaio sobre a Cegueira: Fronteiras da Visão e da Esperança.

Nesta sua segunda apresentação no FOLIO (antes já havia se apresentado em 2023), Wagner Merije propõe uma leitura crítica e poética de um dos romances mais emblemáticos de Saramago, publicado em 1995. Três décadas depois, o autor português continua a lançar luz sobre os dilemas contemporâneos — da crise ambiental à indiferença social, das pandemias ao avanço dos autoritarismos. O investigador, doutorado em Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra com um tese sobre José Saramago, revisita essas “fronteiras” da visão e da esperança com uma abordagem interdisciplinar, cruzando literatura, filosofia, ética e política.

Com uma perspectiva que une análise literária e jornalismo investigativo, Wagner Merije explora como Ensaio sobre a Cegueira antecipa o colapso das instituições e propõe um projeto coletivo de sobrevivência fundado na solidariedade e no cuidado. “A verdadeira cegueira, em Saramago, não é física, mas ética — e continua a nos desafiar a ver o outro e o mundo com lucidez crítica”, explica o autor, que representa uma nova geração de estudiosos da obra saramaguiana, combinando rigor acadêmico com sensibilidade artística e um olhar voltado para os cruzamentos entre literatura e mundo contemporâneo.

A palestra de Wagner Merije integra a programação científica e educativa do FOLIO, ao lado de autores, acadêmicos e criadores reconhecidos internacionalmente, incluindo vencedores do Prémio Nobel e pesquisadores de renome em literatura comparada, filosofia e artes visuais.


Mais informações: Folio 2025 – Programa e foliofestival.pt

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Fotografia e arte de Wagner Merije

29 set

A fotografia é revelação e mistério, e muito já se falou sobre esta arte de duzentos anos. Henri Cartier-Bresson uma vez disse: Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração.” Já Machado de Assis escreveu: “O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio.”

A criatividade humana é inesgotável. A capacidade de utilizar técnicas, suportes, expressões, linguagens, materiais, sentidos, sentimentos para a produção de Arte não caberá, nunca, num conceito, numa definição ou numa explicação.

“A arte não é apenas uma representação do que as coisas são, mas também ao que parecem ser, o verossímil, ou ao que deveriam ser, o ideal.” (Aristóteles)

“A arte produz, sem dúvida, o prazer estético, que é puro prazer de reflexão e não prazer de fruição. Mas a natureza produz muito mais este puro prazer.” (Kant)

“Uma obra de arte é ao mesmo tempo um objeto e uma ideia. A arte é um meio destinado a facilitar o conhecimento que constitui o prazer estético.” (Schopenhauer)

“Apenas a arte apresenta, em cada época, uma imagem ‘definitiva’ do mundo (…). Por suas dimensões cognitivas, éticas, políticas, etc., a arte remete a todas as dimensões da vida”. (Rochlitz, O Desencantamento da Arte)

“Toda obra de arte é, tanto primeiramente como em última análise, unidade indissociável do sentido e do sensível”. (Michel Haar, A Obra de Arte: Ensaios Sobre a Antologia das Obras)

“Nenhum povo existe no mundo sem arte”. (Gombrich, 2015)

Multimedia Suprasensorial

Wagner Merije é um artista multimédia com cidadania brasileira e portuguesa, cujas criações transcendem fronteiras e disciplinas. Doutorado em Letras pela Universidade de Coimbra, integra nas suas obras as artes visuais, a literatura, a música, o cinema, a fotografia, a dança e o teatro, criando experiências sensoriais que desafiam os limites tradicionais da arte.

Ao longo da sua trajetória, Merije participou em exposições e projetos culturais em diversos países — incluindo o Brasil, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Formosa e outros — destacando-se no panorama da arte contemporânea. As suas criações encontram-se em colecções particulares e têm sido reconhecidas pela capacidade de provocar reflexão e emoção.

Nas suas mostras e exposições, Merije transforma objetos do quotidiano em obras de arte imersivas, convidando o público a viver uma experiência sensorial única. A sua abordagem inovadora e sensível à estética e à emoção torna cada peça uma janela para novas percepções e interpretações.

Todas as obras estão disponíveis para aquisição.

Conheça alguns trabalhos imagéticos desenvolvidos por Wagner Merije

Mostras e Exposições

O Vinho como Obra de Arte

Exílios, Diásporas, Odisseias

Flamingos

No mundo de Freud

Entes Presentes – Série Orgulho de Falar Português

Assim na Terra como no Céu

O que as janelas da UC mostram

Haverá Humanidade ou Luz no Fim do Túnel?

Pequena Casa de Lembranças

Vozes Encantadas de Saramago

Livros & Discos

Travessias

São Paulo em Imagens

Coimbra em Imagens

Salomé/O Vencedor do Tempo_Fernando Pessoa

Sonetos_Luís Vaz de Camões

Torpedos

Turnê do Encantamento

Um Furacão em Lisboa

As Fadas

Peopleware

Fotografia de cena

É Urgente Reconquistar a Liberdade

É Urgente Acordar

Raul de Souza e Ron Carter no Brasil

Raul de Souza – Alma do Rio

Raul de Souza na roda

Encontro Internacional de Criadores

O olho que vê

Circum_Natação

Fotografia de rua

Brasil Street Art encantadas

Brasil Street Art para todos

Brasil Street Art extra may

Brasil Street Art jun13

Arte Sequencial

The LoveCats

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Exílios, Diásporas, Odisseias – mostra virtual de arte por Wagner Merije

26 set

A arte nasce quando já não cabemos em lugar nenhum.
Exílios: o silêncio do que fica para trás, o eco das ausências que insistem em falar.
Diásporas: raízes que se espalham, sementes lançadas ao vento, a multiplicação do um em muitos.
Odisseias: a travessia sem mapas, o gesto de seguir, ainda que não se saiba aonde.

Cada imagem aqui apresentada é um convite a atravessar fronteiras — visíveis ou invisíveis, geográficas ou íntimas. A arte de Wagner Merije não se contenta em ilustrar o mundo: ela abre fissuras, questiona pertenças, revela deslocamentos.

As imagens de Wagner Merije não contam histórias lineares — são fragmentos, pulsações, miragens. Cada cor é uma fronteira desfeita, cada forma é uma memória em fuga, cada composição é uma pergunta lançada ao mundo.

Aqui, não há destino fixo, mas caminhos que se abrem. Não há identidade rígida, mas rostos que se reinventam. Não há pátria única, mas universos em diálogo.

Nesta mostra, cada criação é ao mesmo tempo documento e invenção, espelho e provocação. O espectador é instigado a mergulhar em camadas de sentidos, onde o deslocamento deixa de ser apenas dor e se converte em possibilidade de encontro, de diálogo, de futuro.

A arte torna-se então um território sem fronteiras, onde a pluralidade encontra morada e a imaginação traça novos mapas.

Como afirma o próprio Merije: “minha arte fazer parte, minha parte fazer arte.”

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Wagner Merije apresenta novos livros na Festa da Praça da República 2025, em Coimbra

18 set

A Festa da Praça da República 2025 é um evento que celebra a vida cultural de Coimbra, unindo artistas, coletivos e instituições numa programação diversa e participativa.

Na ocasião, Wagner Merije participa da Tertúlia Aquarela Brasileira Sessions, no Teatro Académico de Gil Vicente, às 15h30, com foco no lançamento e na apresentação de dois livros recentes:

Com estes títulos, Merije reafirma a sua capacidade de cruzar literatura, música, memória e crítica cultural, criando obras que dialogam com temas urgentes do nosso tempo e que aproximam Portugal, Brasil e a comunidade lusófona.

Data: 4 de outubro de 2025
Horário: 15h30
Local: Teatro Académico de Gil Vicente – Coimbra
Entrada Livre

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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