Periferias do Brasil

13 maio

Quem vem das periferias do Brasil sabe
Negro ou branco, não importa a cor
Você tem que ralar muito
Para chegar a doutor

Quem vem das periferias do Brasil tem que lutar
Por cada dia, por cada oportunidade
Arte, futebol ou crime, o que esperar
De uma abolição que não aconteceu de verdade?

Quem vem das periferias do Brasil
Tem um pé na senzala
Na periferia é lei da bala
Quem cumpre as ordens do feitor é o fuzil

Amarildos, Claudias da Silva, Pixotes
Viemos e vivemos todos em senzalas e celas
Somos filhos bastardos das maracutaias e dos golpes
E da violência eternizada contra a favela

Por Wagner Merije

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Senzala

13 maio

13 de maio
O dia da falsa abolição da escravatura no Brasil

Foto: Merije

Foto: Merije

Há muito tempo que eu ouço
O som da senzala

Som de corpo, som de vida, som de alma…
Tem os cantos de dor, a batida do tambor e a lei da bala

Senzala que apenas mudou de endereço, senzala
Hoje tem um beco na porta da sala

Há muito tempo que eu só durmo
Com o som da senzala

Há muito tempo que eu ouço
O som da senzala

Respeito por essas pessoas
Que tocam as suas vidas com muita música
Música que soa
Profunda como toda história vivida

Senzala que apenas mudou de endereço, senzala
Hoje tem um beco na frente da sala

Há muito tempo que eu durmo
Com o som da senzala

Há muito tempo que eu ouço
O som da senzala

Tem os cantos de dor, a batida do tambor e a lei da bala

……

Extraído do livro “Viagem a Minas Gerais”, de Wagner Merije
Saiba como comprar o livro aqui

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Brasil Street Art extra may

13 maio
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Brasil Street Art – may 2014

10 maio

Fotografar para eternizar. O olho da câmera faz um corte no tempo!
Fotos: Wagner Merije

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Raul de Souza, o número 1 do trombone

09 maio

O número 1 do trombone_Raul de Souza_Jornal Pampulha

Ele é o cara! Raul de Souza, um dos maiores músicos do mundo!
Nessa matéria ele fala de seus projetos para esse ano em que comemora 60 anos de carreira e 80 de vida.
Tem um depoimento do Wagner Merije, sobre os projetos em que está envolvido com Raul de Souza.
Leia na íntegra aqui

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Eternamente Jair Rodrigues

08 maio

Um cantor como Jair Rodrigues a gente não esquece, não se despede.
Porque sua música vai estar para sempre aí!
Para um cara como Jair Rodrigues a gente agradece!
Bom trem para as estrelas, professor!

Na foto: Elis e o suingue de JR
Elis Regina_e_Jair_Rodrigues

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Cidades imaginárias

08 maio

Quem viaja sem saber
O que esperar
Da cidade que encontrará
Ao final do caminho?

Quem viaja sem saber?
Aonde quer chegar? Aonde vai chegar?

Cada pessoa tem uma cidade em mente
Feita exclusivamente de diferenças
Uma cidade sem figuras e sem forma
Preenchida pelas cidades particulares

Empurre as fronteiras da imaginação
Para além de qualquer saara
A cidade não conta o seu passado
Ela o contém como as linhas da mão
Escrito nos ângulos das ruas, nas grades
Nas janelas, nas antenas e nos corrimãos

Quem viaja sem saber
O que esperar
Da cidade que encontrará
Ao final do caminho?

No centro da minha cidade imaginária
Você será circundado por desejos
Que se despertam simultaneamente
A cidade aparecerá como um todo
Nenhum desejo será desperdiçado

Lá se gozará de tudo o que não se goza
Em outros lugares
Lá vamos nos ocupar desse desejo
E nos satisfazer

Do livro “Viagem a Minas Gerais”

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Uirapuru

06 maio

Qual o pássaro brasileiro que tem o canto mais bonito?
Me peguei pensando e fui pesquisar.
São muitos, o Brasil é rico demais também nessa área.
Aqui apresento o Uirapuru

O uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus aradus) é uma ave canora conhecida pelo seu canto particularmente elaborado, o que justifica que também seja conhecido vulgarmente como músico ou corneta. É reconhecido, também, apenas por uirapuru ou arapuru, guirapuru, rendeira, tangará ou virapuru. O termo é originário da língua Tupi-guarani “wirapu ‘ru” e aplica-se ainda a outros trogloditíneos e pipríneos amazônicos. É famoso pelo seu canto e pelas lendas que o envolvem. É usado como talismã para trazer sorte na vida e no amor, sendo empalhado ou utilizado a sua pele.

O seu habitat preferencial é o estrato inferior da floresta úmida, tanto em terra firme como, principalmente, em florestas de várzea. É nativo da América do Sul – Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, – podendo ser encontrado em quase toda a Amazónia brasileira, excepto no alto Rio Negro e na região oriental do Rio Tapajós.

O uirapuru locomove-se rapidamente no solo ou no meio das folhagens. Pode formar casais ou ficar em conjunto com outras espécies de pássaros. Há uma lenda que diz que ele atrai bandos de aves com a sua bela melodia; entretanto, ele apenas integra bandos em busca de alimento. Seus voos são curtos e sussurrantes em movimentos de vai-e-vens (voa e volta para o mesmo lugar), em área limitada.

Fonte: Wikipédia

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Suave News nas ruas

02 maio

Está nas ruas a edição 01 do “Suave News” – Uma publicação de Cultura, Política e Moda!
Trata-se do jornal de lançamento do primeiro DVD do Flávio Renegado, parceiro da música e das lutas por cidadania de BH, que está brilhando pelo Brasil e o mundo.
Entre os colaboradores estão Joyce Pascowitch, Jean Wyllys, Lauro Lisboa Garcia, Carol Pascoal e Wagner Merije.
Entre viagens por Minas, Rio de Janeiro e São Paulo, o jornal foi tomando forma e conteúdo e Wagner Merije assina como editor do projeto. A diretora-chefe é Danusa Carvalho.
A data que ficou pronto não podia ser melhor: 1º de Maio, Dia do Trabalho e do Trabalhador.
Está nas ruas do Brasil, com 30 mil exemplares de saída!
Ogunhê! Que faça um bom caminho!

Nas fotos: O jornal saindo quentinho da gráfica; Renegado e o radialista Tuti Maravilha; o deputado federal Jean Wyllys e Renegado

SuaveNews_gráfica

Suave News_Renegado e Tuti Maravilha

Jean Wyllys_Renegado_Suave News

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100 anos de Caymmi – saudades

30 abr

Jorge Amado_Caymmi

Encontrei circulando pela internet esta carta que o saudoso Caymmi enviou para o também saudoso Amado.
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“Jorge meu irmão, são onze e trinta da manhã e terminei de compor uma linda canção para Yemanjá, pois o reflexo do sol desenha seu manto em nosso mar, aqui na Pedra da Sereia. Quantas canções compus para Janaína, nem eu mesmo sei, é minha mãe, dela nasci.

Talvez Stela saiba, ela sabe tudo, que mulher, duas iguais não existem, que foi que eu fiz de bom para merecê-la? Ela te manda um beijo, outro para Zélia e eu morro de saudade de vocês.

Quando vierem, me tragam um pano africano para eu fazer uma túnica e ficar irresistível.

Ontem saí com Carybé, fomos buscar Camafeu na Rampa do Mercado, andamos por aí trocando pernas, sentindo os cheiros, tantos, um perfume de vida ao sol, vendo as cores, só de azuis contamos mais de quinze e havia um ocre na parede de uma casa, nem te digo. Então ao

voltar, pintei um quadro, tão bonito, irmão, de causar inveja a Graciano. De inveja, Carybé quase morreu e Jenner, imagine!, se fartou de elogiar, te juro. Um quadro simples: uma baiana, o tabuleiro com abarás e acarajés e gente em volta.

Se eu tivesse tempo, ia ser pintor, ganhava uma fortuna. O que me falta é tempo para pintar, compor vou compondo devagar e sempre, tu sabes como é, música com pressa é aquela droga que tem às pampas sobrando por aí. O tempo que tenho mal chega para viver: visitar Dona Menininha, saudar Xangô, conversar com Mirabeau, me aconselhar com Celestino sobre como

investir o dinheiro que não tenho e nunca terei, graças a Deus, ouvir Carybé mentir, andar nas ruas, olhar o mar, não fazer nada e tantas outras obrigações que me ocupam o dia inteiro. Cadê tempo pra pintar?

Quero te dizer uma coisa que já te disse uma vez, há mais de vinte anos quando te deu de viver na Europa e nunca mais voltavas: a Bahia está viva, ainda lá, cada dia mais bonita, o firmamento azul, esse mar tão verde e o povaréu. Por falar nisso, Stela de Oxóssi é a nova

iyalorixá do Axé e, na festa da consagração, ikedes e iaôs, todos na roça perguntavam onde anda Obá Arolu que não veio ver sua irmã subir ao trono de rainha?

Pois ontem, às quatro da tarde, um pouco mais ou menos, saí com Carybé e Camafeu a te procurar e não te encontrando, indagamos: que faz ele que não está aqui se aqui é seu lugar? A lua de Londres, já dizia um poeta lusitano que li numa antologia de meu tempo de menino, é merencória. A daqui é aquela lua. Por que foi ele para a Inglaterra? Não é inglês, nem nada, que faz em Londres? Um bom filho-da-puta é o que ele é, nosso irmãozinho.

Sabes que vendi a casa da Pedra da Sereia? Pois vendi. Fizeram um edifício medonho bem em cima dela e anunciaram nos jornais: venha ser vizinho de Dorival Caymmi. Então fiquei retado e vendi a casa, comprei um apartamento na Pituba, vou ser vizinho de James e de João Ubaldo,

daquelas duas ‘línguas viperinas, veja que irresponsabilidade a minha.

Mas hoje, antes de me mudar, fiz essa canção para Yemanjá que fala em peixe e em vento, em saveiro e no mestre do saveiro, no mar da Bahia. Nunca soube falar de outras coisas. Dessas e de mulher. Dora, Marina, Adalgisa, Anália, Rosa morena, como vais morena Rosa, quantas outras e todas, como sabes, são a minha Stela com quem um dia me casei te tendo de padrinho.

A bênção, meu padrinho, Oxóssi te proteja nessas inglaterras, um beijo para Zélia, não esqueçam de trazer meu pano africano, volte logo, tua casa é aqui e eu sou teu irmão Caymmi”.

Abaixo uma das minhas músicas preferidas do maestro e professor Caymmi, “Dora”:

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Merije

Vlog do Wagner Merije


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