Author Archive

Contextos Literários – O lugar do Sarau


10 fev
Contextos literários_arte
… …
Contextos Literários é um projeto do Sesc Consolação, em São Paulo, concebido pela programadora Roberta Scatolini.
Inaugurando o projeto, nos meses de janeiro e fevereiro o tema é a Literatura Independente, alternativa que os escritores criaram para a publicação de suas obras. Serão seis encontros, sempre às segundas-feiras à noite, com a presença de convidados percorrendo desde os processos de criação individual dos textos, como os caminhos da produção literária, o mercado editorial alternativo e os possíveis espaços de circulação das obras e de seus autores.
O lugar do Sarau
Nunca se falou tanto em Saraus. Na cidade de São Paulo esse tipo de evento ganhou visibilidade na periferia, chamando a atenção da mídia e de pesquisadores por apresentarem características em comum, como: espaços com público consolidado, presença de livros, incluindo a edição independente dos próprios frequentadores, e local de referência e grande repercussão cultural. Entretanto, existem outras formas de organização de Saraus. Neste encontro partiremos de duas experiências bem distintas, que pretendem fomentar o diálogo sobre a formação de leitores e escritores, a circulação de livros, o incentivo cultural e outras questões que circundam o lugar dos Saraus.
Rodrigo Ciriaco é professor, escritor, mediador de leitura e ativista cultural. Criou o coletivo cultural Sarau dos Mesquiteiros, que acontece dentro de uma escola pública de São Paulo, onde ele leciona. Colabora com os projetos Cooperifa e Rachão Poético – Copa Mundão de Poesia, e o selo literário Edições UM por TODOS. Publicou os livros “Te pego lá fora” (Edições Toró, 2008), 100 Mágoas (Edições Um Por Todos, 2011), “Vendo Pó…esia” (Edições Um Por todos, 2014). Produz o blog “Efeito Colateral” e atualmente integra o Conselho Diretivo do PNLL – Plano Nacional do Livro e Leitura.
Wagner Merije é escritor, jornalista, curador, gestor cultural, criador multimídia e diretor artístico do músico Raul de Souza. É autor dos livros “Cidade em transe” (Aquarela Brasileira, 2015), “Viagem a Minas Gerais” (2013), “Torpedos” (2012), “Mobimento – Educação e Comunicação Mobile” (Peirópolis, 2012) – finalista do Prêmio Jabuti 2013 – e “Turnê do Encantamento” (2009), entre outras publicações. Foi curador do Sarau do Memorial, em Belo Horizonte/MG, durante os anos de 2013 a 2015, levando mais de 40 poetas independentes à cena cultural mineira.
… …
Serviço
Contextos Literários com Rodrigo Ciríaco e Wagner Merije
Data: 15/02/2016
Horário: 9h15 a 21h30
No Espaço de Leitura, 3º andar.
Sesc Consolação
Share

Brasareiros


01 fev

MA-Carvao2-AM_778x519

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

… … …

… …

— Aprendemos a respeitar o fogo e amá-lo, ao mesmo tempo. Aprendemos a viver onde nosso mapa aponta. Arre! Somos desse mundaréu e o fogo é a nossa língua, nossa pátria. Seu moço, somos nada não!

— Mas os homi cegos que vêm aqui de vez em quando falar que nóis emprega crianças onde num deve, nem enxerga nóis direito. Eles têm medo di nóis. Mas eu te pergunto: medo de quê? Por quê? Pra quê? A gente é nada não, fulige sem nome cheirando a carne queimada.

— Olha pra nossas caras… Somos todos pretos. Fulige iguala nóis com a noite. Somos todos daqui, do fogaréu. Nascemos e morremos como um sopro de Deus. E só deixamos cinza para encontrar a terra. Mundaréu cheio das porteiras. Vai ver era para ser assim mesmo, né não?

— Somos todos brasareiros, brasileiros de brasa. Carvão. Ou melhor, cinzas. Somos apenas cinzas do que já fomos, do que podíamos ser. Tudo em nóis queima, foi queimado e não existe mais. Nem sinal de fumaça.

— E vosmecê pode estar perguntando: mais quem são essas vozes que falam? São as vozes do fogo, das labaredas! Fogo de quem não existe mais. As vozes dos ausentes. Dos incinerados. As vozes que engolem fogo.

— Com o fogo se queima e é queimado. E não existe mais nada depois das cinzas. Todos esses meninos que vocês vêem aí correndo entre fornos são restos de sonhos, são zumbizinhos carbonizados. São gente não, são carvão e restos de brasa. Brasareiros.

— Enquanto isso, na China o sol é coberto por uma imensa nuvem de fumaça.

 

(Autor: Wagner Merije)

 

 

Share

em mim todos os sonhos do mundo


04 jan

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada, pensou. Mas ele sabia que à parte isso, tinha em si todos os sonhos do mundo.

Por isso ele resolveu pegar aquela camiseta branca velha e pintar a frase de Fernando Pessoa. Na frente e atrás. E quando terminou, deu um beijo na mãe, tomou um copo d’água e se despediu, dizendo que ia se encontrar com uns amigos.

A mãe, que na noite passada tinha tido um pesadelo em que via um corpo boiando inerte em uma piscina, achou estranho, sentiu um negócio esquisito no peito, mas se limitou a dizer “Se cuide meu filho!”

Ia encontrar com os amigos era para protestar. Protestar contra o governo. Contra as arbitrariedades. Uma palavra tão cabulosa que deve ter sido inventada em tempos difíceis. Basta repetir: arbitrariedades. Coisa louca, nunca é uma só. São arbitrariedades.

Quando chegou no ponto de encontro já estava rolando confronto. Precisou pouco para isso. A polícia vai esperando a deixa. E alguns sempre vão pro sacrifício. Não é nada difícil isso acontecer.

Passou pela galera ansiosa ansioso, se infiltrou no meio da turma, chegou na linha de frente. Parou. Olhou. Acomodou o corpo. Tentando manter a calma, ele estava de frente pros homi. É treta! Impossível a perna não tremer e o suor não brotejar na testa. Começou a contar: um, dois, três, seis, oito, treze, dezenove policiais, quantos são, peraí, trinta e três, quarenta e quatro… Vem chegando mais, o quê que está pegando mesmo?

Qual é meu nome, Hermano ou Diego? A mente turva, a cabeça a milhão, ele na linha de frente do confronto. A essa hora a mãe, que assistia TV, já estava recebendo flashs do protesto dos estudantes contra o fechamento de escolas. “A situação está tensa”, anunciava a repórter e as câmeras mostravam os estudantes sentados em carteiras, no meio da rua dos carros, impávidos, silenciosos, resistentes como Gandhi. E do outro lado, num mar de luzes piscando das viaturas, um batalhão inteiro de policiais, com cavalaria, cães, tropa de choque, blindados, motos, um arsenal pesado.

No fundo, todo mundo rangendo dentes. Estavam na frente de uma delegacia. O território é deles, do “ladonegrodaforça”, rolava a hashtag. Tem que tomar cuidado, evitar o confronto.

Só que o inesperado acontece. Um cachorro escapou da mão de um dos guardas e saiu correndo como um foguete. Voou no primeiro que viu. No pescoço. Como um tiro seco.

Os estudantes gritaram. Os policiais foram para cima. A mãe, que já tinha visto tudo pela TV, corria para lá. Correu e chegou na hora.

Que hora é essa, Hermano ou Diego? De despedir, mãe! Em pedaços os dois, sem ninguém poder fazer nada.

Filho. Um filho. Só quem tem filho sabe o que é mexer com um filho seu. “Cadê meu filho? Me dêem meu filho de volta! Vocês mataram meu filho!”, ela gritava, ajoelhada aos pés dele.

O que ela disse quase ninguém ouviu. Outras mães iriam se juntar a ela logo depois. Em meio a muita violência. Muita mesmo.

Eram só estudantes, Es-tu-dan-tes! Jovens! Futuro do Brasil!! Todos os sonhos do mundo e alguns mais. Protestando contra o fechamento das escolas deles, nada mais justo!!!

Por quê que matam as pessoas?

Quem é que autoriza tudo isso?

 (Um conto de Wagner Merije)

 

 

 

Tenho em mim todos os sonhos do mundo

Share

O cardápio do progresso


01 dez

Feira Miolo 29_George Leoni_Torpedos

 

Do livro TORPEDOS – saiba mais aqui

Share

Na balada com os amigos


20 nov

A cada ano tem aquela mesa que te pega.

Na Balada Literária de 2015 fui encontrar ídolos e amigos.

Festa boa! Muita história para contar por esses magos das letras. Salve salve!

 

Share

5º Festival de Música e Poesia do Estaleiro Bar – Ilhabela


16 nov

Aconteceu em Ilhabela, litoral de São Paulo, nos dias 13 e 14/11/15, o 5º Festival de Música e Poesia do Estaleiro Bar.
A convite do organizador, o músico e produtor Kiko Cardial, e do poeta Jonas Worcman, escalado como apresentador, o multimídia Wagner Merije aceitou o convite para ser um dos jurados.
Foram duas noites alegres, festivas, com a participação de músicos e poetas de Ilhabela e de outras cidades da região, confirmando mais uma vez que há talentos por todo o Brasil.

Confira algumas imagens

Share

Design gráfico e literatura


15 nov

Gosta de literatura e de design? Tá aí uma oportunidade legal para estudar os dois campos.

 

Workshop: Design Gráfico e Literatura
Sesc Belenzinho – São Paulo/SP
Grátis
Sexta-feiras, 27/11, 04/12 e 11/12, das 19h às 22h
Inscrição pelo site www.sescsp.org.br ou pessoalmente na unidade

 

Design grafico e Literatura_Sesc Belenzinho

 

 

Gostou? Que tal levar esse workshop para sua escola, centro cultural ou evento?

 

Workshop: Design Gráfico e Literatura

Design Gráfico e Literatura: como o design se manifesta na literatura e quais histórias o design dos livros nos contam é um projeto de workshop que trabalha com os eixos de pesquisa, elaboração e compartilhamento de ideias novas.
Busca elucidar a importância e o impacto do design ao longo do tempo nos livros e na leitura, trazendo um histórico de projetos gráficos marcantes nos livros publicados no Brasil (principalmente), como também em projetos de publicações estrangeiras.

Público participante
– Estudantes
– Educadores
– Escritores
– Designers
– Outros interessados

Locais das oficinas
Em escolas, na sala de aula, laboratórios de informática, centros culturais ou espaço de convivência

Carga horária
Quatro encontros de duas a três horas cada, de acordo com o programa a seguir:
– O design nos romances e livros de contos
– O design nos livros de poesia
– O design nos livros infantis
– Outras publicações (livros de arte, técnicos etc)

Número de vagas
20 por oficina

Metodologia
O workshop parte de vivências práticas, com exercícios de análise de conteúdos (livros e catálogos), apropriação de recursos web e mobile, exibição de fotos, vídeos, áudio e texto, que dialogam com a teoria.

Material didático
* Caderno ou bloco de notas, canetas, lápis

Recursos solicitados às escolas e espaços culturais
Acesso à internet (com fio ou wireless), computadores com acesso à internet, data show, equipamento de sonorização (para exibição dos vídeos e para comunicação com o público)

Oficineiro
Wagner Merije é escritor, jornalista, criador multimídia e empreendedor cultural e social. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, tem trabalhos lançados no Brasil e no exterior, parcerias com grandes artistas e alguns prêmios na bagagem.
É autor dos livros Cidade em transe, Viagem a Minas Gerais, Turnê do Encantamento, Torpedos, Mobimento – Educação e Comunicação Mobile – Finalista do Prêmio Jabuti 2013, e de uma rica produção lítero-musical.
É criador e curador do Sarau do Memorial Minas Gerais-Vale e do Sarau Suprasensorial e curador da Bienal de Poesia de Minas Gerais.
É criador do projeto cultural e educativo MVMob – Minha Vida Mobile, ganhador do Prêmio “Inovação Educativa” – 2011, concedido pela Fundação Telefônica e OEI.
Como jornalista, apresentador e roteirista, trabalhou para veículos no Brasil (Revista Palavra, Rede Minas, TV Horizonte, TV Senac, O Tempo, Vivo Music Tones, Rádio Inconfidência, Savassi FM) e no exterior (Folha de São Paulo/Ilustrada, Euro Brasil Press, ambos em Londres) e é colaborar de revistas, jornais e sites.

Saiba mais: www.merije.com.br/livro

Contatos
(11) 99821-1330
faleaquarela@gmail.com

 

Share

Feira Miolo(s)


08 nov

(sfoto-feira Miolo

 

 

 

 

 

Feira Miolo(s) é um encontro anual na Biblioteca Mário de Andrade que busca estimular a produção de editores e artistas contemporâneos. Também é um momento em que a principal biblioteca pública de São Paulo abre suas prateleiras para livros independentes, democratizando o acesso a publicações fora do circuito comercial tradicional e dando diversidade ao acervo.

Em 2015, além da feira de publicações, haverá um prêmio e uma programação paralela, que inclui palestras, oficinas e uma mostra.

O evento aconteceu no dia 07/11/15, das 10h às 18hs, e reuniu mais de 122 editoras independentes de várias partes do país.

Wagner Merije participou junto com a Aquarela Brasileira, expondo e vendendo livros e encontrando novos leitores.

Confira algumas fotos

Serviço:
Local:Biblioteca Mário de Andrade – R. da Consolação, 94 – Consolação, São Paulo – SP – (11) 3775-0002
Entrada franca

Share

Segundo Sarau Suprasensorial na Casa das Rosas


05 nov

A segunda edição do Sarau Suprasensorial na Casa das Rosas foi o maior barato e contou com a participação de convidados especiais.

Foi uma noite de poesia, encontros, inspiração e rosas, enquanto lá fora a chuva trazia a São Paulo um pouco de suavidade.

O Sarau Suprasensorial é uma celebração da poesia e dos encontros de linguagens artísticas e já se apresentaram poetas, escritores, músicos, atores, artistas visuais e convidados da plateia, com o microfone sempre aberto.

A proposta é levar ao público o conceito de suprasensorialidade, que teve, entre outros precursores, o finado artista plástico Helio Oiticica.
Literatura, música, performance, cenário, projeções, cheiros, tudo é dirigido aos sentidos do indivíduo para desaliená-lo do condicionamento do cotidiano. Sensações. O público é convidado e estimulado a fazer parte do espetáculo, recitando, cantando, dançando, criando e celebrando a arte de todos.

Já realizado em vários espaços de São Paulo e Belo Horizonte, o Sarau Suprasensorial” é apresentado pelo poeta, escritor, jornalista e compositor Wagner Merije, com produção da Aquarela Brasileira.

Na ocasião houve o lançamento do livro Cidade em transe, de Wagner Merije.

Confira algumas fotos

SERVIÇO

Segunda edição na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura (Av. Paulista, 37, São Paulo)

Data: 04/11/2015, das 19h `as 21h30

Share

Boas ideias na Feira do Livro de Caxias do Sul


21 out

Oficina Torpedos_Caxias do Sul 2015

Caxias do Sul é uma terra de gente forte, bonita, acolhedora, de escritores e cheios de brioe qualidades, de forte comunicação com o público leitor. Graças, em parte à Feira do Livro, que este ano chegou à sua 31ª edição, ao Entrelinhas – Festival Literário e Cultural, quem em 2015 realizou sua segunda edição, ao talento natural de seu povo e a movimentação econômica cultural da segunda cidade do estado do Rio Grande do Sul.
Em lugares assim as ideias fervilham, as conspirações acontecem, a cultura tem valor na formação do povo e o molho ferve.
Para o poeta e escritor Wagner Merije, que participou pela primeira vez da Feira, foi uma oportunidade de aprendizado e compartilhamento de conhecimentos.
O lançamento do novo livro “Cidade em transe” foi um encontro com novos leitores e formadores de opinião. Merije também ministrou a oficina “Torpedos – Literatura na ponta dos dedos” para mediadoras de leituras nas bibliotecas comunitárias, uma turma animada e cheia de amor pelos livros e pelos leitores.
A programação contou ainda com shows, como o do fenomenal Borghettinho.
Viva o Brasil! Viva o povo do Rio Grande do Sul!
Que novas oportunidades de encontrar as raízes da cultura brasileira venham!!!

Confira algumas fotos

Share

Merije

Vlog do Wagner Merije


Translate »