
Foto: Merije
E se a gente não
desse ouvidos a
Deus…
Seria um adeus?
Do livro “Torpedos”

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.
Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.
Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem… sem que ele estale.
Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo…
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?
Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)
Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.
Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.
Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
Mundo Grande
Carlos Drummond de Andrade
Lua cheia em Paris vista da Pont Neuf!
Poesia pura na cidade luz!
Benção todos os deuses!

Foto: Merije

Em Salvador, no projeto Geração Bit, com Alexandre Guena, Zico Góes (MTV) e Renata Hasselman (Multi Planejamento)

Nesta foto, com Arlindo Machado (PUC_SP e USP)
Minha missão: criar e coordenar a oficina “Documentários Musicais Mobile”

João Donato, eu, Raul de Souza

Altamiro Carrilho e eu, em novembro de 2011, em São Paulo (in memorian)

Pedro Aristides, Merije, Raul de Souza, Altamiro Carrilho, Vera - Sesc Vila Mariana - 22/11/2011
Ao final da gravação do primeiro DVD de Raul de Souza, que contou com participação especialíssima de Altamiro Carrilho, e que tive a honra de dirigir.
No espaço digital, ninguém é mais exclusivamente músico, ator ou artista plástico. Há um intercâmbio de linguagens e as classificações rigorosas estão caindo.

Foto: Merije
Arte de rua em Montmartre, Paris, França


Os meus livros “Turnê do Encantamento” e “Torpedos” na casa da professora de literatura francesa Claire Bertin, em Paris, França.
Vai, poesia, vai, faz folia!
Vlog do Wagner Merije